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Motorista recebe R$ 131 milhões por engano do Bradesco, devolve tudo e agora cobra R$ 13 milhões na Justiça por ter sido tratado como criminoso

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 27/11/2025 a las 13:05
Motorista devolve R$ 131 milhões recebidos por engano do Bradesco e processa o banco pedindo recompensa e indenização por danos morais.
Motorista devolve R$ 131 milhões recebidos por engano do Bradesco e processa o banco pedindo recompensa e indenização por danos morais.
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Devolução milionária, pressão psicológica e disputa judicial movimentam o caso de um motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano do banco e hoje cobra indenização milionária.

Em junho de 2023, o motorista de turismo Antônio Pereira do Nascimento, morador de Palmas, viveu um episódio improvável ao abrir o aplicativo bancário e encontrar pouco mais de R$ 131,8 milhões creditados em sua conta.

O valor havia sido enviado por engano pelo Bradesco. A devolução ocorreu em poucas horas, por iniciativa do próprio cliente.

No entanto, segundo reportagem publicada pelo g1, o caso se desdobrou em desgaste psicológico, prejuízos financeiros e, posteriormente, em uma ação judicial na qual ele pede mais de R$ 13 milhões de recompensa e indenização.

Depósito milionário e erro bancário

O crédito inesperado foi percebido quando Antônio acessou a conta onde havia, até então, apenas R$ 227.

O montante de R$ 131.870.227,00 era destinado a outra instituição financeira, mas acabou vinculado ao CPF do motorista por falha interna do banco.

De acordo com apuração do g1, Antônio relatou que nunca tinha visto cifra semelhante e comentou que só teria contato com tamanha quantia se ganhasse na Mega-Sena.

A devolução aconteceu poucas horas depois, ainda no mesmo dia.

A defesa do motorista sustenta que o valor não pertencia a clientes ou empresas terceiras, mas ao próprio Bradesco, o que, na visão dos advogados, reforça a boa-fé de quem decidiu avisar e estornar o depósito assim que percebeu o erro.

Motorista devolve R$ 131 milhões recebidos por engano do Bradesco e processa o banco pedindo recompensa e indenização por danos morais.
Motorista devolve R$ 131 milhões recebidos por engano do Bradesco e processa o banco pedindo recompensa e indenização por danos morais.

O que diz a lei sobre valores recebidos por engano

A transferência equivocada foi atribuída a um erro operacional do sistema bancário.

O Bradesco informou apenas que não comenta processos em andamento, posição mantida desde que o caso voltou a repercutir no começo de 2025.

A legislação brasileira determina que qualquer pessoa que receba dinheiro por engano deve devolvê-lo.

Caso opte por usá-lo ou não restitua, corre o risco de responder por apropriação indébita na esfera penal e por enriquecimento ilícito na esfera cível.

Juristas ouvidos por veículos de imprensa explicam que a devolução, além de obrigatória, precisa ocorrer tão logo o correntista perceba a irregularidade.

No processo, os advogados de Antônio defendem que, ao comunicar o equívoco e colaborar com o estorno, ele cumpriu integralmente o que determina a lei.

A estratégia jurídica afirma que há respaldo no artigo 1.234 do Código Civil, que prevê recompensa a quem devolve “coisa alheia achada”, argumento utilizado para justificar a solicitação de 10% sobre o montante devolvido.

Pressão psicológica, tarifa elevada e repercussões relatadas

Embora o estorno tenha sido imediato, as consequências vieram depois.

Em entrevista concedida ao g1, Antônio disse ter sido submetido a forte pressão por parte do gerente da agência para agilizar a devolução, mesmo já tendo informado o erro.

Segundo relatou, o funcionário insinuou que representantes do banco poderiam ir até sua casa, o que o fez sentir-se tratado como suspeito.

O episódio também teria provocado impacto financeiro.

O motorista conta que sua conta passou a ser enquadrada automaticamente em uma categoria de tarifas mais cara, resultando em uma cobrança de cerca de R$ 70.

Disse na época que “a gente que é honesto no Brasil paga para ser honesto”, ao mencionar deslocamentos, perda de um dia de trabalho e novas taxas após a devolução.

O banco, porém, afirma que não houve cobrança vinculada ao incidente.

Os advogados do motorista reforçam que o caso gerou abalo emocional e exposição indesejada.

A repercussão nacional fez com que detalhes sobre sua vida circulassem amplamente, aumentando o receio de riscos à segurança da família.

Pedidos de recompensa e indenização na Justiça

A ação judicial começou a tramitar em julho de 2024 na 6ª Vara Cível de Palmas.

Nela, Antônio pede que o Bradesco pague 10% do valor que entrou em sua conta, o que ultrapassa R$ 13 milhões, além de R$ 150 mil por danos morais.

A defesa afirma que a situação ultrapassou o limite do erro administrativo e se transformou em constrangimento, pressão psicológica e exposição pública involuntária.

Ainda conforme informações apresentadas pelo g1, não houve qualquer proposta de acordo por parte do banco nas audiências iniciais.

As testemunhas foram indicadas pelas duas partes, e a ação entrou na fase de análise de provas.

O processo aguarda a designação da audiência de instrução, etapa em que o juiz deve ouvir os envolvidos antes da sentença.

Repercussão nacional e impacto na rotina do motorista

Pouco depois do episódio, em agosto de 2023, a história de honestidade chamou a atenção do programa Domingão, apresentado por Luciano Huck, na TV Globo.

Antônio participou de um quadro em que relembrou o susto ao ver o saldo milionário e a decisão de procurar o banco.

A repercussão ampliou a narrativa de que ele agiu corretamente, mas também tornou sua rotina mais exposta, conforme observou o g1 em diferentes reportagens que acompanharam o caso.

Além da notoriedade repentina, a situação despertou curiosidade de vizinhos e desconhecidos, gerando desconfortos que, segundo a defesa, contribuíram para o agravamento do impacto emocional.

Enquanto a Justiça não define se o motorista terá direito à recompensa e à indenização, o caso segue alimentando um debate recorrente: bancos devem reconhecer formalmente quem devolve valores milionários enviados por engano, ou a obrigação legal já é suficiente para encerrar o assunto?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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