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Homem tenta vender por 5 mil dólares o chapéu que teria sido presente do Brasil a Ronald Reagan em 1982 – mas termina sem um centavo

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado el 20/11/2025 a las 21:47
ChapÉu ligado a Ronald Reagan surge em Las Vegas com documentos e foto antiga, despertando dúvidas sobre origem e história do objeto
ChapÉu ligado a Ronald Reagan surge em Las Vegas com documentos e foto antiga, despertando dúvidas sobre origem e história do objeto
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Um chapéu apresentado como possível presente brasileiro a Ronald Reagan em 1982 despertou curiosidade no programa de Las Vegas, reunindo documentos, fotos antigas e relatos que levantaram novas perguntas sobre a verdadeira origem do objeto

O programa Trato Feito apresentou uma história envolvendo o Brasil, Ronald Reagan e um chapéu.

Um homem não identificado levou ao local um chapéu de caubói que dizia ter pertencido ao ex-presidente dos Estados Unidos. Ele relatou ter recebido o item após comprá-lo de um “ex-presidente do Brasil”.

O chapéu, inteiramente preto, traz o nome “Otávio” gravado em letras brancas em um dos lados.

Segundo o vendedor, o acessório teria sido originalmente usado por Reagan durante seu mandato. O homem afirmou que nunca tinha visto algo semelhante e colocou o valor de venda em US$ 5 mil.

A origem contada pelo vendedor ao programa

Em conversa com Rick Harrison, o vendedor explicou que adquiriu o chapéu da filha de David C. Fischer, assistente de Reagan durante o primeiro mandato entre 1981 e 1989.

Ele comentou que acreditava no valor histórico do objeto porque Reagan tinha um rancho e participou de filmes de faroeste quando era ator.

Para embasar sua versão, o dono do chapéu levou dois materiais. O primeiro era uma carta assinada por Fischer.

O segundo era um recorte da capa do Correio de 3 de dezembro de 1982. Na imagem publicada, Reagan aparece segurando um chapéu semelhante ao apresentado na loja, durante saída da Embaixada Americana após visita oficial a Brasília.

A carta apresentada como prova da autenticidade

Na carta entregue ao dono da loja, Fischer escreveu que acompanhava o presidente em todas as viagens e que estava presente no momento registrado pelo jornal. Ele relatou que viajou com Reagan pela América Latina e confirmou estar ao lado dele quando o chapéu foi entregue. O assistente afirmou ainda que o presidente lhe deu o objeto, que passou a integrar sua coleção pessoal.

Fischer declarou que deixou a coleção para as filhas, que decidiram vender itens que não desejavam manter. Ele acrescentou que o jornal que acompanhava o chapéu serviria como documentação adicional para confirmar a veracidade da história, reforçando a ligação entre o objeto e o momento registrado na capa.

A dedicatória e a divergência nas datas

Além dos documentos, o vendedor mostrou uma dedicatória escrita em tinta azul na aba interna do chapéu. O texto dizia: “Sr. Regan, é com prazer que oferecemos a você esse chapéu que simboliza a abertura da democracia”. O conteúdo foi apresentado como mais uma evidência da origem do objeto.

No entanto, Harrison percebeu um problema. A dedicatória apresentava a data de 2 de dezembro de 1983, enquanto a visita de Reagan a Brasília, mostrada na capa do jornal, ocorreu em 3 de dezembro de 1982. O vendedor respondeu que a pessoa responsável pelo escrito pode ter se confundido ao registrar o ano.

A decisão do comprador diante da inconsistência

Mesmo afirmando acreditar que o chapéu poderia ser de Reagan, Harrison ponderou sobre a dificuldade de revenda. Ele argumentou que eventuais compradores questionariam a diferença de datas e que seria complicado justificar o erro. Por causa disso, afirmou que não poderia concretizar a compra.

Ele explicou ao vendedor que, apesar de apreciar a história, não poderia adquirir o item enquanto a documentação não coincidisse. O dono do chapéu ouviu a justificativa e saiu do local sem concluir o negócio.

A investigação do Correio Braziliense após a exibição

Depois da repercussão, o Correio Braziliense decidiu investigar a história. O jornal verificou o próprio acervo e consultou o Centro de Documentação da empresa.

A apuração mostrou que o chapéu não foi entregue por um ex-presidente brasileiro, contrariando o que o vendedor havia relatado ao programa.

O recorte apresentado ao dono da loja trazia apenas a foto isolada usada no programa. No entanto, na edição completa do jornal, havia informações adicionais logo abaixo da imagem.

A chamada dizia: “Na embaixada, o chapéu de Otávio Lage”, indicando que o acessório foi colocado na cabeça de Reagan durante um momento descontraído.

O verdadeiro momento da entrega do chapéu

A reportagem de época explicou que a recepção ocorreu na Embaixada Americana. Segundo o texto, o encontro terminou de forma descontraída, com clima leve e bem-humorado. A partir de conversas com trabalhadores da embaixada e estudantes, o jornal registrou que Reagan colocou o chapéu pertencente a Otávio Lage.

O presente teria sido dado por duas crianças que estudavam na Escola Americana. O jornal classificou o gesto como inesperado, mas não desenvolveu a relação entre as crianças e o político que governou Goiás entre 1966 e 1971. No entanto, deixou claro que o acessório foi entregue no ambiente escolar.

O que dizia a carta apresentada no programa

A carta de Fischer mencionada no programa afirmava que o chapéu “foi dado” ao presidente. Porém, não havia qualquer referência a um ex-presidente brasileiro como responsável pelo presente. No período da visita oficial de Reagan, o Brasil era governado por João Figueiredo, ainda durante o regime militar.

A divergência entre o que estava no acervo do Correio e o relato do vendedor revelou lacunas na história apresentada no programa. Mesmo assim, os documentos e a foto permaneceram como registros do momento em que Reagan usou o chapéu durante sua passagem por Brasília.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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