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Governo brasileiro corre para assinar em 20 de dezembro o acordo Mercosul–União Europeia, que cria a maior zona de livre comércio do mundo e levanta alerta sobre o que o Brasil pode perder nesse jogo gigante

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 25/11/2025 a las 09:13
Governo brasileiro corre para assinar o acordo Mercosul–União Europeia na cúpula do Mercosul, criar a maior zona de livre comércio do mundo e redefinir o comércio internacional.
Governo brasileiro corre para assinar o acordo Mercosul–União Europeia na cúpula do Mercosul, criar a maior zona de livre comércio do mundo e redefinir o comércio internacional.
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Às vésperas da cúpula em Foz do Iguaçu, o governo acelera o acordo Mercosul–União Europeia, vende a promessa de maior zona de livre comércio do mundo e enfrenta críticas sobre competitividade, meio ambiente, soberania regulatória e quanto o Brasil pode perder nesse tabuleiro geopolítico sensível ao setor industrial e agrícola

No discurso feito em Joanesburgo, na África do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cravou uma data e um palco para tentar virar a página de 25 anos de negociação: 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu, com o Brasil na presidência do Mercosul, como momento simbólico para assinar o acordo Mercosul–União Europeia. A promessa é destravar um projeto que conecta dois blocos responsáveis por cerca de 722 milhões de habitantes e um PIB somado de aproximadamente 22 trilhões, nas palavras do próprio governo, apresentado como possivelmente o maior acordo comercial do planeta.

Ao mesmo tempo em que vende a assinatura do acordo Mercosul–União Europeia como passo histórico, o Planalto sabe que cada detalhe desse movimento será escrutinado por empresários, ruralistas, sindicatos e Congresso. A pressa do governo brasileiro para bater o martelo antes do fim do ano confronta um debate ainda em aberto sobre quem ganha, quem perde e quanto espaço de negociação o Brasil realmente tem nesse jogo gigante de livre comércio.

Corrida até 20 de dezembro e o cálculo político do governo

Governo brasileiro corre para assinar o acordo Mercosul–União Europeia na cúpula do Mercosul, criar a maior zona de livre comércio do mundo e redefinir o comércio internacional.

A data escolhida não é apenas um compromisso de agenda.

Vincular o acordo Mercosul–União Europeia à cúpula de líderes do bloco em Foz do Iguaçu cria um roteiro político claro: o Brasil tenta usar a presidência rotativa do Mercosul para entregar um resultado concreto, depois de um quarto de século de idas e vindas na mesa de negociação.

Lula já vinha defendendo publicamente, em fóruns como a Celac, que Mercosul e União Europeia dessem um “sim” definitivo ao comércio internacional nas suas cúpulas.

Ao reafirmar em Joanesburgo que pretende viajar apenas para Brasília ou Foz do Iguaçu até o fim do ano, o presidente sinaliza prioridade máxima à assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, tratando o ato como símbolo de protagonismo externo em um momento em que o país busca consolidar sua imagem de interlocutor global.

O que está em jogo no acordo Mercosul–União Europeia

Governo brasileiro corre para assinar o acordo Mercosul–União Europeia na cúpula do Mercosul, criar a maior zona de livre comércio do mundo e redefinir o comércio internacional.

Depois de 25 anos de negociação, os blocos concluíram em dezembro do ano passado o texto principal do acordo Mercosul–União Europeia, que ainda precisa passar por duas etapas decisivas: a assinatura formal e a aprovação pelos Legislativos nacionais e pelo Parlamento Europeu.

Ou seja, o anúncio de 20 de dezembro é mais um gatilho político e menos o ponto final da história, já que cada país terá seu próprio debate interno sobre ratificar ou não o pacto.

Do lado europeu, a Comissão apresentou o acordo de livre comércio e abriu o processo para que o Parlamento e os estados-membros avaliem a adesão.

Do lado do Mercosul, os governos precisam igualmente submeter o texto aos respectivos Congressos.

Nesse desenho, a assinatura defendida por Lula não encerra o processo, mas inaugura uma fase em que cada cláusula do acordo Mercosul–União Europeia será usada como munição por grupos a favor e contra a abertura comercial em larga escala.

A maior zona de livre comércio do mundo e o lugar do Brasil nela

Ao descrever o pacto, Lula sublinha um dado que ajuda a dimensionar a ambição do projeto: o acordo Mercosul–União Europeia criaria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, conectando centenas de milhões de consumidores e trilhões em PIB.

