1. Inicio
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Foguete sul-coreano fará 1º voo comercial do Brasil, leva satélites para estudos ambientais, comunicação e Sol e pode colocar o país de vez no mapa do mercado global disputado de lançamentos espaciais
Tiempo de lectura 7 min de lectura Comentarios 1 comentario

Foguete sul-coreano fará 1º voo comercial do Brasil, leva satélites para estudos ambientais, comunicação e Sol e pode colocar o país de vez no mapa do mercado global disputado de lançamentos espaciais

Publicado el 16/12/2025 a las 11:20
O 1º voo comercial do Brasil com foguete sul-coreano no Centro de Lançamento de Alcântara leva satélites ambientais e coloca o país no mercado espacial global.
O 1º voo comercial do Brasil com foguete sul-coreano no Centro de Lançamento de Alcântara leva satélites ambientais e coloca o país no mercado espacial global.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
5 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

No 1º voo comercial do Brasil, foguete HANBIT-Nano decola do Centro de Lançamento de Alcântara com satélites de universidades brasileiras e parceira indiana, medindo meio ambiente, comunicação, atividade solar e navegação para inserir de vez o país na nova economia global de lançamentos espaciais competitivos, sustentáveis, estratégicos, inclusivos e históricos.

No 1º voo comercial do Brasil, o foguete sul-coreano HANBIT-Nano será lançado nesta quarta-feira (17) do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no litoral do Maranhão, levando oito cargas úteis e inaugurando a primeira missão comercial de colocação de satélites em órbita a partir do território nacional.

Coordenada pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB), a operação mobiliza 500 profissionais civis e militares, integra cinco satélites e três experimentos desenvolvidos por instituições do Brasil e da Índia e, se for bem-sucedida, pode posicionar o Brasil de forma estratégica no disputado mercado global de lançamentos espaciais.

Satélites ambientais, de comunicação e do Sol a bordo do HANBIT-Nano

O 1º voo comercial do Brasil leva uma constelação de pequenos satélites com funções muito diferentes entre si, mas complementares para a ciência e a indústria.

Ao todo, são cinco satélites e três experimentos embarcados, planejados para atuar em mais de cinco frentes de pesquisa: coleta de dados ambientais, comunicação em órbita, envio de mensagens ao espaço, navegação do foguete, monitoramento do Sol e posicionamento de alta precisão.

Entre os satélites, um dos destaques é o Jussara-K, desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em parceria com startups e instituições nacionais.

A missão dele é coletar dados ambientais em regiões de difícil acesso, comunicando-se com plataformas terrestres de coleta de dados posicionadas estrategicamente na região de Alcântara, ampliando a capacidade de monitorar o território maranhense em tempo quase real.

Também seguem no 1º voo comercial do Brasil os satélites FloripaSat-2A e FloripaSat-2B, criados no laboratório SpaceLab da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O FloripaSat-2B é produzido totalmente no Brasil e, junto com o modelo A, deve validar em órbita tecnologias desenvolvidas na própria universidade, usando a plataforma FloripaSat-2 como base para futuras missões espaciais.

Os satélites vão testar um sistema de comunicação via LoRa, tecnologia de baixo consumo energético já usada em aplicações de Internet das Coisas (IoT).

Outro satélite emblemático é o PION-BR2, batizado de Cientistas de Alcântara. Ele enviará ao espaço mensagens de alunos da rede pública do município maranhense, num esforço para aproximar as comunidades quilombolas das atividades espaciais.

Desenvolvido pela UFMA em parceria com a AEB, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a startup PION, o dispositivo também fará testes com sistemas nacionais de comunicação, energia, painéis solares e computador de bordo, fortalecendo a cadeia da indústria espacial brasileira.

Entre as cargas internacionais, o HANBIT-Nano leva o Solaras-S2, experimento da empresa indiana Grahaa Space focado em observação solar.

O objetivo é monitorar fenômenos do Sol que podem interferir em sistemas de comunicação, navegação e outras tecnologias na Terra, fornecendo dados de grande interesse tanto para cientistas quanto para operadoras de serviços de telecomunicações.

Tecnologia de navegação brasileira testada em voo real

O 1º voo comercial do Brasil também funciona como um grande laboratório para validar tecnologias nacionais de navegação em condições reais de voo.

A bordo do HANBIT-Nano segue um Sistema de Navegação Inercial (SNI) batizado de SNI-GHSS, uma plataforma 100% brasileira encomendada pela AEB e desenvolvida por empresas como Concert Space, Cron e HORUSEYE TECH.

Esse sistema é capaz de determinar com precisão a velocidade, a posição e a atitude do foguete ao longo da trajetória, permitindo maior controle e eficiência da missão.

Se o desempenho for confirmado, a tecnologia abre espaço para empresas brasileiras competirem em nichos de mercado ligados a foguetes, drones, veículos terrestres e marítimos, que também podem usar esse tipo de navegação inercial avançada.

