Debate sobre o F-35A ganha um novo peso com Gripen E, GlobalEye e foco na indústria aeroespacial canadense.
A Saab intensificou a pressão sobre o governo do Canadá ao apresentar um plano industrial que prevê a produção local do Gripen E e da aeronave de alerta aéreo antecipado GlobalEye, com potencial para sustentar mais de 12.600 empregos no país.
A proposta surge em meio à revisão do programa de aquisição do F-35A, conduzida em Ottawa, e recoloca no centro do debate temas como soberania industrial, resiliência da cadeia de suprimentos e fortalecimento da indústria aeroespacial canadense.
Gripen E e GlobalEye como alternativa estratégica ao F-35A
A oferta apresentada pela Saab vai além da simples substituição de uma plataforma militar.
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Ao colocar o Gripen E e o GlobalEye como um pacote integrado, a empresa sueca busca transformar a escolha do futuro caça canadense em uma decisão de longo prazo que combina defesa, economia e autonomia estratégica.
Segundo informações publicadas pelo jornal The Globe and Mail, o plano industrial prevê a montagem final e a integração de sistemas dessas aeronaves em solo canadense.
O modelo teria como base uma parceria ampliada com a Bombardier, que já fornece a aeronave-base utilizada no GlobalEye.
Indústria aeroespacial canadense no centro da proposta
De acordo com a Saab, a produção local permitiria ao Canadá desenvolver competências avançadas em engenharia, integração de sensores, manutenção, treinamento e suporte ao ciclo de vida das aeronaves.
Esse conjunto de atividades, segundo a empresa, fortaleceria a indústria aeroespacial canadense e reduziria a dependência de fornecedores estrangeiros.
Além disso, a fabricante defende que a transferência de tecnologia associada ao Gripen E daria maior autonomia ao operador sobre atualizações de software, logística e modernizações futuras, um ponto considerado sensível em programas altamente centralizados como o do F-35A.
Governo canadense confirma análise da proposta sueca
A ministra da Indústria do Canadá, Mélanie Joly, confirmou publicamente que o governo está avaliando a proposta.
Segundo ela, a iniciativa se insere no fortalecimento das relações industriais e de defesa entre Canadá e Suécia, formalizadas no início de 2025.
Em declarações à imprensa, Joly destacou que a cooperação já existente com a Bombardier no programa GlobalEye demonstra a viabilidade de expandir esse modelo para outras áreas estratégicas, alinhando defesa nacional e desenvolvimento econômico.
GlobalEye e vigilância aérea ganham protagonismo
O GlobalEye ocupa papel central na estratégia da Saab.
Atualmente, a Bombardier fornece a aeronave-base, enquanto a Saab integra, na Suécia, o radar Erieye de alcance estendido e os sistemas de missão.
No pacote apresentado a Ottawa, a empresa defende que parte relevante desse trabalho possa ser transferida ao Canadá.
Com isso, o país poderia se tornar um polo de referência em aeronaves de vigilância aérea e comando e controle.
F-35A segue forte, mas custos elevam o debate
Dados divulgados pela Radio-Canada indicam que o F-35A obteve pontuação superior ao Gripen E na avaliação do programa Future Fighter Capability Project.
Ainda assim, o debate ganhou força após o primeiro-ministro Mark Carney determinar uma revisão do programa pouco depois de assumir o cargo.
Embora o Canadá mantenha contrato para a compra de 88 F-35A e tenha reafirmado a aquisição inicial de 16 aeronaves.
Relatórios oficiais apontam que o custo total do programa aumentou de forma significativa, pressionado por inflação, variações cambiais e investimentos adicionais em infraestrutura.
Experiência internacional reforça cautela
Esse movimento não é exclusivo do Canadá.
A Suíça, decidiu reduzir o número de F-35 a serem adquiridos após revisões indicarem risco de estouro do teto orçamentário aprovado em referendo nacional.
Analistas citam o caso suíço como um alerta sobre os riscos financeiros associados a grandes programas de defesa de quinta geração.
Decisão estratégica vai além do campo militar
Para Ottawa, a escolha final envolve um equilíbrio delicado. De um lado, o F-35A oferece interoperabilidade e capacidades avançadas.
De outro, propostas como a da Saab prometem maior retorno econômico, geração de empregos e fortalecimento da soberania industrial.
Assim, ao insistir no Gripen E e no GlobalEye como solução integrada, a Saab tenta reposicionar o debate e ampliar os critérios da decisão canadense.
O desfecho poderá redefinir não apenas a frota de combate do país, mas também o papel do Canadá na indústria aeroespacial global nas próximas décadas.

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