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Gelo da Groenlândia pode estar “borbulhando” por baixo: estudo mostra placa de 2,5 km se movendo como rocha derretida e surpreende cientistas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 21/02/2026 às 17:06
Atualizado em 21/02/2026 às 17:08
Estudo aponta que o gelo da Groenlândia pode sofrer convecção térmica sob placa de 2,5 km, segundo modelagem publicada na The Cryosphere.
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Modelagem com placa de 2,5 quilômetros indica que o gelo da Groenlândia pode sofrer convecção térmica causada pelo calor interno da Terra, formando plumas que distorcem camadas detectadas por radar e alteram a compreensão sobre sua dinâmica profunda

Cientistas afirmam que o gelo da Groenlândia pode estar se movendo como rocha derretida, após modelos computacionais indicarem convecção térmica sob uma placa de 2,5 quilômetros de espessura, em fenômeno associado ao calor interno da Terra e descrito na revista The Cryosphere.

Gelo da Groenlândia pode sofrer convecção térmica sob aquecimento basal

O gelo da Groenlândia, que cobre 80% da ilha, é um dos maiores reservatórios de água congelada do planeta e deve desempenhar papel importante na elevação do nível do mar à medida que derrete no oceano.

Imagens de radar obtidas nas profundezas da camada revelaram estruturas semelhantes a plumas que distorcem camadas formadas ao longo de eras. Essas formações onduladas foram descritas em artigo de 2014 como grandes elevações sem relação com a topografia do leito rochoso.

Mais de uma década após a descoberta, pesquisadores apontam que as plumas correspondem à convecção térmica, processo de transporte ascendente de calor geralmente associado à rocha derretida sob a crosta terrestre.

Segundo o glaciologista Robert Law, da Universidade de Bergen, o gelo é pelo menos um milhão de vezes mais macio que o manto da Terra, mas a física permite que a convecção térmica ocorra dentro da camada.

Modelagem computacional simulou placa de gelo com 2,5 quilômetros

Para testar a hipótese, Law e colegas construíram uma fatia digital simplificada do gelo da Groenlândia. A pergunta central foi se o aquecimento na base poderia gerar estruturas compatíveis com as detectadas pelo radar.

O grupo utilizou um pacote de modelagem geodinâmica empregado na simulação da convecção no manto terrestre para modelar uma placa com 2,5 quilômetros de espessura, equivalente a 1,6 milhas.

Os pesquisadores ajustaram variáveis como taxa de queda de neve, espessura, maciez e velocidade do gelo na superfície. Em condições adequadas, o modelo produziu elevações semelhantes a plumas, com colunas ascendentes dobrando camadas superiores.

As formas geradas eram surpreendentemente similares às imagens de radar registradas no norte da Groenlândia, onde o gelo da Groenlândia apresentou as estruturas inicialmente descritas.

Formação das plumas depende de gelo mais quente e macio na base

No modelo, as plumas só se formaram quando o gelo próximo à base estava mais quente e significativamente mais macio que as suposições padrão permitem.

Isso sugere que, se a convecção térmica for responsável pelas estruturas, o gelo real na base da camada no norte pode ser mais macio do que se pensava anteriormente.

O calor necessário para gerar as correntes ascendentes era consistente com o fluxo contínuo proveniente da Terra, resultado do decaimento radioativo na crosta e do calor residual da formação do planeta.

Embora minúsculo, esse efeito pode se acumular ao longo do tempo sob uma enorme camada isolante, aquecendo e amolecendo o gelo acima.

O climatologista Andreas Born, também da Universidade de Bergen, comparou o processo a uma panela de macarrão fervendo, destacando a surpresa da descoberta.

Radar de penetração revelou camadas internas distorcidas

A compreensão do gelo da Groenlândia depende do uso de radares de penetração. As ondas de rádio atravessam o gelo e refletem de maneira distinta ao encontrar camadas internas formadas por neve compactada.

Cada camada possui características próprias, incluindo variações em níveis de acidez, poeira, cinzas e composição química. Essas diferenças permitem identificar distorções internas.

As estruturas onduladas observadas não estavam relacionadas ao relevo rochoso inferior, o que gerou um enigma que os cientistas tentam resolver desde 2014.

Estudos anteriores sugeriram mecanismos como congelamento da água de degelo na base ou migração de pontos escorregadios. A hipótese de convecção térmica não havia sido testada até a modelagem recente.

Implicações e necessidade de novas pesquisas

Os pesquisadores afirmam que o gelo da Groenlândia continua sólido, fluindo apenas em escalas de tempo de milhares de anos. O fenômeno não implica que o gelo esteja pastoso ou que derreterá mais rápido.

Mais pesquisas são necessárias para compreender os efeitos da convecção térmica na evolução da camada e suas implicações futuras.

Law afirmou que a Groenlândia possui natureza especial e que sua camada de gelo tem mais de mil anos, sendo a única do planeta com cultura e população permanente em suas margens.

Segundo ele, compreender os processos ocultos dentro do gelo da Groenlândia é essencial para preparar-se para mudanças que atingirão o litoral global. A pesquisa foi publicada na revista The Cryosphere.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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