A FUP pressiona a Petrobras por avanço no acordo das paradas de manutenção e alerta para riscos de mudanças no regime de trabalho sem negociação. Entenda os impactos para a categoria
Em 25 de novembro de 2025, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) reforçou a cobrança para que a Petrobras avance nas negociações sobre o acordo relacionado às paradas de manutenção das unidades operacionais. Segundo informações do site Sindipetro NF, a entidade sindical se posicionou contra qualquer tentativa da empresa de impor mudanças no regime de trabalho dos petroleiros sem consenso e destacou que alterações unilaterais não serão aceitas.
Entenda o que está sendo exigido pela FUP à Petrobras
A FUP informou que a Petrobras apresentou um conjunto de elementos iniciais de proposta, mas a federação considera que ainda não existe formalização suficiente que garanta os direitos dos trabalhadores envolvidos nas paradas de manutenção.
A organização sindical também classificou como preocupante o fato de a empresa tentar instituir modificações que afetem jornada, escala e compensações sem que haja negociação conjunta com os representantes da categoria.
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A entidade argumenta que decisões nesse campo não podem ser adotadas de forma isolada pela empresa, pois impactam diretamente a segurança das operações, o planejamento das atividades e as condições de trabalho das equipes.
A posição da FUP foi divulgada após nova rodada de discussões sobre o Acordo Coletivo que regulamenta processos extraordinários, escalas e rotinas operacionais envolvendo as paradas de manutenção. Nesse encontro, a federação ressaltou que as paradas de manutenção são atividades essenciais e requerem regras pactuadas, previsíveis e seguras para todos os envolvidos, incluindo equipes de operação de turno e trabalhadores do administrativo.
Paradas de manutenção e segurança operacional da Petrobras
As paradas de manutenção ocupam papel central nas operações da Petrobras. Segundo a FUP, elas representam processos de alto risco e exigem organização minuciosa, planejamento estratégico e acompanhamento rigoroso de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS). A entidade defende que essas atividades sejam reconhecidas como extraordinárias e tratadas com prioridade pelas gerências e comissões internas de prevenção de acidentes.
Durante a reunião com a Petrobras, a FUP contestou o fato de a empresa buscar estabelecer um regramento que, segundo a federação, já parte de um patamar inferior ao praticado historicamente. Uma das preocupações apontadas é a tentativa de uniformização de critérios que podem resultar em perdas para unidades onde os trabalhadores conquistaram, por negociação, condições mais favoráveis.
Desde 2016, a FUP relata que algumas tentativas de flexibilização das paradas de manutenção foram rejeitadas pela mobilização dos trabalhadores, principalmente quando houve tentativas de impor o limite de 200 horas para jornadas específicas. Em muitos locais, prevalece o limite de 168 horas como padrão para a realização das atividades, o que é considerado pela federação como a base mínima a ser preservada.
Mudanças no regime de trabalho não podem ser impostas unilateralmente
Além da defesa pela regulamentação adequada das paradas de manutenção, a FUP reiterou que não aceitará imposições da Petrobras sobre o regime de trabalho. O tema envolve questões sensíveis como jornada, escalas, compensação de horas e plantões extras. Para a federação, qualquer alteração nessas regras deve ser amplamente discutida com os representantes dos trabalhadores.
A postura unilateral nas tentativas de negociação foi criticada durante as tratativas, pois a FUP afirma que não existe justificativa para que a empresa tome decisões que afetam diretamente a rotina das equipes e a segurança operacional nas unidades. A federação reforçou sua disposição de negociar, mas exige que um acordo nacional seja formalizado e garanta segurança jurídica e operacional.
Outro ponto destacado pela federação é a importância da participação das comissões internas de prevenção de acidentes em todas as etapas das paradas de manutenção. Essas instâncias são consideradas fundamentais para avaliar riscos, identificar fragilidades e monitorar as condições de trabalho no processo.
Mobilização nacional e o contexto da campanha 2025 da categoria
As discussões sobre as paradas de manutenção e o regime de trabalho estão inseridas em um cenário maior de negociações referente ao ACT 2025. A FUP e seus sindicatos vêm reforçando suas iniciativas de mobilização dos trabalhadores nas últimas semanas, principalmente após assembleias rejeitarem propostas apresentadas anteriormente pela Petrobras. Em vários estados e unidades, foram aprovados estado de greve e ações de acompanhamento permanente das negociações.
A entidade tem reiterado que sua plataforma de reivindicações envolve diversos temas estruturantes para a categoria, incluindo direitos previdenciários, reorganização do regime de trabalho, medidas de segurança e participação democrática dos trabalhadores nos processos de tomada de decisão. A discussão atual sobre as paradas de manutenção se soma a um conjunto mais amplo de reivindicações e por isso ganhou caráter estratégico para a federação.
Paradas de manutenção: por que o tema é decisivo para o futuro da categoria
O debate sobre as paradas de manutenção se tornou mais relevante nos últimos anos por diversos fatores. Em primeiro lugar, trata-se de uma atividade diretamente relacionada à segurança das operações nas unidades da Petrobras, envolvendo riscos elevados e necessidade de planejamento minucioso. Por isso, a FUP defende que as regras sobre jornadas, escalas e compensações sejam estabelecidas com critérios claros e negociados entre empresa e sindicatos.
Além disso, esse tipo de acordo influencia diretamente as condições de trabalho dos petroleiros e estabelece parâmetros que serão adotados em outras áreas. A federação considera que a tentativa de impor mudanças unilaterais pode representar um precedente perigoso, abrindo espaço para flexibilizações que afetem outros direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo dos anos.
Expectativas da FUP e próximos passos nas negociações com a Petrobras
A FUP mantém a expectativa de que a Petrobras apresente uma proposta formal para regulamentar de forma definitiva as paradas de manutenção, garantindo segurança operacional, previsibilidade e justiça no tratamento das atividades. A entidade defende a consolidação das 168 horas como base de referência e considera que as regras atuais devem ser aprimoradas, e não reduzidas.
A federação também pede que os trabalhadores das áreas administrativas e de turno recebam tratamento igualitário nas negociações e que a Petrobras fortaleça medidas de segurança operacional, gestão de SMS e participação das comissões internas de prevenção de acidentes. Para os representantes dos trabalhadores, esses pontos são essenciais para a preservação da integridade das operações e para o reconhecimento do esforço das equipes envolvidas nas paradas de manutenção.
Um debate que vai além das negociações coletivas
O impasse em torno das paradas de manutenção e do regime de trabalho assume importância que ultrapassa a fronteira sindical. Ele envolve temas estruturantes para o futuro da empresa e para a segurança operacional do setor. Enquanto as negociações prosseguem, permanece a expectativa de que a Petrobras formalize um acordo capaz de assegurar a proteção dos trabalhadores e a eficiência das operações.
Como resultado, as próximas decisões serão determinantes não apenas para os petroleiros, mas também para a forma como a indústria de energia administra seus processos críticos e trata sua força de trabalho. É um debate que continuará impactando diretamente as condições de trabalho, a segurança das operações e a relação da empresa com seus trabalhadores nos próximos anos.
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