Declaração do presidente americano indica possível desfecho do conflito iniciado em 28 de fevereiro, enquanto ataques militares, mortes e tensões regionais seguem marcando o cenário geopolítico
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (11) que a guerra contra o Irã pode terminar em breve. Segundo ele, as forças lideradas por Estados Unidos e Israel já destruíram grande parte dos alvos estratégicos do país persa, o que indicaria que o conflito estaria caminhando para uma fase final.
A informação foi divulgada pelo portal “Axios”, que publicou uma breve entrevista por telefone com o presidente americano. Durante a conversa, Trump declarou que restam poucos alvos relevantes para serem atacados e sugeriu que o desfecho da guerra pode ocorrer em um curto espaço de tempo.
“Poucos alvos… quando eu quiser que termine, terminará”, afirmou Trump ao portal. Em seguida, ele acrescentou que o conflito está avançando mais rapidamente do que o esperado pelas autoridades americanas.
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De acordo com o presidente, a operação militar conduzida pelos Estados Unidos e seus aliados estaria superando as expectativas iniciais. “A guerra está indo muito bem. Estamos muito à frente do cronograma. Causamos mais danos do que pensávamos ser possível, mesmo no período inicial de seis semanas”, declarou.
Como começou a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã
Para entender o atual cenário de tensão no Oriente Médio, é necessário voltar ao início do conflito. A guerra começou no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel atingiu a capital iraniana, Teerã, e resultou na morte do líder supremo do país, Ali Khamenei.
O episódio marcou uma escalada sem precedentes nas tensões regionais. Além do líder supremo, diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas durante as ofensivas militares realizadas pelos dois países.
Paralelamente, autoridades americanas afirmaram que os ataques também destruíram dezenas de navios iranianos, além de sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares estratégicos.
Consequentemente, o cenário geopolítico no Oriente Médio se tornou ainda mais instável. A ofensiva militar provocou reações imediatas do regime iraniano, conhecido como regime dos aiatolás, que passou a realizar ataques em diferentes regiões do Oriente Médio.
Retaliações iranianas ampliam o conflito no Oriente Médio
Em resposta às ofensivas lideradas pelos Estados Unidos e Israel, o Irã lançou ataques contra diversos países da região. Entre os alvos citados estão Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã.
Apesar da amplitude das operações militares, autoridades iranianas afirmaram que os ataques têm como objetivo atingir apenas interesses americanos e israelenses localizados nesses países.
Enquanto isso, o impacto humanitário da guerra cresce rapidamente. Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, organização com sede nos Estados Unidos, mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início do conflito.
Por outro lado, o governo americano também reconheceu perdas militares. De acordo com a Casa Branca, pelo menos sete soldados dos Estados Unidos morreram em ataques ligados diretamente às ações iranianas.
Além disso, o conflito se expandiu para outro ponto crítico da região. No Líbano, o grupo armado Hezbollah, aliado do Irã, realizou ataques contra o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei.
Como consequência, Israel passou a realizar ofensivas aéreas contra alvos que afirma estarem ligados ao Hezbollah no território libanês. Desde então, centenas de pessoas morreram no Líbano, ampliando ainda mais a dimensão da crise.
Novo líder do Irã gera tensão política e reação de Trump
Enquanto o conflito militar continua, o cenário político dentro do Irã também passa por mudanças importantes. Após a morte de Ali Khamenei, um conselho iraniano escolheu um novo líder supremo para comandar o país.
O escolhido foi Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder. A decisão gerou debate entre analistas e especialistas em política internacional.
De acordo com esses especialistas, a escolha indica continuidade do atual modelo político do país, sem mudanças estruturais significativas. Isso significa que a política interna e externa iraniana tende a manter a mesma linha adotada nos últimos anos.
Entretanto, a decisão não agradou ao presidente dos Estados Unidos. Donald Trump demonstrou descontentamento com a escolha, classificando a decisão como um “grande erro”.
Além disso, o presidente americano afirmou que deveria ter sido envolvido no processo político de escolha do novo líder. Trump também declarou que Mojtaba Khamenei seria “inaceitável” para a liderança do Irã, reforçando o clima de tensão diplomática entre os dois países.
Dessa forma, mesmo com a possibilidade de um fim próximo da guerra, o cenário geopolítico no Oriente Médio continua cercado de incertezas. Afinal, além dos combates militares, a disputa política e estratégica entre as potências envolvidas segue influenciando diretamente os rumos da região.
Fonte: CNN Brasil

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