O foco principal no discurso do Ibram foi sobre a expansão da produção nos próximos 5 anos, ao utilizar o valor investido no setor de mineração. Mas, a questão da ANM em relação à destinação de verbas no Brasil, foi criticada pelo presidente
O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) realizou algumas declarações durante essa última terça-feira, (26/04), sobre o futuro da produção e expansão no setor da mineração no Brasil e afirmou que o segmento receberá um investimento de R$ 200 bilhões nos próximos 5 anos. Além disso, o executivo aproveitou o espaço para criticar a falta de compromisso com a Agência Nacional de Mineração (ANM) em relação aos repasses financeiros no setor.
Produção do setor da mineração no Brasil será altamente beneficiada ao longo dos próximos 5 anos, com o investimento total de R$ 200 bilhões que será realizado
O setor da mineração no Brasil é um dos maiores movimentadores do capital nacional, em razão das altas reservas que o país possui em relação aos minérios lucrativos. Assim, o Ibram anunciou que será aplicado um investimento de R$ 200 bilhões no segmento ao longo dos próximos 5 anos, para fomentar o desenvolvimento de mais e mais projetos e empreendimentos no setor e expandir a sua produção no país.
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Entre os principais minerais que serão beneficiados com o projeto de investimento na expansão da produção, o grande destaque é para o segmento de minério de ferro, que concentra um terço dos aportes planejados. Além disso, uma boa parcela dos investimentos serão destinados à produção de fertilizantes e bauxita, uma vez que cada um está com previsão de investimentos de US$ 5,7 bilhões (cerca de R$ 28 bilhões) entre os anos de 2022 e 2026.
O pacote de investimento também será aplicado dentro do processo de desativação de estruturas que apresentam riscos à população, para evitar que novos desastres aconteçam na produção da mineração no Brasil. Assim, um total de US$ 900 milhões (R$ 4,5 bilhões) serão aplicados em aportes em descaracterização de barragens semelhantes às que se romperam em Brumadinho (MG) e Mariana (MG) ao longo dos próximos 5 anos. Dessa forma, o Ibram não só busca fomentar uma expansão da produção mineral, como também garantir mais segurança e eficiência no setor brasileiro.
Presidente do Ibram aproveita momento de anúncio de plano de investimento para criticar falta de compromisso com a ANM no repasse financeiro e mineração em terras indígenas
Ainda na sua entrevista sobre o futuro do setor da mineração no Brasil, o presidente do Ibram aproveitou o momento e criticou o contingenciamento de verbas da ANM, que é responsável por regular o setor e arrecadar os royalties cobrados sobre a produção mineral, mas não está fazendo um repasse correto para o segmento. Assim, o órgão afirmou que ela deveria ficar com cerca de 7% da arrecadação com royalties, que somou R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre, mas tem recebido apenas 1%.
A produção mineral no Brasil apresentou uma forte queda no início deste ano, diante da desaceleração da demanda chinesa, que tenta impedir uma nova onda de Covid-19 e reduziu sua produção de aço durante a Olimpíada de inverno. Assim, o Ibram afirmou que esse foi o principal problema em relação aos repasses financeiros para a ANM,
Por fim, Raul Jungmann, o presidente do Ibram, deixou a ANM de lado e criticou o projeto de lei que aprova a mineração em terras indígenas, afirmando que “É necessário que nesse projeto fique absolutamente clara a questão da mineração ilegal, do garimpo”, uma vez que a proposta deixa em aberto muitas questões de transparência quanto à legalidade dessa produção.

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