Proposta de aumento da mistura de etanol na gasolina reacende debate sobre preços, autossuficiência e impacto no mercado de combustíveis no Brasil.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu elevar para 35% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina.
A proposta foi apresentada na abertura da 25ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol, realizada em São Paulo, e mira reduzir o preço final nas bombas e ampliar a segurança energética do país.
Aumento recente aprovado pelo CNPE
A fala ocorre poucos meses após o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovar o aumento do teor de etanol na gasolina, de 27% para 30%, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025.
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Na mesma deliberação, o colegiado também autorizou a elevação da mistura de biodiesel no diesel de 14% para 15%.
Segundo o governo, a mudança contribui para estabilizar o mercado diante das incertezas geopolíticas e, ao mesmo tempo, diminuir a dependência de derivados importados.
Durante o evento, Motta vinculou a ampliação para 35% à trajetória de longo prazo do setor sucroenergético.
Em discurso indireto, afirmou que o Brasil dispõe de base tecnológica e oferta crescente de etanol, condições que, somadas, permitem discutir um novo patamar de mistura, acima do E30 em vigor.
Ele também ressaltou que a política de biocombustíveis tem efeitos econômicos e ambientais e que o Legislativo acompanha o tema para garantir previsibilidade regulatória.
Projeções de redução no preço e autossuficiência
O Ministério de Minas e Energia (MME) já havia estimado, quando do avanço ao E30, uma queda potencial de até R$ 0,11 por litro no preço da gasolina, considerando o diferencial tributário e o custo do etanol frente ao combustível fóssil.
À época, o secretário de Petróleo e Gás, Pietro Mendes, acrescentou que a elevação do teor abre espaço para autossuficiência em gasolina, ao reduzir a necessidade de importação e ampliar o uso de um insumo produzido domesticamente.
Além do impacto direto no bolso do consumidor, a elevação do teor de etanol é apresentada como instrumento de blindagem contra choques internacionais.
A persistente tensão no Oriente Médio, com riscos no Estreito de Ormuz, onde trafega cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, mantém o mercado atento a possíveis interrupções logísticas e a oscilações de preços do barril.
Nesse cenário, cada ponto percentual a mais de biocombustível na mistura tende a aliviar a exposição do Brasil a variações súbitas nas cotações internacionais.
Evolução gradual das misturas e cronograma do diesel
Ainda que a agenda tenha avançado, o governo calibrou o cronograma do diesel de acordo com a conjuntura.
Em fevereiro, o CNPE manteve temporariamente o B14; em junho, confirmou a adoção do B15 a partir de agosto.
A evolução gradual, de acordo com técnicos do setor, permite adaptação da cadeia, verificação de desempenho em frotas e acompanhamento de eventuais efeitos sobre custos logísticos e disponibilidade de matéria-prima.
No caso da gasolina, a adoção do E30 decorre de testes técnicos e de uma avaliação de oferta.
A produção nacional de etanol de cana e o avanço do etanol de milho têm sustentado o abastecimento, com pico de safra no Centro-Sul e expansão de plantas no Centro-Oeste.
Além disso, a combinação de biocombustíveis com melhorias em eficiência veicular vem sendo apontada como via de descarbonização de curto prazo no transporte leve, em paralelo ao crescimento da mobilidade elétrica e híbrida.
Desafios técnicos e disponibilidade sustentável
A defesa do E35 recoloca no debate alguns pontos sensíveis.
Um deles é a disponibilidade sustentável de etanol ao longo do ano, considerando entressafras e variações climáticas.
Outro é a compatibilidade dos motores com teores maiores, mesmo em veículos projetados para operar com gasolina C e gasolina do tipo E.
Montadoras, usinas e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) costumam avaliar, em conjunto, parâmetros de desempenho, emissões, partida a frio, lubrificação e durabilidade para cada mudança de especificação.
Impactos tributários e variação regional de preços
Há, ainda, o componente tributário.
A diferença de carga entre etanol e gasolina influencia o repasse ao consumidor.
Quando o etanol mantém vantagem relativa, a maior participação dele na mistura tende a puxar o preço médio para baixo.
Por outro lado, alterações em ICMS, mudanças em alíquotas monofásicas ou variações de preço na usina podem reduzir essa vantagem.
Especialistas alertam que o efeito final depende de fatores como logística regional, competitividade do etanol hidratado nos postos e estratégias comerciais das distribuidoras.
Repercussão política e metas de longo prazo
No campo político, a sinalização do presidente da Câmara dá tração ao tema em ano de tramitação de projetos ligados ao Combustível do Futuro e a metas de redução de emissões.
Integrantes do Congresso e do Executivo têm defendido a construção de uma rota previsível de blends, com metas plurianuais e mecanismos de revisão baseados em evidências técnicas.
A intenção, segundo interlocutores do setor, é evitar idas e vindas que afetem investimentos em lavoura, industrialização, armazenagem e distribuição.
O setor sucroenergético recebeu a fala como um passo para manter o assunto na agenda.
Usinas e produtores destacam que a produtividade agrícola da cana e a eficiência industrial têm aumentado, o que amplia a oferta de anidro sem pressionar, de forma estrutural, o mercado de alimentos.
Além disso, o etanol de milho vem ganhando peso, diversificando a origem do insumo e diluindo riscos climáticos concentrados numa única cultura.
Regulação e qualidade do combustível

Em paralelo, a discussão sobre qualidade e padronização da gasolina permanece.
A ANP estabelece parâmetros para a gasolina C e para o etanol anidro, como octanagem, teores de água e contaminantes, a fim de garantir desempenho e proteção do motor.
Uma eventual migração para 35% exigiria nova rodada de ensaios, pareceres técnicos e consulta pública antes de qualquer decisão do CNPE, etapa considerada padrão no processo regulatório de combustíveis.
Mesmo com a perspectiva de queda de preços, o consumidor deve acompanhar os balanços regionais.
Em estados com forte produção e mistura local, o repasse é geralmente mais rápido.
Em áreas dependentes de transporte por longas distâncias, o ganho pode demorar mais a aparecer, por causa de custos logísticos e estoques já formados.
Além disso, a política de preços da Petrobras e as cotações internacionais seguem como variáveis relevantes para o valor final nas bombas.
Perspectivas para o mercado de combustíveis
Por ora, o que muda é o tamanho do debate.
Com o E30 em vigor desde agosto e o B15 autorizado, passa a ser crível discutir metas mais altas, desde que amparadas por capacidade de oferta, atestados técnicos e previsibilidade regulatória.
A proposta de Hugo Motta, ao mirar o E35, pressiona a agenda para a próxima rodada de avaliações, coloca o Parlamento como ator central e testa os limites de equilíbrio entre custo, segurança energética e emissões.
Até que ponto o aumento do teor de etanol pode se converter, de forma consistente, em combustível mais barato para o motorista no curto prazo?
O brasileiro tem que aprender a se unir e se defender em oposição à determinação como esta. Basta boicotar a gasolina e abastecer 100% com etanol, em 15 dias causa colapso nas refinarias que não teriam como estocar combustível. Aí apredem a ouvir a opinião dos consumidores antes de decidir por nós!
Extremamente ignorante chucro, ****, sem cultura, não tem conhecimento técnico,
Isso que dá colocar pessoas sem conhecimento técnico, isto e, ignorantes que não sabem nada….só falam mer..
Vai estudar seu chucro!!!