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Gripen E, GlobalEye e empregos: a disputa industrial que desafia o F-35A no Canadá

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 22/12/2025 às 10:13
Atualizado em 22/12/2025 às 10:14
Debate sobre o F-35A ganha um novo peso com Gripen E, GlobalEye e foco na indústria aeroespacial canadense.
Foto: IA
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Debate sobre o F-35A ganha um novo peso com Gripen E, GlobalEye e foco na indústria aeroespacial canadense.

Saab intensificou a pressão sobre o governo do Canadá ao apresentar um plano industrial que prevê a produção local do Gripen E e da aeronave de alerta aéreo antecipado GlobalEye, com potencial para sustentar mais de 12.600 empregos no país.

A proposta surge em meio à revisão do programa de aquisição do F-35A, conduzida em Ottawa, e recoloca no centro do debate temas como soberania industrial, resiliência da cadeia de suprimentos e fortalecimento da indústria aeroespacial canadense

Gripen E e GlobalEye como alternativa estratégica ao F-35A 

A oferta apresentada pela Saab vai além da simples substituição de uma plataforma militar.

Ao colocar o Gripen E e o GlobalEye como um pacote integrado, a empresa sueca busca transformar a escolha do futuro caça canadense em uma decisão de longo prazo que combina defesa, economia e autonomia estratégica. 

Segundo informações publicadas pelo jornal The Globe and Mail, o plano industrial prevê a montagem final e a integração de sistemas dessas aeronaves em solo canadense.

O modelo teria como base uma parceria ampliada com a Bombardier, que já fornece a aeronave-base utilizada no GlobalEye. 

Indústria aeroespacial canadense no centro da proposta 

De acordo com a Saab, a produção local permitiria ao Canadá desenvolver competências avançadas em engenharia, integração de sensores, manutenção, treinamento e suporte ao ciclo de vida das aeronaves.

Esse conjunto de atividades, segundo a empresa, fortaleceria a indústria aeroespacial canadense e reduziria a dependência de fornecedores estrangeiros. 

Além disso, a fabricante defende que a transferência de tecnologia associada ao Gripen E daria maior autonomia ao operador sobre atualizações de software, logística e modernizações futuras, um ponto considerado sensível em programas altamente centralizados como o do F-35A

Governo canadense confirma análise da proposta sueca 

A ministra da Indústria do Canadá, Mélanie Joly, confirmou publicamente que o governo está avaliando a proposta.

Segundo ela, a iniciativa se insere no fortalecimento das relações industriais e de defesa entre Canadá e Suécia, formalizadas no início de 2025. 

Em declarações à imprensa, Joly destacou que a cooperação já existente com a Bombardier no programa GlobalEye demonstra a viabilidade de expandir esse modelo para outras áreas estratégicas, alinhando defesa nacional e desenvolvimento econômico. 

GlobalEye e vigilância aérea ganham protagonismo 

GlobalEye ocupa papel central na estratégia da Saab.

Atualmente, a Bombardier fornece a aeronave-base, enquanto a Saab integra, na Suécia, o radar Erieye de alcance estendido e os sistemas de missão. 

No pacote apresentado a Ottawa, a empresa defende que parte relevante desse trabalho possa ser transferida ao Canadá.

Com isso, o país poderia se tornar um polo de referência em aeronaves de vigilância aérea e comando e controle. 

F-35A segue forte, mas custos elevam o debate 

Dados divulgados pela Radio-Canada indicam que o F-35A obteve pontuação superior ao Gripen E na avaliação do programa Future Fighter Capability Project. 

Ainda assim, o debate ganhou força após o primeiro-ministro Mark Carney determinar uma revisão do programa pouco depois de assumir o cargo.

Embora o Canadá mantenha contrato para a compra de 88 F-35A e tenha reafirmado a aquisição inicial de 16 aeronaves. 

Relatórios oficiais apontam que o custo total do programa aumentou de forma significativa, pressionado por inflação, variações cambiais e investimentos adicionais em infraestrutura. 

Experiência internacional reforça cautela 

Esse movimento não é exclusivo do Canadá.

Suíça, decidiu reduzir o número de F-35 a serem adquiridos após revisões indicarem risco de estouro do teto orçamentário aprovado em referendo nacional. 

Analistas citam o caso suíço como um alerta sobre os riscos financeiros associados a grandes programas de defesa de quinta geração. 

Decisão estratégica vai além do campo militar 

Para Ottawa, a escolha final envolve um equilíbrio delicado. De um lado, o F-35A oferece interoperabilidade e capacidades avançadas.

De outro, propostas como a da Saab prometem maior retorno econômico, geração de empregos e fortalecimento da soberania industrial. 

Assim, ao insistir no Gripen E e no GlobalEye como solução integrada, a Saab tenta reposicionar o debate e ampliar os critérios da decisão canadense.

O desfecho poderá redefinir não apenas a frota de combate do país, mas também o papel do Canadá na indústria aeroespacial global nas próximas décadas. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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