Novo formato publicado em 2025 na Science Advances apresenta solução automatizada para armazenamento de dados frios com base em DNA sintético
Uma inovação tecnológica de grande relevância científica foi apresentada em setembro de 2025, despertando atenção no setor de armazenamento de dados em DNA.
Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China publicaram na revista Science Advances um estudo que propõe a adaptação do DNA a um formato físico escalável inspirado na tradicional fita cassete.
A tecnologia, explorada desde 2012, converte arquivos digitais nas bases químicas A, C, G e T.
Essas sequências sintéticas são então preservadas como moléculas estáveis, capazes de armazenar informação por longos períodos.
Embora os modelos anteriores utilizassem tubos, placas ou pó encapsulado, esses formatos funcionavam apenas em laboratório.
Além disso, exigiam múltiplos recipientes individuais, ocupavam espaço físico relevante e dificultavam automação e endereçamento preciso.
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Reconfiguração física transforma DNA em mídia escalável
A proposta apresentada em 2025 reorganiza essa limitação estrutural.
Em vez de recipientes isolados, o DNA passa a ser fixado em uma membrana composta por nylon e poliéster, quimicamente tratada para funcionar como suporte mecânico.
Assim como as fitas cassete utilizadas nas décadas de 1980 e 1990 possuíam trilhas fixas, o novo modelo apresenta mais de 500 mil partições de dados fisicamente acessáveis.
Dessa forma, um leitor de código de barras de alta velocidade identifica a localização exata de cada arquivo em frações de segundo.
Além disso, foi desenvolvido um drive compacto, do tamanho aproximado de uma caixa de sapatos.
Esse equipamento realiza busca, leitura e escrita automaticamente, sem intervenção humana.
Densidade informacional redefine limites físicos
O avanço está diretamente ligado à densidade do material genético.
Estima-se que um único grama de DNA possa armazenar até 455 exabytes de dados.
Esse volume corresponde a praticamente todo o tráfego mensal da internet mundial.
Além disso, a durabilidade potencial da mídia pode alcançar milhares de anos.
Durante o processo de escrita, pequenas gotas de DNA sintético são depositadas nas partições da fita.
Esse método, denominado Deposit-Many-Recover-Many, permite apagar e regravar informações na mesma posição física.
Para evitar degradação, os pesquisadores aplicaram uma camada cristalina composta por estruturas metalorgânicas chamadas ZIFs.
Essa proteção atua como barreira contra umidade e calor, preservando a integridade molecular.
Aplicações estratégicas e limites operacionais
Inicialmente, a aplicação mais imediata envolve dados frios, como registros históricos, arquivos científicos e backups de longo prazo.
Nesse cenário, a prioridade é durabilidade e baixo consumo energético, mesmo com acesso mais lento.
A fita de DNA dispensa energia contínua e sistemas complexos de refrigeração.
Por isso, pode contribuir para centros de big data mais sustentáveis.
Entretanto, o desempenho ainda é inferior ao de HDs, SSDs ou fitas magnéticas convencionais.
Em testes descritos no estudo de setembro de 2025, copiar um arquivo de algumas centenas de kilobytes levou dezenas de minutos.
Segundo o artigo publicado na Science Advances, a leitura de DNA tornou-se relativamente acessível.
No entanto, a síntese química das sequências ainda permanece lenta e custosa, o que inviabiliza uso comercial imediato.
Transição conceitual no armazenamento digital
Ainda assim, a adaptação da fita cassete representa uma reorganização conceitual do armazenamento digital. Em vez de depender exclusivamente de eletricidade e silício, o sistema utiliza a própria química da vida.
Portanto, com avanços futuros na síntese e na leitura do DNA, o armazenamento digital poderá migrar para uma base molecular. Assim, arquivos digitais poderão permanecer preservados na mesma estrutura que sustenta a informação genética há bilhões de anos.
Você acha que o DNA conseguirá consolidar-se como solução viável para armazenamento digital de longo prazo?
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