Parque eólico da Honda no Rio Grande do Sul completa 11 anos e garante 100% do consumo elétrico da produção de automóveis com energias renováveis, evitando milhares de toneladas de CO₂.
A presença das energias renováveis na indústria automotiva brasileira ganhou um marco relevante com a consolidação do parque eólico da Honda em Xangri-Lá, no Rio Grande do Sul.
Após 11 anos de operação, a unidade, chamada Honda Energy, assegura que 100% dos automóveis produzidos pela montadora no país utilizem energia elétrica de fonte limpa, reduzindo de forma concreta o impacto ambiental da atividade industrial.
Ao longo desse período, o parque evitou a emissão de aproximadamente 52 mil toneladas de dióxido de carbono.
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O volume reforça o papel estratégico da geração renovável na transição energética do setor produtivo e posiciona a Honda como um dos principais exemplos de integração entre eficiência industrial e sustentabilidade.
Parque eólico nasceu como resposta a metas globais de descarbonização
Inaugurado em 2014, o parque eólico foi planejado para atender diretamente às metas ambientais da Honda em escala global.
Atualmente, a unidade conta com nove aerogeradores em operação, responsáveis por fornecer energia limpa à fábrica de automóveis de Sumaré, em São Paulo, além do escritório corporativo localizado no bairro do Morumbi.
Em outubro de 2020, a entrada em operação da décima unidade geradora elevou a capacidade instalada de 27,7 MW para 31,1 MW. Com isso, o parque passou a suprir também a demanda da fábrica de Itirapina, ampliando o alcance das energias renováveis nas operações da empresa.
Segundo o representante da Honda Energy, Ricardo Dalbosco, o projeto foi concebido para gerar impacto real.
“Foi colocado pelo presidente da Honda Global a meta de reduzir em 30% as emissões de carbono do grupo. O que precisa ser efetivo e não só colocado como algo sustentável”, afirmou.
Modelo atende exclusivamente a produção de automóveis
Apesar da robustez da estrutura, o parque eólico possui capacidade limitada quando comparado a outras operações industriais da companhia. Dalbosco explica que o modelo foi desenhado especificamente para atender a produção de carros.
“Esse modelo foi feito para atender à planta de automóveis. A planta de automóveis e a de motocicletas (no Polo Industrial de Manaus) são muito diferentes no tipo de peças que produzem diariamente e, em Manaus, a produção de motocicletas é uma cidade (de tão grande). Essa planta consome muita energia, precisaria de três ou quatro vezes mais do que temos aqui para produzir energia livre”.
Dessa forma, a adoção das energias renováveis ocorre de maneira estratégica, respeitando as características operacionais de cada complexo industrial.
Energia limpa já viabilizou a produção de mais de um milhão de veículos
O presidente da Honda Energy, Mauricio Imoto, destacou a dimensão do impacto do projeto ao longo da última década. Segundo ele, mais de 1,1 milhão de automóveis foram fabricados utilizando exclusivamente a eletricidade gerada no parque eólico.
“É 1,1 milhão de carros produzidos com energia daqui. O que nós produzimos de energia aqui dá para abastecer o equivalente a 34 mil casas. Imagina que tudo o que 34 mil famílias consomem no ano inteiro é o que a gente consegue gerar”.
O dado reforça que a escala industrial pode caminhar junto com fontes renováveis, desde que haja planejamento e investimento consistente.
Energia solar foi avaliada, mas eólica se mostrou mais eficiente
Durante o planejamento do projeto, a Honda avaliou outras fontes de energias renováveis. A energia solar chegou a ser considerada, no entanto, questões operacionais pesaram na decisão final.
“A energia solar é uma boa opção, mas ela não gera durante a noite. No nosso caso, como é linha de produção, a eólica supre melhor”, explicou Imoto.
A escolha evidencia que a transição energética industrial depende não apenas do potencial ambiental das fontes, mas também da compatibilidade com a rotina produtiva.
Descarbonização vai além da matriz elétrica
Apesar dos resultados expressivos, a montadora afirma que a descarbonização não se limita à energia consumida nas fábricas. Segundo Imoto, a empresa segue avançando em diferentes frentes para reduzir emissões ao longo de toda a cadeia produtiva.
“A fábrica fez várias reduções, como diminuir diesel, mudar a matriz energética, melhorar a utilização de gás natural nas estufas, e a gente está até trabalhando já no futuro de utilizar o gás. Eu acredito que a gente já está em torno de 60% da redução de carbono”.
Além disso, a empresa também considera o impacto ambiental dos próprios veículos, integrando o produto final aos compromissos de neutralidade de carbono.
Sustentabilidade também é economicamente viável
Na avaliação da Honda Energy, o parque eólico comprova que investir em energias renováveis pode gerar retorno financeiro e previsibilidade operacional. Imoto ressalta que o projeto se mantém viável após mais de uma década de funcionamento.
“Essa parte de conseguir mostrar que o mundo mudou e a gente já estava aqui antes, e hoje faz parte disso: 11 anos de operação e está aqui. Nós temos o parque eólico como ação sustentável, e é sempre bom mostrar para o mundo que não é só a redução de carbono, a previsibilidade de energia, mas também que é viável dar certo”.
O parque também cumpre um papel educativo, recebendo estudantes e promovendo ações de conscientização sobre energia limpa, reforçando a importância das energias renováveis na construção de um futuro industrial mais sustentável.

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