Na retórica oficial, trata-se de uma oportunidade para ampliar exportações, diversificar mercados e posicionar o país em cadeias mais sofisticadas de valor.

Na prática, isso significa abrir portas para produtos brasileiros em um mercado europeu com alto poder de consumo, ao mesmo tempo em que se aumenta a concorrência interna com bens vindos da União Europeia.

O Brasil se compromete a jogar em um campo muito maior, com regras mais exigentes, e a pergunta central é se consegue transformar o acordo Mercosul–União Europeia em plataforma de upgrade produtivo ou se corre o risco de aprofundar dependências já existentes.

De um lado, exportadores animados; de outro, setores temendo pressão extra

O governo comunica o acordo Mercosul–União Europeia como uma vitrine para reforçar a presença de exportadores do agronegócio, de bens industriais e de serviços, apostando em ganhos de escala e previsibilidade regulatória.

Para esses grupos, a perspectiva de acesso mais amplo e estável ao mercado europeu é vista como chance de consolidar contratos de longo prazo.

Do outro lado, críticos alertam para o risco de o Brasil aceitar compromissos que limitem o espaço de políticas industriais, fragilizem setores menos competitivos ou imponham padrões regulatórios difíceis de cumprir no curto prazo, especialmente em temas ambientais e de rastreabilidade.

A dúvida que paira é se a pressa em carimbar a assinatura do acordo Mercosul–União Europeia não reduz a margem para ajustes finos que protejam segmentos mais vulneráveis da economia brasileira.

Milei, ausências e ruídos dentro do próprio Mercosul

A equação política não envolve apenas Brasília e Bruxelas.

A própria coesão interna do Mercosul entra na conta ao se tentar cravar uma data para o acordo Mercosul–União Europeia.

Até a fala de Lula, o presidente da Argentina, Javier Milei, ainda não havia confirmado presença na cúpula de Foz do Iguaçu, depois de ter dito que o grupo prejudicava a maioria dos cidadãos.

Esse tipo de ruído expõe uma fragilidade: o Brasil corre para assinar o acordo Mercosul–União Europeia enquanto alguns parceiros regionais ainda enviam sinais contraditórios sobre o valor estratégico do bloco.

Se a adesão não avançar de forma minimamente coordenada, cresce o risco de o processo emperrar nos Legislativos nacionais, aumentando o desgaste político sem entregar os benefícios prometidos ao setor produtivo.

Aprovação nos parlamentos e debate interno sobre o que o Brasil pode perder

Mesmo que Lula consiga o cenário ideal de foto em Foz do Iguaçu, com líderes dos dois blocos anunciando a assinatura, o roteiro passa obrigatoriamente por uma etapa longa e complexa: a aprovação do acordo Mercosul–União Europeia nos parlamentos, começando pelo Congresso brasileiro.

É nesse estágio que o discurso de “maior acordo comercial do mundo” será confrontado com os anexos, reservas e cronogramas de abertura de mercado.

Parlamentares alinhados ao governo tendem a defender o pacto como instrumento de modernização e inserção competitiva.

Já a oposição e setores mais cautelosos prometem mirar nas potenciais perdas para determinadas cadeias produtivas e em pontos sensíveis de soberania regulatória.

A pergunta implícita em cada voto será quanto o Brasil está disposto a abrir mão hoje, em tarifas e regras, para tentar colher ganhos de comércio e investimento em um horizonte mais longo.

Oportunidade histórica ou risco calculado demais?

Visto de longe, o acordo Mercosul–União Europeia parece uma vitrine perfeita para mostrar um Brasil sentado à mesa dos grandes acordos globais, falando de livre comércio, clima, investimentos e cadeias de valor.

Olhando de perto, o quadro é mais complexo, com disputas internas, resistências de parceiros, exigências ambientais e o desafio de explicar à sociedade quem ganha o que, em qual prazo e a que custo.

Se o governo conseguir combinar transparência nas cláusulas, proteção a setores mais vulneráveis e estratégia clara para usar o acordo como alavanca de competitividade, pode transformar 20 de dezembro em marco positivo para a política externa e econômica.

Se falhar nesse equilíbrio, a pressa em assinar o acordo Mercosul–União Europeia pode ser lembrada menos como virada histórica e mais como um risco calculado demais em um tabuleiro que ainda não estava pronto.

E você, acha que o Brasil deve priorizar fechar o acordo Mercosul–União Europeia agora ou segurar mais a caneta para renegociar pontos sensíveis antes de assinar?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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