Outro experimento de navegação levado pelo HANBIT-Nano é um Sistema de Navegação Inercial com algoritmo de navegação autônoma assistida por GNSS, desenvolvido pela empresa Castro Leite Consultoria (CLC). Ele será testado em ambiente suborbital, gerando dados para futura aplicação em sistemas embarcados em missões espaciais.

A empresa tem dois dispositivos a bordo, mas, por solicitação do fabricante, a FAB terá acesso apenas aos dados de um deles, o que mostra o caráter sensível e estratégico desse tipo de tecnologia.

Como é o foguete do 1º voo comercial do Brasil

Desenvolvido pela startup sul-coreana Innospace, o HANBIT-Nano é um foguete voltado ao lançamento de pequenos satélites, segmento que mais cresce no mercado espacial mundial.

Autorizado pela Força Aérea Brasileira desde maio para operar em Alcântara, o veículo fará o 1º voo comercial do Brasil após um histórico de testes, incluindo um voo-teste bem-sucedido com o modelo HANBIT-TLV, realizado em março de 2023, que durou 4 minutos e 33 segundos.

O HANBIT-Nano tem 21,9 metros de altura, 1,4 metro de diâmetro e pesa 20 toneladas, o equivalente a cerca de quatro elefantes africanos.

Segundo as especificações, ele pode voar até 30 vezes mais rápido que um avião comercial, velocidade necessária para colocar satélites em órbita baixa com precisão.

O lançamento será feito em dois estágios e poderá ser visto a olho nu nos céus de Alcântara e em parte de São Luís, reforçando o caráter simbólico dessa estreia comercial para a população local.

Alcântara, linha do Equador e o trunfo brasileiro no espaço

O cenário desse 1º voo comercial do Brasil é o Centro de Lançamento de Alcântara, construído na década de 1980 justamente para atender aos requisitos técnicos e logísticos do Programa Espacial Brasileiro.

Localizado próximo à linha do Equador, o sítio de lançamento maranhense oferece vantagens naturais importantes: quanto menor a latitude, menor o consumo de combustível e menor o tempo de viagem até a órbita, graças à maior velocidade de rotação da superfície terrestre nessa região.

Além disso, o litoral de Alcântara tem extensa faixa costeira, baixa densidade de tráfego aéreo e permite um amplo leque de inclinações orbitais, o que facilita missões de diferentes perfis.

Na prática, isso significa que o CLA pode oferecer lançamentos mais baratos e flexíveis, argumento decisivo para competir num mercado em que cada dólar e cada quilograma lançado contam.

Um passo fundamental para transformar essa vantagem geográfica em oportunidade de negócios foi o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) assinado em 2019 entre Brasil e Estados Unidos.

Pelo acordo, equipamentos que tenham tecnologia norte-americana podem ser lançados de Alcântara, gerando compensação financeira ao Brasil e destravando o acesso a grande parte dos componentes usados em foguetes no mundo.

Antes, cada lançamento exigia autorização específica, o que travava a entrada do país no mercado global.

Após o AST, a AEB lançou um edital para selecionar empresas privadas interessadas em usar a base maranhense.

Quatro companhias foram habilitadas, entre elas a Innospace, dona do HANBIT-Nano, que agora protagoniza o 1º voo comercial do Brasil a partir de Alcântara.

Brasil no mapa do mercado global de lançamentos espaciais

O 1º voo comercial do Brasil com o HANBIT-Nano não é apenas um marco simbólico.

A missão reúne universidades públicas, startups nacionais, uma empresa indiana e uma operadora sul-coreana em torno de um mesmo foguete, mostrando que Alcântara pode funcionar como plataforma internacional de serviços espaciais e não apenas como um projeto de uso exclusivamente militar ou governamental.

Se os satélites ambientais, de comunicação e de observação solar cumprirem suas metas, e se os sistemas de navegação brasileiros forem validados em voo, o país ganha um cartão de visitas de peso para negociar novos contratos, atrair mais empresas e consolidar a base maranhense na agenda de operadores do mundo inteiro.

Nesse cenário, cada novo contrato de lançamento pode significar mais emprego qualificado, mais pesquisa nas universidades e mais receita para o Programa Espacial Brasileiro.

A combinação de localização privilegiada, infraestrutura já instalada, acordo internacional de salvaguardas e participação crescente da iniciativa privada faz com que o 1º voo comercial do Brasil seja visto como um divisor de águas.

A partir dessa primeira missão, Alcântara deixa de ser apenas um projeto de potencial e passa a disputar, de fato, espaço num mercado global que movimenta bilhões de dólares por ano.

E você, acha que o 1º voo comercial do Brasil partindo de Alcântara tem potencial para transformar de verdade o lugar do país no mercado espacial mundial?

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Danilo Franco
Danilo Franco
18/12/2025 17:41

É pena que perdi a transmissão do lançamento!🥲

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartir en aplicaciones
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x