Uma pesquisa de físicos da UFRN e UFPB sugere que Cabral desembarcou no litoral potiguar em 1500, com base na carta de Caminha, ventos e correntes marítimas.
Um estudo recente liderado por dois físicos argumenta que Pedro Álvares Cabral teria chegado ao Brasil em 1500 na costa do Rio Grande do Norte, e não em Porto Seguro, na Bahia, como é tradicionalmente ensinado.
A pesquisa, conduzida por Carlos Chesman, da UFRN, e Carlos Furtado, da UFPB, foi publicada no periódico Journal of Navigation, da Universidade de Cambridge.
Usando dados de correntes marítimas, ventos e a famosa carta de Pero Vaz de Caminha, os cientistas contestam a versão histórica oficial, apelando para uma revisão do local de fato do primeiro desembarque português.
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Revisão da rota histórica: física a serviço da história
Os pesquisadores usaram uma abordagem interdisciplinar para recontar o momento do descobrimento.
Eles analisaram datas, distâncias, locais e profundidades relatados por Caminha e os confrontaram com modelos modernos de ventos e correntes marítimas.
Com simulações via software e expedições práticas, Chesman e Furtado traçaram uma rota que, segundo eles, é física e historicamente mais coerente: saindo de Cabo Verde em 23 de março de 1500 até um ponto no litoral potiguar.
Argumentos centrais: Monte Serra Verde e rio Punaú
Segundo a carta de Caminha, a frota avistou um “grande monte, mui alto e redondo” antes de lançar âncora “à boca de um rio”.
- Para os físicos, esse monte descrito seria o Monte Serra Verde, localizado em João Câmara (RN).
- Já o rio citado por Caminha, para a dupla, corresponderia ao rio Punaú, que deságua na praia de Zumbi, em Rio do Fogo, a cerca de 72 km de Natal.
Desembarques múltiplos: não apenas um ponto de chegada
De acordo com os novos argumentos, o primeiro contato dos portugueses com o solo teria sido seguido por um segundo desembarque.
Esse segundo ponto, segundo os físicos, estaria na praia do Marco, entre os municípios de São Miguel do Gostoso e Pedra Grande, terrenos potiguares.
Eles também mencionam que um marco português datado de 1501, existente nessa faixa da costa potiguar, já era citado por intelectuais do Rio Grande do Norte há décadas, como Luís da Câmara Cascudo.
Metodologia científica: além da história convencional
Para chegar a essas conclusões, os cientistas reuniram dados numéricos da carta de Caminha e cruzaram com modelos científicos: velocidade de correntes, ventos, profundidade do mar.
Além disso, fizeram expedições no litoral potiguar para comparar observações reais com o que a carta descreve — usando GPS, imagens, medições batimétricas (estudo da profundidade) e fotos para validar a hipótese.
Em um dos trechos de estudo, eles apontam que, desta rota simulada, é possível ver a olho nu — como Cabral e seus navegadores — formações montanhosas semelhantes às descritas por Caminha, mesmo sem o uso de luneta (invenção posterior).
Contribuição para a história: física encontrando os estudos humanísticos
Chesman enfatiza a relevância da interdisciplinaridade: “A ciência é interdisciplinar. O que fizemos foi usar a física para analisar fatos históricos e há uma contribuição nisso. Se uma revista como a Journal of Navigation aceita publicar, é porque é relevante”
Por outro lado, historiadores apontam limites à tese.
A historiadora Ana Hutz (PUC-SP) lembra que a carta de Caminha é apenas uma das fontes, e que há estudos cartográficos e outros relatos que sustentam a versão de Porto Seguro.
Já Juliana Gesueli (PUC Campinas) alerta que, para que uma mudança de narrativa nos livros escolares ocorra, são necessárias mais evidências robustas. “É preciso que haja mais pesquisas e evidências robustas para iniciar discussões que às vezes duram décadas para mudar os livros de história”, afirma.
Se a hipótese se consolidar, o chamado “descobrimento” do Brasil pode ganhar novo recorte geográfico e simbólico, deslocando a ênfase histórica para o Rio Grande do Norte.
Isso poderia influenciar o ensaio didático, mudando partes de livros de história e currículos escolares para refletir a nova interpretação do desembarque de Cabral.
Além disso, a pesquisa reacende a discussão sobre como diferentes disciplinas — como a física — podem contribuir para revisitar episódios históricos, abrindo “novas janelas”, segundo Gesueli.
Críticas e limitações da nova tese
Apesar do entusiasmo, há ressalvas importantes:
- Falta de participação de historiadores: o estudo foi conduzido por físicos, sem o envolvimento direto de especialistas em história, o que pode limitar a aceitação entre os historiadores.
- Contrapontos históricos consolidados: estudos antigos, como os do almirante Max Justo Guedes (1975), refazem rotas da frota de Cabral com base em outras fontes e defendem a chegada na Bahia.
- Mudança lenta nos livros escolares: alterar a narrativa oficial exige consenso e forte base documental, o que pode levar anos para refletir em salas de aula.
Próximos passos e debates futuros
Para dar seguimento à hipótese, Chesman planeja organizar um colóquio científico no Rio Grande do Norte, reunindo historiadores para discutir os achados e propor novas investigações.
Enquanto isso, a comunidade acadêmica observa com atenção: muitos veem no estudo uma oportunidade de repensar o “descobrimento” do Brasil a partir de uma perspectiva científica diferente.
A nova pesquisa sobre a rota de Pedro Álvares Cabral, conduzida por físicos, desafia a narrativa tradicional do descobrimento do Brasil, apontando para um desembarque no Rio Grande do Norte em vez da Bahia.
Com base em simulações científicas e revisitação da carta de Caminha, o estudo abre espaço para uma releitura histórica significativa e suscita questionamentos sobre como entendemos o início da presença portuguesa em terras brasileiras.
Fonte: Folha de São Paulo
Tudo isso está sendo feito com dinheiro público?????????
Um bando de **** que não tem conhecimento nenhum de física e geofísica ficam contestando os fatos simplesmente por inveja ou por não ter o que fazer e esse que se diz professor de história deve ser de história da carochinha ou de banco de praça . Vão se catar bando de analfabetos.
Monte alto e redondo, como já foi dito ao longo da história, se trata do Monte Pascoal, que inclusive fica há uns 35 km da minha cidade, e minha cidade é a guardiã do monte pescoço também visto por Caminha. E a resposta mais lógica atualmente, é que a chegada não foi em Porto seguro em si, mas na Barra do Cahy, que seguindo pela praia fica a uns 42 km de distância, e está localizado nas praias de Cumuruxatiba – Bahia.