Envelhecimento da mão de obra e falta de profissionais qualificados impulsionam construtoras a atrair novos perfis. Setor aposta em formação técnica, maior presença feminina e modernização dos canteiros como estratégia de renovação.
A construção civil reforçou a busca por mulheres e jovens diante do envelhecimento da mão de obra e da dificuldade de repor profissionais.
Entidades do setor relatam campanhas de capacitação com foco técnico e prometem remunerações mais altas para funções qualificadas — em alguns casos, entre R$ 10 mil e R$ 12 mil — para atrair novos perfis aos canteiros.
O movimento ocorre em um mercado marcado por alta informalidade e instabilidade de renda.
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Força de trabalho envelhecida e masculina
A idade média do trabalhador da construção no país gira em cerca de 41 anos, com predominância masculina, segundo levantamento setorial apresentado por entidades da indústria.
O estudo mostra que o contingente formal representa uma parcela minoritária do total de ocupados e que a maior parte atua por conta própria, muitas vezes sem proteção trabalhista.
Esse desenho ajuda a explicar a rotatividade e a dificuldade de retenção relatadas por empresas.
Setor acena para mulheres e jovens com qualificação
A aposta de sindicatos patronais e associações tem sido ampliar formação técnica e modernizar processos para tornar as obras mais atrativas.
O SindusCon-SP intensificou, desde o ano passado, parcerias para qualificar mulheres e inseri-las em frentes de trabalho, associando a iniciativa a um discurso de industrialização dos canteiros e ganho de produtividade.
O presidente do sindicato, Yorki Estefan, tem defendido publicamente que capacitação e trilhas de progressão na carreira são essenciais para recompor quadros, citando também a necessidade de rever modelos de contratação.
Participação feminina ainda é baixa, mas avança
Embora cresça o esforço de recrutamento, a presença de mulheres segue reduzida.
No recorte de empregos formais da construção, 9,2% dos postos são ocupados por trabalhadoras no Brasil.
Em São Paulo, elas representam 12,4% do contingente formal do setor, segundo estudo coordenado pela economista Ana Maria Castelo.
Entidades setoriais avaliam que a expansão de processos mais industrializados e o foco em qualificação tendem a ampliar a participação feminina e diversificar o perfil profissional nos canteiros.
Informalidade e renda instável limitam a entrada
Outro entrave recorrente é a instabilidade de remuneração.
Parte expressiva dos trabalhadores recebe por hora ou por semana e não tem acesso a férias, 13º salário ou contribuição previdenciária.
Levantamentos recentes apontam que, entre os ocupados na construção, apenas 25,5% tinham carteira assinada em 2023.
A informalidade somava 67% quando somados conta própria informal e assalariados sem carteira.
Esse cenário empurra profissionais a múltiplos contratos e ao trabalho por entrega, com impacto na jornada e na segurança de renda.
Salários: do piso aos ganhos de funções escassas
Nos pisos definidos por negociações coletivas regionais, os valores variam conforme categoria e local, com reajustes pactuados na data-base de maio em importantes praças do país.
Já funções que exigem maior qualificação, como carpinteiros especializados, montadores de formas e pedreiros de acabamento, podem alcançar R$ 10 mil a R$ 12 mil em momentos de escassez desses perfis, relatam lideranças setoriais.
A remuneração mais elevada costuma acompanhar picos do ciclo das obras e nem sempre se sustenta ao longo do ano.
Em paralelo, bases sindicais reportaram reajuste de 6% para salários até R$ 7.818,84 no Estado de São Paulo a partir de maio de 2025, indicador de referência para a evolução dos pisos locais.
Quanto ganham cargos de chefia de obra
Plataformas de vagas e transparência salarial indicam amplas faixas de remuneração para mestres de obras, a depender de experiência, porte da empresa e região.
Em 2025, registros voluntários no Glassdoor apontam medianas mensais próximas de R$ 9 mil em São Paulo, com amplitude entre R$ 6 mil e R$ 21 mil.
Em outros mercados, como Porto Alegre, as medianas relatadas são menores.
Esses valores não constituem pisos e podem refletir bônus, adicionais e diferenças de responsabilidades.
Emprego formal cresce, mas segue minoritário no total do setor
Apesar da informalidade predominante no agregado da construção, o emprego com carteira nas empresas do setor subiu em 2025 e ultrapassou a marca de 3 milhões de vínculos formais, segundo dados consolidados pelas entidades com base no Novo Caged.
Ao mesmo tempo, associações patronais e pesquisadores alertam que a desaceleração em segmentos como infraestrutura e a alta dos juros afetam o ritmo de contratações e pressionam estratégias de retenção.
Nesse contexto, iniciativas de qualificação e reorganização de carreiras ganham peso para sustentar a atração de mão de obra.
Modelo de contratação em debate
Entre as propostas para ampliar a atratividade, dirigentes do setor defendem parcerias com o Sebrae e a criação de trilhas de progressão profissional.
Há também quem proponha rever o modelo de contratação, apontando que parte dos jovens prefere atuar como microempreendedor individual (MEI).
Estudos setoriais, contudo, destacam que a ampliação da formalização via carteira assinada segue como desafio central para reduzir rotatividade e garantir benefícios, o que recoloca a discussão sobre novas regras de contratação e certificação de prestadores.
Modernização como vitrine
Ao lado da qualificação, construtoras e entidades têm divulgado a modernização dos canteiros — com mais processos industrializados, gestão de qualidade e segurança — como vitrine para atrair quem ainda não enxerga a construção como carreira de longo prazo.
A expectativa é que tecnologia e produtividade ajudem a reduzir a percepção de trabalho exclusivamente braçal e, com isso, ampliem a base de recrutamento entre mulheres e jovens.
Diante desse esforço para rejuvenescer e diversificar a mão de obra, a pergunta que fica é: o setor conseguirá transformar capacitação e modernização em contratações mais estáveis e carreiras atraentes para quem está chegando agora?
Os homens acima dos 35 anos estão acostumados com serviços pesados, antigamente jogador de futebol quase se não ouvia falar de lesão igual hoje em dia, efeito da alimentação está fazendo isso, mudando organismo, era tudo que os todes queria, efeito disso em colocar mulher serviço pesado vai ser daqui dez anos quantos elas não ter mais coluna, INSS vai sofrer com isso, e os mendigo e **** só aumentando, será que pessoal não vê que mão de obra está indo para debaixo de marquise se entupindo de drogas e bebidas , e indo para ****, e os homens que sobrar vão trabalhar por todos esses, mais as mulheres que vão se afastar por não ter mais condições físicas, aí ou cara fica doente, ou ele vira **** ou nasceu rico, esse sistema vai afundar o Brasil.
Realmente Mercado de trabalho está uma decepção.
Enquanto homens Engenheiro com Graduação e pós e experiência braçal., são obrigados a trabalhar em cargos inferiores, devido a péssimo renumeração ,que as empresas pagam .
Pois preferem pagar um **** salário para Auxiliar de engenheiro.
Do que pagar um salário justo para um engenheiro Pleno.
Diante de 14 Anos acompanhando e trabalhando em obras ,tenho Plena certeza de que as mulheres não são capacitadas para cargos como Engenheira ou carpinteiro etc .
Sou engenheiro Civil, Especializado em gerenciamento de obras. Experiência de 25 anos como Mestre de Obras . Atuando com contrato PJ atualmente.