A guerra automotiva coloca BYD e montadoras em confronto direto enquanto Lula avalia o futuro das cotas de carros elétricos.
Uma disputa silenciosa, mas decisiva, movimenta Brasília e redefine o futuro do setor de veículos eletrificados no país. A chamada guerra automotiva opõe a recém-chegada BYD às montadoras tradicionais e coloca o presidente Lula no centro das decisões.
O embate ocorre agora, às vésperas de janeiro, quando o governo decidirá se renova ou não a cota que permite importar kits de carros híbridos e elétricos sem impostos.
Enquanto BYD e Rui Costa pressionam por uma extensão do benefício, marcas como Volkswagen, GM, Toyota, Stellantis e Renault atuam para derrubar a regra.
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A escolha importa porque determina como, onde e por que o Brasil vai avançar na transição energética e na produção local de veículos.
A BYD, que domina o mercado nacional de elétricos, busca garantir competitividade para sua nova fábrica em Camaçari (BA).
Já as montadoras instaladas há décadas no país afirmam que a continuidade das cotas desestimula investimentos industriais e prejudica quem produz localmente.
Assim, a guerra automotiva ganhou força justamente no momento em que o governo decide prioridades estratégicas para a indústria.
Guerra automotiva expõe divisão entre Rui Costa e equipe econômica
A disputa pela renovação das cotas tem dividido internamente o governo. De um lado, a BYD conta com o apoio do ministro Rui Costa, que vê a planta de Camaçari como ativo político e econômico crucial para a Bahia.
De outro, a área técnica do Mdic e da Fazenda, comandadas por Geraldo Alckmin e Fernando Haddad, resiste ao pedido.
Para esses órgãos, a renovação pode enfraquecer o plano Nova Indústria Brasil, que busca fortalecer a produção local de tecnologia automotiva.
A visão predominante é que benefícios prolongados poderiam desacelerar a industrialização do país, mesmo que a transição energética seja prioridade da equipe econômica.
Cota de importação: o centro da guerra automotiva
O ponto mais sensível da guerra automotiva é o limite atual de US$ 463 milhões em importações de veículos híbridos e elétricos no sistema SKD e CKD — modelos semidesmontados que chegam ao país para montagem final.
A BYD é a maior beneficiária do formato SKD, enquanto montadoras tradicionais afirmam que o regime favorece empresas que ainda não geram empregos na mesma escala das fábricas instaladas há décadas no Brasil.
Para renovar a regra, a decisão precisa passar pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), integrada por dez ministérios.
Na prática, porém, a palavra final é de Lula, que orienta o voto das pastas. Por isso, tanto a BYD quanto as montadoras direcionam esforços para influenciar o presidente.
Lula evita se posicionar diretamente, mas age nos bastidores
Em encontro recente com executivos da BYD, Lula ouviu o pedido pela extensão das cotas, mas evitou dar resposta. Disse apenas que os chineses teriam “as mesmas condições dadas às empresas instaladas no Brasil”.
Já diante da Anfavea e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Lula adotou postura mais alinhada às montadoras tradicionais.
Ao saber que a Colômbia não havia renovado um acordo automotivo que permitia exportar 50 mil carros por ano com alíquota reduzida, o presidente pressionou diretamente o chanceler Mauro Vieira.
A ameaça de não comparecer à cúpula da Celac levou Bogotá a restabelecer o tratado poucos dias antes da viagem.
Empresas tradicionais veem risco para empregos e investimentos
Nos bastidores, montadoras com longas operações no país afirmam que a guerra automotiva representa ameaça direta às cadeias produtivas.
Executivos relatam a ministros que, se a BYD mantiver o regime de isenção por mais tempo, a mensagem enviada às matrizes será de que compensa mais importar carros prontos do que expandir parques fabris.
BYD defende fase de transição e promessa de produção local
A montadora chinesa rebate dizendo que segue o mesmo caminho trilhado por empresas que chegaram ao Brasil décadas antes — primeiro importando kits, depois localizando etapas da produção.
A fabricante assinou compromisso com o governo baiano e a União para ampliar a fábrica e aumentar conteúdo local a partir de julho de 2026.
Executivos afirmam que, sem a cota, não faria sentido contratar mais 2 mil funcionários e criar novo turno, movimento que fortalece politicamente Rui Costa na Bahia.
Guerra automotiva também divide os sindicatos
O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari apoia a renovação da cota, destacando que a BYD já monta 350 veículos por turno e mantém cerca de 1.400 empregos.
“A meta é alcançar 500 veículos por turno”, afirma o presidente Julio Bonfim.
No ABC, porém, a visão é oposta. Para Moisés Selerges Júnior, da entidade local, incentivos devem gerar empregos qualificados e fortalecer fornecedores nacionais:
“Somos contra tratamentos que desequilibrem a concorrência. Se a BYD recebe isenções para importar peças que já existem no Brasil, as outras montadoras vão questionar por que investiram tanto para produzir aqui.”
Um desfecho que define o futuro dos elétricos no Brasil
A guerra automotiva ganhou força porque o país se tornou um dos mercados mais estratégicos para a BYD fora da China.
A empresa já responde por 87,5 mil veículos emplacados apenas entre janeiro e outubro e domina o segmento de elétricos, com 3,5% de participação no total de veículos leves.
O governo Lula, dividido entre política industrial, transição energética e interesses regionais, terá de arbitrar qual modelo de desenvolvimento deseja incentivar.
A decisão da Camex, guiada pelo presidente, será o capítulo mais decisivo dessa guerra automotiva que mexe com empregos.
Porque, as montadoras não brigam, para abaixar os impostos sobre elas, e conseguir ser mais competitiva e entregar produtos melhores, a briga é sempre em aumento de tributos, chega não dá mais.
Bom, baixar imposto seria o mais sensato.
Venderiam mais, mais pessoas comprariam.ganharia escala e aumentaria a arrecadação de impostos .
Detalhe é que isso não passa pelo.ministro Taxad
Montadoras que vendem carros lixos com bronca do sucesso da BYD