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Hungria decide alagar floresta de árvores de propósito, bombeia água do rio Tisza, segura 80 mil metros cúbicos e testa solução contra seca histórica, tentando recarregar aquíferos, salvar árvores e preparar a região de Bereg para um futuro mais quente

Publicado el 24/01/2026 a las 02:48
Actualizado el 24/01/2026 a las 12:17
Hungria decide alagar floresta em Bereg usando água do rio Tisza contra a seca para recarregar aquíferos e testar adaptação climática baseada na natureza. (IMAGEM: ILUSTRATIVA)
Hungria decide alagar floresta em Bereg usando água do rio Tisza contra a seca para recarregar aquíferos e testar adaptação climática baseada na natureza. (IMAGEM: ILUSTRATIVA)
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Projeto piloto para alagar floresta de freixos em Bereg usa água do Tisza, espalha lâmina rasa sobre 30 hectares e segura 80 mil metros cúbicos, buscando recarregar aquíferos, proteger árvores e aumentar a resiliência climática regional diante de seca persistente e mudanças hidrológicas profundas.

A Hungria colocou em prática uma medida incomum para enfrentar a seca ao alagar floresta de freixos na região de Bereg, no leste do país, utilizando água bombeada do rio Tisza para criar inundações superficiais controladas. A iniciativa quer restaurar funções naturais da paisagem, fortalecer o solo e ajudar a recompor os níveis de água subterrânea.

O projeto piloto é conduzido com participação do WWF Hungria e autoridades hídricas, dentro de um esforço maior de adaptação climática. A estratégia parte do princípio de que cheias controladas podem ser aliadas da natureza, sustentando ecossistemas, reduzindo estresse hídrico e preparando a região para um futuro mais quente e seco.

Por que alagar floresta virou estratégia contra a seca

Em vez de tratar toda inundação como problema, especialistas envolvidos defendem que alagamentos superficiais e temporários podem ter função ecológica essencial.

Em paisagens onde as cheias naturais foram reduzidas por intervenções humanas, o solo perde umidade, os lençóis freáticos caem e as florestas entram em declínio.

Ao alagar floresta de forma planejada, a água se infiltra lentamente, nutre o solo, recarrega aquíferos e cria condições mais estáveis para árvores e vida selvagem.

Essa abordagem também ajuda a amortecer extremos climáticos, tornando o ambiente menos vulnerável a períodos prolongados de estiagem.

O cenário de seca que levou à intervenção

A decisão de alagar floresta em Bereg ocorre após um período de seca severa que afetou quase toda a Hungria.

O governo declarou estado de emergência devido à falta de chuvas e autorizou medidas imediatas de retenção de água, destinando cerca de 12 milhões de euros para enfrentar a escassez hídrica.

Autoridades destacaram que a seca deixou de ser evento isolado e passou a representar desafio estrutural de longo prazo, exigindo respostas agrícolas, ecológicas, sociais e econômicas coordenadas.

A retenção de água na paisagem surge como uma das frentes prioritárias dessa adaptação.

Como a água do Tisza foi levada até a floresta

Para alagar floresta de freixos com cerca de 30 hectares, a água foi bombeada do rio Tisza até um canal principal de irrigação.

Dali, uma barragem temporária feita com sacos de areia desviou o fluxo para um canal secundário já existente.

Esse canal conduziu a água até a área florestal, onde ela pôde se espalhar de forma controlada.

O processo não criou uma lâmina profunda, mas sim uma inundação rasa, pensada para favorecer infiltração e não causar danos estruturais ao ecossistema.

Volume retido e profundidade da inundação

Segundo autoridades envolvidas, a ação para alagar floresta em Bereg retém aproximadamente 80 mil metros cúbicos de água.

A profundidade média da lâmina varia entre 20 e 30 centímetros, o suficiente para encharcar o solo e beneficiar as raízes sem transformar a área em um lago permanente.

Essa inundação temporária ajuda a proteger as árvores, estimular o crescimento e criar novos habitats para espécies animais e vegetais.

O objetivo é reforçar a vitalidade da floresta em um contexto de déficit hídrico crescente.

Reabastecimento de meandros e efeito regional

rio Tisza

Além de alagar floresta diretamente, o plano incluiu o represamento de seis meandros abandonados do rio Tisza.

Essas áreas receberam mais de 1,5 milhão de metros cúbicos de água, ampliando o impacto das medidas de retenção hídrica na paisagem regional.

Conjunto dessas ações busca tornar Bereg mais resiliente às mudanças climáticas, ao aumentar a capacidade natural do território de armazenar água durante períodos críticos.

Projeto piloto e visão de longo prazo

Responsáveis pelo projeto ressaltam que alagar floresta neste contexto não significa irrigação convencional, mas tentativa de elevar gradualmente os níveis de água subterrânea.

A operação é considerada piloto, testando uma solução que pode ser aplicada de forma mais ampla no futuro.

Para transformar a retenção de água em prática permanente, será necessário investir em infraestrutura de apoio, ajustar estradas, obter consentimento de proprietários vizinhos e alinhar a gestão florestal com objetivos hídricos.

Integração com políticas públicas e comunidades locais

O projeto se conecta a programas mais amplos de proteção contra a seca e de devolução de água à paisagem.

Autoridades indicam que comunidades locais e agricultores veem as medidas de retenção de água de forma positiva, por reduzirem riscos associados à escassez hídrica prolongada.

Ao alagar floresta de maneira controlada, o país testa uma transição de modelo, saindo de uma lógica focada apenas em drenar água para outra que valoriza a capacidade natural da paisagem de armazená la.

Uma mudança de mentalidade sobre inundações

O experimento de Bereg mostra que nem toda inundação representa desastre.

Cheias bem planejadas podem funcionar como ferramenta de restauração ecológica, fortalecendo florestas, reabastecendo aquíferos e ampliando a biodiversidade.

Diante de secas cada vez mais frequentes, a decisão de alagar floresta deixa de ser exceção e passa a ser vista como estratégia de adaptação climática baseada na própria dinâmica natural da água.

Você acha que usar inundações controladas para alagar floresta pode se tornar solução comum contra a seca em outras regiões do mundo?

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Bruna Bozzola
Bruna Bozzola
01/02/2026 08:17

Nada foi dito sobre o impacto da fauna que habita as tocas no chão, fauna que vive de forma rasteira, mamíferos roedores, marsupiais, insetos, artrópodes, répteis etc. Soluciona uma questão e cria problemas no ecossistema existente pra ter que criar outras soluções: Quais ?

Carlos Vinícius
Carlos Vinícius
30/01/2026 07:10

Lendo esses comentários, vi que a maioria só pensa de forma partidaria, colocando política onde não faz sentido algum colocar ela.
O mundo está adoecendo, e as pessoas ao invés de pensarem na preservação da natureza e de seus bens naturais, que inclusive são importantíssimos para a manutenção da vida, pensam apenas nos seus próprios interesses, deixando de lado aquilo que realmente importa.

Talvez quando percebam seu pensamento medíocre, seja tarde demais… .

Vinícius, 18 anos

Neuza
Neuza
28/01/2026 17:53

É no mínimo uma procura de novos caminhos. Acredito que seja um raciocínio lógico e inovador.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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