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Mergulha por até 30 minutos, caça crustáceos no fundo do mar e regula a própria temperatura em rochas vulcânicas: a iguana-marinha Amblyrhynchus cristatus é o único lagarto marinho do mundo

Escrito por Débora Araújo
Publicado el 13/01/2026 a las 17:19
Mergulha por até 30 minutos, caça crustáceos no fundo do mar e regula a própria temperatura em rochas vulcânicas: a iguana-marinha Amblyrhynchus cristatus é o único lagarto marinho do mundo
Mergulha por até 30 minutos, caça crustáceos no fundo do mar e regula a própria temperatura em rochas vulcânicas: a iguana-marinha Amblyrhynchus cristatus é o único lagarto marinho do mundo
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A iguana-marinha é o único lagarto marinho do mundo: mergulha 30 minutos, caça submersa e regula calor em rochas vulcânicas nas Galápagos.

A primeira vez que biólogos observaram o Amblyrhynchus cristatus mergulhando e se alimentando submerso, o espanto foi imediato: nenhum outro lagarto vivo no planeta possui vida marinha. Documentado exclusivamente no arquipélago de Galápagos, no Equador, este réptil combina características fisiológicas e comportamentais completamente atípicas dentro do grupo. Estudos publicados em revistas especializadas como Ecology, Evolution, Marine Ecology Progress Series e Journal of Comparative Physiology descrevem mergulhos prolongados, estratégias de alimentação subaquática, termorregulação extrema e uma biologia térmica fora do padrão para um lagarto.

Um lagarto que se comporta como um mamífero marinho

Enquanto lagartos terrestres dependem de poças, insetos ou pequenos vertebrados no solo, a iguana-marinha traça outra estratégia: submerge em águas frias do Pacífico e colhe alimentos diretamente das rochas. Em períodos de baixa profundidade, ela também captura pequenos crustáceos, revelando um cardápio altamente especializado. Para um réptil, o simples ato de submergir já seria uma barreira fisiológica — mas o Amblyrhynchus cristatus vai além: o animal segura o ar por longos períodos, com registros confiáveis de mergulhos contínuos de até 30 minutos.

Video de YouTube

Para efeito de comparação, muitos lagartos terrestres entram em estresse térmico em poucos minutos sob condições extremas e jamais tolerariam longos períodos em água gelada. Esse contraste biológico tornou a espécie um dos símbolos evolutivos das Galápagos, sendo frequentemente citada como um dos exemplos mais fortes da adaptação darwiniana no arquipélago.

Alimentação submersa e dentição adaptada às rochas

O principal alimento da iguana-marinha são algas que crescem aderidas às rochas vulcânicas no fundo do mar ou na zona entremarés. A dentição achatada funciona como um “raspador”, removendo tapetes de algas e microcrustáceos com precisão. Essa especialização trófica faz com que ela dependa diretamente do ritmo das marés, da temperatura da água e da produtividade primária das algas.

Essa dependência alimentar é tão rígida que anos de fenômeno El Niño — que aquecem as águas e reduzem a produtividade das algas — já foram associados a mortalidade em massa na população de iguanas-marinhas, mostrando o grau de fragilidade ecológica da espécie.

Tecnologia fisiológica improvável: coração lento e sangue quente demais para um lagarto

Como réptil, a iguana-marinha não possui mecanismos internos de produção de calor semelhantes a aves e mamíferos, porém desenvolveu um sistema comportamental complexo para regular temperatura. Após sair da água gelada — frequentemente entre 15 °C e 20 °C — o animal se deita sobre rochas vulcânicas aquecidas pelo sol e permanece imóvel até restaurar a temperatura corporal para cerca de 35 °C, necessária para metabolismo normal.

Durante o mergulho, ocorre o inverso: a circulação periférica é reduzida, priorizando órgãos vitais e preservando energia. Esse tipo de controle cardíaco e vascular é mais comum em mamíferos marinhos como focas e lontras, mas raríssimo em répteis.

Um arquipélago, um único lar e um quebra-cabeça evolutivo

Nenhum outro lugar do planeta abriga essa espécie. O animal é endêmico das Galápagos — um conjunto vulcânico isolado no Pacífico equatorial — e essa distribuição restrita cria um dos paradoxos evolutivos mais interessantes da herpetologia: como um lagarto originalmente terrestre adaptou-se ao oceano e à alimentação subaquática?

Hipóteses sugerem que ancestrais terrestres exploraram a zona entremarés em períodos de escassez alimentar e, ao longo de milhares de gerações, a seleção natural favoreceu indivíduos capazes de mergulhar por mais tempo, suportar água fria e lidar com flutuações térmicas extremas. O resultado é um animal que não se parece com mais nada dentro dos répteis modernos.

Pressões humanas e risco de desaparecer

Apesar de sua adaptação extraordinária, a iguana-marinha enfrenta ameaças graves: aquecimento oceânico, eventos de El Niño mais frequentes, turismo mal regulado, poluição marinha, pesca industrial e derramamentos de óleo figuram na lista de riscos. O aquecimento do oceano diminui as algas que sustentam a base de sua dieta, e fenômenos climáticos extremos podem eliminar centenas ou milhares de indivíduos em uma única temporada.

Video de YouTube

Por causa disso, pesquisadores que trabalham com conservação na região alertam que a espécie precisa de monitoramento constante, tanto por sua importância ecológica quanto pelo seu valor único para a ciência evolutiva.

Num mundo com mais de 11 mil espécies conhecidas de répteis, apenas uma mergulha, caça submersa e regula a temperatura em rochas vulcânicas para sobreviver. É por isso que o Amblyrhynchus cristatus não é apenas uma curiosidade biológica — é uma raridade evolutiva que carrega, sozinha, um capítulo inteiro da história natural dos lagartos.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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