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Guerra dos delivery começa no Brasil com iFood, 99 Food e Keeta disputando cupons, taxas e bilhões em investimentos para dominar o mercado

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 12/12/2025 às 15:39
Atualizado em 12/12/2025 às 15:41
Guerra dos delivery no Brasil se intensifica com iFood, 99 Food e Keeta, bilhões em investimentos, cupons agressivos, queda de taxas e mudanças no mercado de restaurantes
Guerra dos delivery no Brasil se intensifica com iFood, 99 Food e Keeta, bilhões em investimentos, cupons agressivos, queda de taxas e mudanças no mercado de restaurantes
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Entrada agressiva do 99 Food e da Keeta reacende a concorrência no delivery brasileiro, pressiona taxas do iFood, amplia cupons, acelera investimentos bilionários e promete impactos diretos para consumidores, restaurantes e entregadores em todo o país

O mercado brasileiro de delivery atravessa uma fase de disputa intensa em 2024 e 2025, com liderança consolidada do iFood, retorno agressivo do 99 Food, reposicionamento do Rappi e chegada da chinesa Keeta, cenário que amplia concorrência, pressiona margens e gera impacto direto para consumidores, restaurantes e entregadores.

Liderança consolidada do iFood no delivery brasileiro

O iFood segue como líder absoluto do mercado de delivery no Brasil, concentrando a maior parcela do market share e reunindo milhões de consumidores, centenas de milhares de restaurantes e ampla base de entregadores em um único ecossistema digital.

A força da plataforma está no efeito de rede, que conecta oferta e demanda em escala, reduz tempo de entrega e cria uma comodidade difícil de ser replicada por concorrentes, especialmente em grandes centros urbanos.

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Expansão para além da comida pronta

Nos últimos anos, o iFood ampliou sua atuação para farmácias, mercados e outros segmentos, reforçando a proposta de superapp focado em conveniência, com múltiplos serviços acessíveis em um único aplicativo.

Essa diversificação aumentou o tempo de permanência do usuário na plataforma e fortaleceu o hábito de abrir automaticamente o aplicativo vermelho ao pensar em delivery, consolidando a dominância.

Origem e crescimento acelerado desde 2011

Fundado em São Paulo em 2011, inicialmente sob o nome Disk Cook, o iFood começou com cerca de 12.000 pedidos mensais, operando por guias impressos e telefone antes da popularização dos smartphones.

Em 2012, lançou site e aplicativo móvel e, em poucos anos, atingiu 1 milhão de pedidos por mês, impulsionado por investimentos e uma estratégia deliberada de crescimento acelerado.

Estratégia de queima de caixa e escala

O crescimento do iFood foi sustentado por anos de operação com margens reduzidas ou prejuízo, priorizando escala, base de usuários e capilaridade logística, modelo comum em plataformas digitais globais.

Essa estratégia permitiu à empresa ocupar rapidamente o mercado e dificultar a entrada de novos concorrentes com menor capacidade financeira.

Redução da concorrência após a pandemia

Antes da pandemia, o mercado brasileiro contava com maior equilíbrio entre iFood, Uber Eats e Rappi, além de promoções agressivas e maior poder de escolha ao consumidor.

A saída progressiva de concorrentes após 2020 reduziu a pressão competitiva, permitindo ao iFood elevar taxas e ajustar regras comerciais, o que gerou críticas frequentes de restaurantes parceiros.

Taxas elevadas e críticas dos restaurantes

Restaurantes relatam taxas que podem superar 20% do valor do pedido, especialmente nos planos que utilizam logística própria do iFood, além de custos adicionais com destaque e publicidade interna.

Para muitos estabelecimentos, o modelo é considerado oneroso, mas ainda visto como indispensável pela visibilidade e volume de pedidos gerados pela plataforma.

Saída do Uber Eats em 2022

Em 2022, o Uber Eats encerrou oficialmente suas operações no Brasil, citando foco em mercados mais rentáveis, apesar de manter forte presença em países como Estados Unidos, México e Japão.

A saída reduziu a concorrência direta e reforçou a posição dominante do iFood no segmento de refeições prontas, especialmente em capitais e regiões metropolitanas.

Reposicionamento do Rappi no mercado

O Rappi, que já teve maior relevância no delivery de comida, passou a concentrar esforços em outros tipos de entrega e serviços logísticos, diminuindo a disputa direta com o líder do setor.

