1. Inicio
  2. / Economia
  3. / Governo admite rombo gigante e corre para achar R$ 30 bilhões em 2026 com nova cobrança sobre bets, fintechs, criptoativos e corte de benefícios enquanto promete manter isenção do IR até R$ 5 mil
Tiempo de lectura 5 min de lectura Comentarios 0 comentarios

Governo admite rombo gigante e corre para achar R$ 30 bilhões em 2026 com nova cobrança sobre bets, fintechs, criptoativos e corte de benefícios enquanto promete manter isenção do IR até R$ 5 mil

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 26/11/2025 a las 15:11
Actualizado el 26/11/2025 a las 15:12
Com rombo gigante nas contas de 2026, governo mira bets, fintechs e criptoativos, corta benefícios e promete manter a isenção do IR até R$ 5 mil mensais.
Com rombo gigante nas contas de 2026, governo mira bets, fintechs e criptoativos, corta benefícios e promete manter a isenção do IR até R$ 5 mil mensais.
  • Reação
3 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Com o rombo gigante de 2026 ainda aberto, a Fazenda corre para levantar R$ 30 bilhões elevando impostos sobre bets, fintechs e criptoativos, reduzindo benefícios fiscais e prometendo manter a nova isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil mensais para trabalhadores formais, aposentados e pequenos empreendedores no país.

O governo federal admitiu que ainda precisa fechar uma conta pesada em 2026: faltam R$ 30 bilhões para cumprir a meta de resultado fiscal e entregar superávit no próximo ano. Para tapar esse rombo gigante sem recuar da promessa de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, a estratégia é clara: recalibrar impostos sobre o topo da pirâmide, apertar benefícios tributários e mirar setores que cresceram rápido, como bets, fintechs e criptoativos.

Na prática, o Ministério da Fazenda joga em duas frentes ao mesmo tempo. De um lado, aposta em projetos já em tramitação no Congresso para elevar a arrecadação em áreas específicas e recuperar pontos de uma Medida Provisória que caducou. De outro, vende a ideia de que a nova tabela do IR é “fiscalmente neutra”, porque compensa a renúncia na base com mais cobrança sobre altas rendas e dividendos enviados ao exterior, tentando mostrar que o jogo não estoura a conta pública.

Onde está o rombo gigante de 2026

Segundo a própria equipe econômica, a conta ainda não fecha. Falta algo em torno de R$ 30 bilhões para que o orçamento de 2026 cumpra a meta de superávit definida pelo governo.

Parte desse buraco tem origem na combinação de despesas obrigatórias crescentes, pressões políticas por manutenção de benefícios e a opção de ampliar a faixa de isenção do IR para até R$ 5 mil sem recuar em outras frentes de gasto.

Em linguagem direta, o governo decidiu segurar o ganho dos contribuintes na base da pirâmide, mas precisa mostrar ao mercado onde vai buscar o dinheiro para compensar essa decisão.

É aí que o rombo gigante ganha contornos políticos: ou o Congresso aprova novas fontes de receita e corte de incentivos, ou o risco é empurrar o problema para revisões futuras de meta fiscal, algo que o Ministério da Fazenda tenta evitar depois de sucessivas discussões sobre credibilidade do arcabouço.

Aposta em bets, fintechs e criptoativos

Uma das pernas do plano é o projeto apresentado no Senado com base em pontos da antiga MP que perdeu a validade.

O texto, patrocinado pelo senador Renan Calheiros, retoma medidas para:

elevar a tributação sobre apostas online, as chamadas bets
• aumentar a carga sobre fintechs do setor financeiro
endurecer a taxação de juros sobre capital próprio (JCP)

Pelas contas da equipe econômica, esse pacote pode render algo em torno de R$ 10 bilhões em 2026, se for aprovado ainda este ano.

O governo também já avisou que pretende reenviar ao Congresso a proposta de taxação de criptoativos, que estava na mesma MP caducada, para fechar a equação em torno das novas fontes de receita.

Na prática, o recado é evidente: setores que cresceram rápido, com modelos de negócios digitais ou pouco regulados no passado recente, entram definitivamente no radar da arrecadação.

O argumento oficial é que esses segmentos já movimentam cifras relevantes, têm maior capacidade contributiva e não podem mais ficar na sombra do sistema tributário tradicional.

Corte de benefícios e disputa no Congresso

A outra metade do plano mira diretamente nos benefícios tributários concedidos a setores específicos.

O governo diz contar com a aprovação do projeto relatado pelo deputado José Guimarães, que reduz incentivos e vantagens fiscais hoje distribuídos a diferentes cadeias produtivas.

A expectativa da equipe econômica é que essa poda de benefícios some cerca de R$ 20 bilhões em arrecadação adicional.

Somados aos R$ 10 bilhões vindos de bets, fintechs, criptoativos e JCP, o governo enxerga um caminho plausível para cobrir o rombo gigante de 2026, desde que o Congresso não trave a pauta.

Nos bastidores, porém, a conta política é bem mais dura.

Cada benefício cortado tem um setor organizado defendendo sua manutenção, lobby forte no Parlamento e argumentos de impacto em empregos, competitividade e investimentos regionais.

O governo precisa convencer a base aliada de que manter o rombo gigante é mais arriscado para a economia do que revisar tratamentos tributários especiais que se acumularam ao longo dos anos.

Quem ganha e quem paga com a nova tabela do IR

Em paralelo ao esforço para encontrar R$ 30 bilhões, o governo sancionou a lei que zera o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e reduz a carga para quem recebe até R$ 7,35 mil.

De acordo com os cálculos oficiais, a perda de arrecadação com essas mudanças chega a R$ 28,04 bilhões em 2026.

Do outro lado da balança, o governo projeta um ganho de R$ 23,76 bilhões ao aumentar a tributação sobre quem ganha acima de R$ 50 mil por mês, e mais R$ 6,18 bilhões com a cobrança de impostos sobre dividendos enviados ao exterior.

No papel, o saldo é positivo em cerca de R$ 1,9 bilhão, o que permite ao governo dizer que a medida é “fiscalmente neutra” e ainda abre uma pequena margem para compensar estados ou reduzir, no futuro, a alíquota da nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Na prática, porém, o desenho deixa claro que alguém está pagando a conta da generosa faixa de isenção.

Alta renda, lucros remetidos para fora do país, bets, fintechs e criptoativos passam a ser o alvo prioritário, enquanto o discurso político se concentra na defesa do alívio para a base da pirâmide.

Riscos se o Congresso não entregar tudo

Por trás das declarações técnicas, a equipe econômica sabe que o plano tem um ponto frágil: quase tudo depende de votação no Congresso até o fim de 2025.

Sem aprovação dos projetos centrais, o rombo gigante não desaparece.

Se as medidas de aumento de arrecadação forem desidratadas ou atrasarem, o governo terá de fazer uma escolha difícil: ou revisa a meta de superávit de 2026, ou discute novos cortes de despesas e benefícios, reacendendo embates com setores econômicos e com o próprio Legislativo.

Por enquanto, o discurso oficial é de confiança na negociação política e de compromisso em manter a isenção do IR até R$ 5 mil, mesmo com o desafio de encontrar os R$ 30 bilhões que ainda faltam.

Mas o resultado final vai depender menos das planilhas da Fazenda e mais da matemática de votos no plenário.

Na sua opinião, o governo está dividindo esse rombo gigante de forma justa ou alguém ficou de fora da conta e vai acabar pagando mais do que deveria?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Etiquetas
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x