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Como uma guerra a milhares de quilômetros do Brasil começou a bagunçar rotas marítimas globais, encarecer contêineres e colocar em risco até 40% das exportações brasileiras de carne bovina

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 04/03/2026 às 13:59
Atualizado em 04/03/2026 às 14:00
Trabalhadores carregam carne bovina em caminhões frigoríficos em porto durante cenário de conflito no Oriente Médio, com fumaça e explosões ao fundo.
Exportadores e trabalhadores carregam carne bovina em caminhões frigoríficos em meio a cenário de tensão e instabilidade logística causado pela guerra no Oriente Médio.
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Conflito na região pressiona logística global, eleva custos de transporte e acende alerta no setor exportador de proteína animal do Brasil

A escalada da guerra no Oriente Médio, observada nas últimas semanas de 2026, passou a preocupar o setor exportador de proteína animal do Brasil.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, o conflito pode comprometer entre 30% e 40% das exportações brasileiras de carne bovina.

Além disso, o risco surge da forte dependência logística da região para o transporte internacional da produção brasileira.

Embora o Oriente Médio responda por cerca de 10% do destino final das exportações brasileiras de carne bovina, uma parcela muito maior das cargas utiliza portos da região como rota intermediária.

Consequentemente, os embarques seguem depois para mercados estratégicos, como China e países do Sudeste Asiático.

Assim, qualquer interrupção nessas rotas marítimas pode atingir diretamente a cadeia exportadora brasileira de carne bovina.

Investigação logística revela vulnerabilidade nas rotas comerciais

Primeiramente, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) reforçou o alerta para o setor. De acordo com Roberto Perosa, a crise geopolítica criou uma vulnerabilidade relevante nas operações logísticas.

Isso acontece porque muitos embarques brasileiros utilizam portos do Oriente Médio como ponto de conexão para o comércio internacional. Assim, mesmo quando o destino final da carga não fica na região, o transporte marítimo depende dessas rotas.

Consequentemente, qualquer interrupção causada pela guerra pode provocar impactos diretos no fluxo global de exportações.

Dessa forma, o setor acompanha com atenção cada novo desdobramento do conflito.

Escassez de contêineres e taxa de guerra elevam custos do comércio exterior

Além disso, segundo Roberto Perosa, os efeitos da crise já aparecem nas operações logísticas. Primeiramente, operadores relatam escassez de contêineres disponíveis para transporte marítimo. Em seguida, empresas suspenderam temporariamente novas reservas de embarque para alguns destinos.

Além disso, quando o transporte aparece disponível, armadores cobram uma sobretaxa adicional. Essa cobrança, conhecida como “taxa de guerra”, pode chegar a até US$ 4 mil por contêiner.

Consequentemente, os custos logísticos das exportações brasileiras aumentam de forma significativa, pressionando as operações comerciais.

Impacto dependerá da duração da crise geopolítica

Por outro lado, o impacto total sobre o comércio exterior depende diretamente da duração da guerra no Oriente Médio. Se o impasse terminar rapidamente, os efeitos logísticos tendem a ser limitados. Nesse cenário, o transporte marítimo pode recuperar gradualmente sua normalidade.

Entretanto, se o conflito se prolongar por semanas, o fluxo logístico internacional pode sofrer interrupções mais intensas. Consequentemente, uma parcela relevante das exportações brasileiras poderá enfrentar dificuldades.

Atualmente, segundo dados citados por Roberto Perosa, o Brasil exporta entre 200 mil e 250 mil toneladas de carne bovina por mês.

Portanto, qualquer paralisação nas rotas marítimas pode atingir volumes expressivos da produção nacional.

Setor exportador pretende discutir medidas com o governo brasileiro

Diante desse cenário de instabilidade, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) pretende levar as preocupações do setor ao governo federal.

Assim, representantes da entidade devem discutir possíveis estratégias para reduzir os efeitos da crise geopolítica sobre o comércio exterior.

O objetivo será avaliar medidas capazes de minimizar os impactos logísticos provocados pela guerra.

Além disso, a iniciativa busca proteger o fluxo de exportações da carne bovina, uma das principais cadeias de proteína animal da economia brasileira.

Enquanto isso, o setor acompanha atentamente a evolução da guerra no Oriente Médio e seus reflexos sobre as rotas comerciais globais.

Diante desse cenário incerto, o Brasil conseguirá manter a estabilidade das exportações de carne bovina caso o conflito na região se prolongue por mais tempo?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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