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Gazelas extintas foram soltas no deserto do Marrocos, andaram até 50 km em jornadas rastreadas por GPS e surpreenderam pesquisadores ao revelar como “escolhem” onde viver após explorar territórios abertos sem cercas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 24/01/2026 a las 15:43
Actualizado el 24/01/2026 a las 17:13
Gazelas-mhorr foram soltas no deserto do Marrocos e colares de GPS revelaram deslocamentos de até 50 km antes da escolha do território.
Gazelas-mhorr foram soltas no deserto do Marrocos e colares de GPS revelaram deslocamentos de até 50 km antes da escolha do território.
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Monitoramento por GPS revelou deslocamentos extensos após a soltura em área aberta do deserto marroquino, mostrando como gazelas-mhorr passaram por uma fase de exploração intensa antes de se estabelecerem em territórios específicos, em um projeto de conservação acompanhado por pesquisadores.

Um grupo de gazelas-mhorr passou a circular em áreas abertas do deserto no sul do Marrocos após um processo de reintrodução realizado sem cercas físicas.

O monitoramento científico mostrou que, depois da soltura, parte dos animais percorreu longas distâncias antes de se estabelecer em áreas específicas, com deslocamentos registrados de até 50 quilômetros.

Reintrodução em área aberta no sul do Marrocos

A reintrodução ocorreu na região de Safia, uma área desértica selecionada para o projeto por reunir condições ambientais compatíveis com a espécie e baixa interferência humana.

A iniciativa foi acompanhada por pesquisadores que utilizaram colares de telemetria em parte dos animais, permitindo o rastreamento contínuo dos movimentos, do uso do território e dos padrões de permanência ao longo do tempo.

Gazela-mhorr e o histórico de ameaça

A gazela-mhorr é uma subespécie da gazela-dama classificada como criticamente ameaçada.

Adaptada a ambientes áridos e semiáridos, ela historicamente ocupava amplas áreas do norte da África.

A redução progressiva da população ocorreu ao longo do século XX, associada principalmente à caça, à fragmentação do habitat e à expansão de atividades humanas em regiões antes pouco ocupadas.

Soltura monitorada com colares de GPS

Gazelas-mhorr foram soltas no deserto do Marrocos e colares de GPS revelaram deslocamentos de até 50 km antes da escolha do território.
Gazelas-mhorr foram soltas no deserto do Marrocos e colares de GPS revelaram deslocamentos de até 50 km antes da escolha do território.

O projeto em Safia envolveu a soltura de 24 indivíduos, todos oriundos de programas de manejo e conservação.

Sete deles foram equipados com colares de GPS, o que permitiu aos pesquisadores registrar com precisão os deslocamentos após a liberação.

O acompanhamento começou imediatamente após a soltura e se estendeu por meses, gerando um conjunto detalhado de dados espaciais.

Primeiros movimentos e fase de reconhecimento

Nos primeiros dias, os registros indicaram que as gazelas permaneceram próximas ao ponto de liberação, realizando deslocamentos curtos e mantendo coesão entre os indivíduos.

Esse padrão inicial foi observado de forma consistente nos dados de telemetria, com movimentos concentrados em uma área reduzida, característica comum em processos de reintrodução monitorados.

Explorações de até 50 quilômetros no deserto

Com o avanço do acompanhamento, os dados passaram a mostrar mudanças claras no comportamento espacial.

Parte dos animais iniciou explorações mais amplas, afastando-se gradualmente do ponto inicial.

Esses deslocamentos se intensificaram em determinadas fases, resultando em trajetos que alcançaram até cerca de 50 quilômetros.

As rotas registradas indicaram movimentos direcionados, com idas e retornos, e não simples dispersões aleatórias.

Escolha de áreas de permanência

A análise dos trajetos revelou que, após esse período de exploração, as gazelas reduziram o raio de deslocamento e passaram a utilizar áreas específicas com maior frequência.

O padrão registrado nos colares mostrou maior permanência em determinados setores do território, com repetição de trajetos e uso regular dos mesmos espaços, indicando a consolidação de áreas de vida.

Importância da telemetria no acompanhamento

Gazelas-mhorr foram soltas no deserto do Marrocos e colares de GPS revelaram deslocamentos de até 50 km antes da escolha do território.
Gazelas-mhorr foram soltas no deserto do Marrocos e colares de GPS revelaram deslocamentos de até 50 km antes da escolha do território.

O uso da telemetria foi essencial para documentar essas etapas.

Em um ambiente desértico extenso e de difícil acesso, grande parte desses movimentos não poderia ser observada diretamente pelas equipes em solo.

Os dados permitiram registrar não apenas a distância percorrida, mas também a duração das explorações, a velocidade de deslocamento e a frequência de retorno a áreas específicas.

Diferença em relação a projetos anteriores

O estudo que analisou a reintrodução destacou que a experiência em Safia diferiu de iniciativas anteriores por ter ocorrido em ambiente aberto, sem delimitação por cercas.

Em outros projetos envolvendo a gazela-dama, a soltura foi realizada majoritariamente em reservas cercadas, o que restringia a análise do comportamento espacial em condições mais próximas das naturais.

Critérios ambientais para escolha da área

A escolha da área levou em consideração fatores ambientais como disponibilidade de vegetação, características do relevo e histórico de presença de grandes herbívoros.

Esses critérios foram apontados como relevantes para reduzir riscos iniciais e favorecer a adaptação dos animais após a liberação.

Video de YouTube

Comportamento social após a soltura

Outro aspecto registrado foi a manutenção do comportamento social.

Mesmo durante deslocamentos mais longos, os dados indicaram que as gazelas mantiveram padrões de agrupamento, evitando dispersão excessiva.

A coesão social observada é um fator associado à sobrevivência e à reprodução da subespécie em ambientes abertos.

Uso dos dados para conservação

A reintrodução em Safia passou a ser citada em análises científicas como um exemplo de aplicação de tecnologia de rastreamento para compreender etapas iniciais da adaptação de espécies ameaçadas.

O acompanhamento detalhado permitiu observar como os animais utilizam o espaço disponível, quais áreas passam a frequentar com mais regularidade e como ocorre a transição entre exploração e permanência.

As informações obtidas com os colares também foram usadas para orientar decisões de manejo, como a avaliação de áreas prioritárias para proteção e a identificação de regiões mais utilizadas pelas gazelas após a soltura.

À medida que os dados eram analisados, o território deixou de ser interpretado apenas como uma área contínua e passou a ser descrito como um conjunto de espaços utilizados de forma diferenciada pelos animais.

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Paulo Pimentel
Paulo Pimentel
26/01/2026 14:11

Agora o governo teria que fazer uma campanha contra a caça desse ****. Porque não resolve nada preservar em ambientes adequados e depois os caçadores abaterem os animais!!!

AA BB
AA BB
24/01/2026 23:10

Se elas foram extintas, como foram soltas?

Christian
Christian
Em resposta a  AA BB
25/01/2026 02:48

Elas foram extintas localmente, ou seja, desapareceram por ação humana (por exemplo, caça, destruição do habitat etc) nessa região do Marrocos, mas ainda deviam existir em outros países próximos ou em zoológicos, de onde foram translocados para o Marrocos.

Darc Almeida
Darc Almeida
Em resposta a  Christian
25/01/2026 23:46

Então nao são extintas, estão ameaçadas, esse termo coreto.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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