Com 162 metros, helipontos duplos e sistema antimísseis, o Eclipse de Roman Abramovich é um dos iates mais caros e seguros do mundo, símbolo máximo do luxo e da engenharia naval moderna.
Considerado por anos o maior iate privado do planeta, o Eclipse é mais do que um barco — é uma fortaleza marítima e símbolo de poder na indústria naval. Construído pelo estaleiro Blohm + Voss, em Hamburgo, na Alemanha, e projetado pelo renomado designer britânico Terence Disdale, o megaiate foi entregue ao bilionário russo Roman Abramovich em 2010, após cinco anos de construção e um investimento estimado entre 1,1 bilhão de libras, ou R$ 7 bilhões.
Com 162,5 metros de comprimento, 22 metros de largura e 13.000 toneladas, o Eclipse foi o maior iate do mundo até 2013, quando foi superado pelo Azzam, pertencente ao xeque Khalifa bin Zayed Al Nahyan, dos Emirados Árabes Unidos. Mesmo assim, o Eclipse mantém o posto de um dos projetos mais complexos, luxuosos e tecnologicamente avançados já criados na história da engenharia naval civil.
Engenharia naval de ponta e segurança de nível militar
O que diferencia o Eclipse não é apenas seu tamanho, mas o nível de proteção que oferece. A embarcação conta com um sistema antimísseis integrado, semelhante ao utilizado em fragatas militares, projetado para detectar e neutralizar ameaças externas.
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Há também blindagem à prova de balas em todas as áreas privadas, além de vidros de segurança reforçados.
O sistema de vigilância inclui radares, sensores térmicos e câmeras infravermelhas, monitorando a embarcação 24 horas por dia. Os acessos são controlados por biometria e cartões magnéticos, e uma equipe de 50 profissionais de segurança trabalha a bordo em tempo integral.
O próprio Abramovich raramente é visto em público durante as viagens, e o iate tem protocolos de emergência para fuga aérea — com dois helipontos ativos na proa e na popa.
Um resort flutuante de luxo incomparável
A bordo, o Eclipse é uma verdadeira cidade no mar. São 24 cabines de luxo, 11 decks, uma piscina central de 16 metros que se transforma em pista de dança com piso retrátil, spa completo, academia de última geração, cinema privativo, salão de beleza e até uma boate interna.
O interior é decorado com mármore italiano, madeiras nobres e obras de arte originais, com cada ambiente desenhado para refletir o gosto pessoal de Abramovich. Segundo a revista Forbes, apenas o sistema de iluminação e automação de cabines custou mais de US$ 25 milhões.
A tripulação fixa conta com cerca de 70 pessoas, incluindo chefs de cozinha premiados, mergulhadores, engenheiros e pilotos de helicóptero. Todo o gerenciamento é feito com softwares navais de última geração que controlam temperatura, ruído e consumo energético em tempo real.
O mini-submarino e as tecnologias secretas
Entre os recursos mais comentados está o mini-submarino de 20 metros de comprimento, capaz de descer até 50 metros de profundidade, usado tanto para lazer quanto como rota de fuga emergencial.
O Eclipse também é equipado com lancha de apoio de 14 metros, motos aquáticas, veículos aquáticos infláveis, tenders e até um sistema de segurança óptica que bloqueia a captura de imagens por câmeras fotográficas de longa distância, uma tecnologia antidrone que cria uma barreira de laser invisível ao redor da embarcação.
O sistema de propulsão é híbrido, movido por motores diesel-elétricos com potência combinada de 40.000 HP, o que garante velocidade máxima de 22 nós (40 km/h) e autonomia de mais de 10.000 km sem necessidade de reabastecimento.
O auge da engenharia náutica europeia
O projeto foi supervisionado por engenheiros navais alemães e britânicos sob sigilo total. O casco foi construído em aço de alta densidade naval, com compartimentos estanques capazes de resistir a danos severos. O Eclipse é dividido em zonas independentes de energia e navegação, garantindo que mesmo em caso de falha total em uma seção, o navio continue operacional.
O sistema de estabilização é considerado um dos mais avançados já implementados em uma embarcação civil: giroscópios automáticos neutralizam o balanço das ondas, permitindo que o iate permaneça estável mesmo sob tempestades intensas.
Segundo o SuperYacht Times, o custo anual de manutenção do Eclipse ultrapassa US$ 60 milhões, o que inclui combustível, reparos, taxas de atracação e pagamento da tripulação — valor comparável ao orçamento anual de pequenas companhias aéreas privadas.
Luxo, poder e controvérsia
Durante anos, o Eclipse foi um símbolo do poderio financeiro de Abramovich, dono de uma fortuna estimada em mais de US$ 12 bilhões e ex-proprietário do Chelsea FC. O iate frequentemente ancorava em Mônaco, Antibes e Saint-Tropez, atraindo curiosos e paparazzi.
Entretanto, após as sanções impostas por governos ocidentais contra oligarcas russos em 2022, o Eclipse passou a navegar sob discrição reforçada, evitando portos da União Europeia e operando majoritariamente em águas internacionais.
Em 2023, foi visto em portos da Turquia e do Caribe, longe das restrições financeiras aplicadas a outros bens do empresário.
O símbolo máximo da era dos superiates
Mesmo após mais de uma década desde sua construção, o Eclipse continua a ser uma referência em engenharia, luxo e segurança marítima.
Ele representa o ponto de convergência entre tecnologia militar e conforto extremo, uma obra-prima flutuante que define os limites da indústria náutica moderna.
Mais do que um veículo de transporte, o Eclipse é uma declaração de poder e um lembrete de como o luxo pode se tornar uma fortaleza sobre as águas.
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