Enquanto o incêndio na Ceasa consome um galpão da Ceasa em Irajá, comerciantes temem colapso no abastecimento de hortifruti às vésperas das festas de fim de ano na Região Metropolitana do Rio.
Um incêndio de grandes proporções atinge, desde a madrugada desta quarta feira, um dos pavilhões da Ceasa, em Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e já destruiu pelo menos 28 lojas. Segundo o Corpo de Bombeiros, quatro militares precisaram ser atendidos em hospitais da região por exaustão, depois de horas de combate contínuo, e até a última atualização não havia registro de feridos entre trabalhadores e frequentadores da central de abastecimento.
A Ceasa é a maior central de abastecimento do estado e, às vésperas das festas de fim de ano, opera com estoques reforçados e horário especial para atender à demanda de hortifruti. A combinação de galpões cheios, material inflamável e grande circulação de caminhões e compradores torna o incêndio especialmente sensível para o abastecimento de frutas, verduras e legumes que abastecem feiras, supermercados e pequenos comércios em toda a Região Metropolitana do Rio.
Como o incêndio começou e se espalhou pelo pavilhão

De acordo com testemunhas ouvidas no local, o fogo teria começado em uma loja de alimentos instalada em um dos corredores do pavilhão 43, área que concentra boxes de hortifrutigranjeiros.
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Em poucos minutos, as chamas se espalharam para estabelecimentos vizinhos que comercializam plásticos, papéis, bebidas e outros produtos altamente inflamáveis, formando uma frente de fogo que avançou pelos dois lados do galpão.
No pavilhão atingido ficam boxes que trabalham com mamão, coco, manga, milho, abóbora, melancia, batata, cebola, alho e outros produtos de grande giro no atacado.
As imagens registradas durante a madrugada mostram labaredas altas consumindo estruturas metálicas, fiações, fachadas e estoques inteiros, com colunas de fumaça que podiam ser vistas à distância.
Enquanto o pavilhão 43 era tomado pelo incêndio, demais áreas da Ceasa que não foram diretamente atingidas continuaram funcionando no início da manhã, com comerciantes tentando manter a rotina em meio ao cheiro de fumaça e ao vaivém de caminhões dos Bombeiros e de equipes de apoio.
Mobilização dos bombeiros e impactos na região
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta de 1h40 e deslocou equipes de sete quartéis: Irajá, Guadalupe, Penha, Caxias, São Cristóvão, Parada de Lucas e Nova Iguaçu.
O volume de chamas, o tamanho do pavilhão e a concentração de material inflamável exigiram uma operação prolongada, com revezamento de equipes e uso intenso de água para resfriar estruturas e impedir que o fogo saltasse para galpões vizinhos.
Quatro bombeiros precisaram ser encaminhados a hospitais da região com sinais de exaustão, consequência da combinação de calor intenso, fumaça densa e esforço físico contínuo.
A corporação seguiu atuando ao longo da madrugada e da manhã, concentrando esforços em pontos de requeima e áreas com risco de desabamento parcial de estruturas metálicas e coberturas.
CET-Rio, Comlurb e Guarda Municipal também foram mobilizadas.
Técnicos de trânsito reforçaram sinalização nas vias do entorno, já que a fumaça dificultava a visibilidade para motoristas que circulavam na região da Ceasa, embora não tenha sido registrado, até o início da manhã, impacto relevante no fluxo geral de veículos em Irajá.
Prejuízos imediatos para lojistas da Ceasa
Os comerciantes do pavilhão 43 relatam que haviam reforçado os estoques para o período de Natal e Ano Novo.
A expectativa era aproveitar o horário especial anunciado pela própria Ceasa, que prevê funcionamento até as 3h, entre 8 de dezembro e 2 de janeiro, para dar conta do aumento de pedidos de hortifruti.
Com o incêndio, cargas planejadas precisaram ser canceladas ou redistribuídas às pressas para outros boxes ainda operantes, na tentativa de evitar perdas adicionais em mercadorias que estavam em trânsito para a central.
Um dos lojistas afirma que, diante do cenário, a orientação foi suspender embarques já programados para a noite e remanejar produtos que chegaram mais cedo para parceiros em outros pavilhões.
Relatos colhidos no local indicam que muitos comerciantes perderam não apenas mercadorias, mas também estruturas de refrigeração, prateleiras, veículos utilitários e documentos armazenados nas lojas. Um comerciante resume o clima no pavilhão:
“Acabou com tudo, mas vamos levantar a cabeça e trabalhar para reconstruir”.
Risco para o abastecimento de hortifruti nas festas de fim de ano
A Ceasa do Rio é o principal ponto de entrada e distribuição de frutas, verduras e legumes que abastecem a capital e cidades da Região Metropolitana.
Em condições normais, a central já opera sob pressão de demanda maior no fim de ano, quando cresce o consumo de produtos frescos para ceias, confraternizações e férias escolares.
Com o incêndio neste pavilhão, lojistas e compradores temem reflexos nos preços e na oferta de alguns itens.
A perda de estoques concentrados em boxes específicos e a necessidade de remanejar cargas para outros espaços da Ceasa podem gerar descompasso entre oferta e procura em determinados produtos, especialmente aqueles que estavam com maior volume programado para as próximas semanas.
Por outro lado, a manutenção do funcionamento de demais pavilhões e o esforço de redistribuição entre lojistas da própria Ceasa podem mitigar parte do impacto, ao menos no curto prazo.
A avaliação sobre o risco efetivo de ruptura de abastecimento de hortifruti nas festas vai depender do tempo necessário para liberar a área atingida, reorganizar a logística interna e recompor estoques.
Próximos passos na recuperação e na apuração das causas
Após o controle total das chamas, a área atingida no pavilhão 43 da Ceasa deverá passar por perícia para identificar a origem do incêndio e avaliar as condições estruturais de galpões, instalações elétricas e sistemas de segurança.
Só depois dessa análise será possível definir se haverá interdição prolongada do espaço, necessidade de obras emergenciais e prazo estimado para retomada completa das operações na área atingida.
A administração da central, em conjunto com órgãos públicos do estado e do município, terá de lidar simultaneamente com três frentes principais: apoio aos comerciantes afetados, reorganização do fluxo de veículos e mercadorias dentro da Ceasa e comunicação clara com compradores sobre o funcionamento durante o período de festas.
Para além da emergência imediata, o episódio reacende o debate sobre protocolos de prevenção a incêndios em grandes centrais de abastecimento, que concentram produtos perecíveis, materiais inflamáveis e circulação intensa de caminhões, trabalhadores e compradores em espaços muitas vezes antigos e sobrecarregados.
E você, como consumidor, já sentiu no bolso ou na rotina o impacto de incêndios, enchentes ou outras crises que afetaram a Ceasa ou o abastecimento de alimentos na sua cidade?
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