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Governo gastou bilhões, mas grandes obras viraram estruturas fantasmas, com corredores vazios e obras caras sem uso efetivo no Nepal

Publicado el 17/02/2026 a las 08:53
Actualizado el 17/02/2026 a las 08:59
Obras, Bilhões, Investimentos, Nepal
Imagem: Ilustração
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Obras públicas erguidas com altos custos prometiam desenvolvimento regional, turismo e eventos internacionais, mas enfrentam baixa demanda, problemas técnicos, receitas insuficientes e desafios de manutenção, transformando infraestrutura em espaços ociosos

A sucessão de obras públicas na província de Lumbini expõe um contraste incômodo entre investimento e utilização. Centros de convenções, estádios e complexos planejados como símbolos de desenvolvimento foram erguidos com cifras bilionárias, mas hoje operam abaixo do esperado ou permanecem praticamente fechados. Os dados revelam gastos elevados, receitas modestas e dificuldades crescentes de manutenção.

Centro de Conferências de Butwal: alto custo, baixa demanda

A ideia de construir um grande centro de conferências em Butwal ganhou força após a convenção geral de 2009 do CPN-UML, marcada por uma tempestade que destruiu estruturas temporárias.

No ano fiscal de 2009/10, foram alocados 10 milhões de rúpias para um estudo detalhado. Com cerca de 6,3 hectares cedidos em Ramnagar, bairro nº 10, a pedra fundamental foi lançada em 29 de janeiro de 2015.

Após oito anos de construção, o Centro Internacional de Conferências de Butwal foi inaugurado em 27 de agosto de 2022.

O custo total chegou a 1,11 bilhão de rúpias. A estrutura inclui um salão principal para 1.000 pessoas e 12 salas menores. O valor do aluguel do salão principal foi fixado em 176.000 rúpias por dia.

Apesar da escala e do investimento, o centro permanece sem uso regular. Conferências de grande porte são raras em Butwal. Dharmendra Panthi, chefe do escritório de gestão, resume o cenário: pode haver, no máximo, dois ou quatro programas por mês.

Fora isso, quase não há nada. Antes mesmo de atingir pleno funcionamento, o edifício já apresenta sinais de necessidade de manutenção.

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Lumbini: salão moderno, portas quase sempre fechadas

Situação semelhante ocorre em Lumbini. Após o colapso de uma tenda durante celebrações em 21 de maio de 2016, foi anunciada a construção de um salão permanente.

No ano fiscal de 2017/18, o governo destinou orçamento para o Centro Internacional de Meditação Budista e Centro de Convenções de Lumbini.

O custo inicial estimado era de 330 milhões de rúpias, mas as despesas subiram para quase 700 milhões de rúpias até a conclusão.

O complexo foi inaugurado em maio de 2022. O salão, com área de 8.300 metros quadrados e capacidade para 5.000 pessoas, tem aluguel diário de 150.000 rúpias.

Na prática, a utilização é limitada. Com exceção das celebrações anuais do Buddha Jayanti e poucos eventos, o espaço permanece fechado na maior parte do tempo.

Grandes encontros continuam sendo realizados em áreas abertas e mosteiros. Além disso, embora declarado à prova de som, o salão apresenta ecos que comprometem a clareza dos discursos.

Em 27 de abril deste ano, durante um festival cultural, foi mencionada a necessidade de painéis de absorção acústica, mesmo que isso represente mais 30 a 40 milhões de rúpias em despesas.

Obra do Estádio Nepalgunj: infraestrutura cara, receita insuficiente

O Estádio Nepalgunj ocupa 4,74 hectares e foi modernizado para os Oitavos Jogos Nacionais em 2019. As intervenções elevaram os gastos para cerca de 1,5 bilhão de rúpias.

Foram construídas diversas instalações esportivas, incluindo campo de futebol, piscina, academia de levantamento de peso e estande de tiro.

Atualmente, grande parte dessas estruturas está sem uso. O parapeito, com capacidade para 4.000 espectadores, aguarda competições de maior porte há sete anos.

Segundo Mahesh Chand, chefe do escritório do estádio, apenas torneios de pequena escala ocorrem no local.

A arrecadação anual gira em torno de 1,8 milhão de rúpias, proveniente de treinamentos e eventos escolares.

O valor é usado para salários e pequenas manutenções. As contas de luz variam de 30.000 a 40.000 rúpias, podendo chegar a 100.000 rúpias.

A falta de verbas impede reparos periódicos, e já há sinais de degradação em áreas como o campo de futebol e a pista de atletismo.

Padrão recorrente das obras: construção sem operação

Manikar Karki, pesquisador e analista, aponta a ausência de planejamento pós-obra como fator central. Não há análise consistente sobre sustentabilidade financeira, modelo operacional ou fontes de custeio.

Após a construção, pouco se discute sobre como operar as estruturas, quantos profissionais serão necessários ou como recuperar custos.

Especialistas alertam que equacionar desenvolvimento apenas com novas obras ignora despesas contínuas. Sem demanda suficiente, receitas adequadas e gestão clara, estruturas caras correm o risco de se tornar passivos públicos.

Em Lumbini, o cenário se repete: investimentos elevados, corredores vazios e edifícios que, apesar da imponência, seguem subutilizados.

Com informações de Nepalnews.

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Roberto Strazzabosco
Roberto Strazzabosco
17/02/2026 11:05

No Brasil é pior!!! Estradas, pontes, ferrovias, viadutos, obras de irrigação, entre outras, tudo abandonado, depois de bilhões de investimentos r0ubados!

Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

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