A estratégia incluiu o fortalecimento de soluções de logística para terceiros, permitindo que restaurantes e plataformas utilizem sua estrutura de entregas.

Retorno agressivo do 99 Food ao Brasil

O 99 Food voltou ao mercado brasileiro em 2024, iniciando operação piloto em Goiânia e expandindo rapidamente para São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e outras capitais e regiões.

A empresa aproveita a base já existente do aplicativo de mobilidade 99, reduzindo fricção para o usuário, que não precisa baixar um novo app nem cadastrar novamente dados de pagamento.

Estratégia baseada em preço e incentivos

A ofensiva do 99 Food inclui preços agressivos, cupons frequentes, entrega gratuita e descontos que chegam a 50% no primeiro pedido, buscando quebrar o hábito consolidado do consumidor.

A estratégia mira acelerar a adoção, mesmo com operação inicial em prejuízo, prática comum em mercados dominados por grandes plataformas.

Benefícios para entregadores

Para atrair entregadores, o 99 Food anunciou bônus e garantia de ganhos mínimos diários mediante cumprimento de metas de corridas, incluindo pedidos de restaurantes.

A política busca assegurar disponibilidade de motoboys e reduzir tempos de espera, um dos principais desafios para novos entrantes no setor.

Condições diferenciadas para restaurantes

A plataforma também anunciou taxas reduzidas ou isenção temporária para restaurantes parceiros, em alguns casos por até dois anos, como forma de atrair estabelecimentos insatisfeitos com outros aplicativos.

Mesmo com debates sobre os detalhes dessas condições, comerciantes apontam custos significativamente inferiores aos praticados pelo líder de mercado.

Investimentos bilionários anunciados

A 99 Food anunciou investimentos de até R$ 2 bilhões até 2026, com parte relevante destinada à Grande São Paulo, buscando construir escala rapidamente e consolidar presença nacional.

O aporte reforça a disposição da empresa em sustentar prejuízos iniciais para conquistar market share em um setor altamente competitivo.

Chegada da chinesa Meituan ao Brasil

Outro movimento relevante foi a chegada da Meituan, maior empresa de delivery do mundo, que iniciou operação no Brasil sob a marca Keeta, anunciando investimento de US$ 5 bilhões em cinco anos.

Na China, a Meituan processa cerca de 100 milhões de pedidos diários e registra faturamento anual de aproximadamente US$ 30 bilhões, números muito superiores aos do mercado brasileiro.

Modelo além do delivery de comida

Diferentemente dos concorrentes locais, a Meituan opera como um super ecossistema, oferecendo desde comida até passagens aéreas, ingressos, reservas de hotel e eletrônicos.

A estratégia no Brasil começa focada em delivery, mas com expectativa de expansão para outros serviços conforme a estrutura logística se consolide.

Logística como principal diferencial

O principal trunfo da Meituan é a logística de alta velocidade, baseada em tecnologia, dados e parcerias locais, modelo descrito como delivery turbinado no vídeo do canal Gêmeos Investem.

As primeiras movimentações da empresa no país priorizaram reuniões com operadores logísticos, sinalizando foco estratégico nesse ponto crítico.

Outros players e nichos relevantes

Além dos grandes marketplaces, o Zé Delivery se consolidou como o segundo maior serviço de delivery do país ao focar exclusivamente na entrega de bebidas geladas, explorando um nicho específico.

A estratégia permitiu crescimento rápido sem competir diretamente com o delivery de refeições, reduzindo custos e aumentando eficiência logístca.

Impactos para consumidores e mercado

Para o consumidor, a intensificação da concorrência resulta em mais cupons, preços menores e maior variedade de opções, ao menos no curto prazo, com redução temporária das margens das plataformas.

Especialistas apontam que, no longo prazo, o mercado tende novamente à concentração, à medida que empresas avaliam sustentabilidade financeira e retorno sobre os investimentos realizados.

Cenário de transição e incerteza

A guerra atual do delivery no Brasil marca uma fase de transição, com disputas bilionárias, reposicionamento estratégico e redefinição do equilíbrio entre plataformas, restaurantes e usuários.

O desfecho dependerá da capacidade de cada empresa em sustentar prejuízos iniciais, construir logística eficiente e conquistar hábitos de consumo em um mercado já altamente consolidado.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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