Após crescer 7,4% em 2025, a indústria de máquinas agrícolas deve avançar apenas 3,4% em 2026, segundo estimativa da Abimaq.
A indústria de máquinas agrícolas brasileira deve entrar em 2026 em ritmo de crescimento mais cauteloso.
Segundo projeção da Abimaq, o setor deve avançar 3,4% no Crescimento 2026, pressionado por uma combinação de fatores econômicos e produtivos.
A estimativa foi divulgada neste início de ano e reflete um cenário marcado por juros elevados, câmbio menos favorável e uma safra com expansão mais limitada, tanto no mercado interno quanto no ambiente internacional.
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Apesar do avanço previsto, o desempenho esperado fica abaixo do registrado em 2025, quando a indústria agrícola teve crescimento de 7,4% em receita, alcançando R$ 66,75 bilhões.
O novo ciclo, portanto, aponta para uma desaceleração natural após um ano mais forte, especialmente no segmento de tratores, que segue como principal motor das vendas.
Juros altos e câmbio pressionam investimentos em máquinas agrícolas
De acordo com a Abimaq, o desempenho da indústria de máquinas agrícolas em 2026 será diretamente impactado pelas condições macroeconômicas.
A expectativa de uma nova supersafra não é suficiente, por si só, para sustentar o mesmo nível de investimentos observado anteriormente.
“Provavelmente vamos ter uma super safra novamente, mas com crescimento pequeno em comparação ao que aconteceu em 2025, o que deve impactar os investimentos do setor na compra de máquinas na mesma proporção”
Avaliou Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq.
Segundo ela, o custo do crédito elevado e a taxa de câmbio menos favorável reduzem a capacidade de investimento dos produtores.
Mercado interno sustenta a indústria agrícola
Mesmo diante das incertezas, o mercado doméstico segue como pilar central da indústria agrícola. Em 2025, as vendas internas cresceram 6,7%, atingindo R$ 57,59 bilhões.
Esse resultado confirma que o setor permanece fortemente ancorado na demanda nacional, sobretudo em segmentos específicos.
“O setor é muito calcado no desempenho do mercado interno. Vimos crescimento das vendas no mercado interno, principalmente no segmento de tratores.
Já colheitadeiras tiveram um crescimento menor”, afirmou Patrícia Gomes, diretora-executiva de mercado externo da Abimaq.
Tratores impulsionam vendas na indústria de máquinas agrícolas
Os tratores continuam liderando o avanço das vendas dentro da indústria de máquinas agrícolas.
Em especial, os modelos de menor porte ganharam protagonismo ao atender demandas da agricultura familiar, da cafeicultura, da fruticultura e da pecuária.
Em volume, o setor comercializou 61,1 mil unidades de tratores e colheitadeiras em 2025, crescimento de 14,1% na comparação anual.
Apenas no mercado interno, foram 55,5 mil unidades, alta de 15,8%.
As vendas de tratores somaram 52,1 mil unidades, avanço expressivo de 16,5%, enquanto as colheitadeiras cresceram 5,2%, chegando a 3,4 mil unidades.
Comércio exterior avança em valor, mas recua em volume
No comércio internacional, a indústria agrícola apresentou comportamento misto. Em valor, as exportações de máquinas e implementos agrícolas cresceram 12,2% em 2025, totalizando US$ 1,63 bilhão.
As importações, por sua vez, avançaram 1,4%, para US$ 1,22 bilhão.
Já em volume, as exportações totalizaram 5,5 mil unidades, com retração de 0,7%.
Os embarques de tratores recuaram 0,2%, enquanto as exportações de colheitadeiras caíram 8,7%, refletindo maior competição externa e desafios logísticos.
Concorrência chinesa e acordo Mercosul–UE geram preocupação
Outro ponto de atenção para a Abimaq é o avanço da China no mercado global de máquinas agrícolas.
O crescimento da presença chinesa em países emergentes preocupa fabricantes brasileiros, que enfrentam concorrência com preços mais agressivos.
Além disso, o setor acompanha com cautela os possíveis impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia.
A abertura comercial pode trazer oportunidades, mas também riscos para a competitividade da indústria de máquinas agrícolas nacional.
Emprego cresce, mas dezembro acende sinal de alerta
Mesmo com o cenário mais desafiador, o setor encerrou 2025 com 122,2 mil pessoas empregadas, crescimento de 6,8% em relação ao ano anterior.
O dado reforça a importância da indústria agrícola como geradora de empregos no país.
Por outro lado, dezembro trouxe sinais de desaceleração.
A receita caiu 6,7%, para R$ 4,23 bilhões, enquanto as vendas internas recuaram 12,7%. As vendas de tratores e colheitadeiras diminuíram 15,6%, evidenciando um fechamento de ano mais fraco.
Crescimento 2026 será mais seletivo
Diante desse cenário, a expectativa da Abimaq é que o Crescimento 2026 da indústria de máquinas agrícolas seja sustentado principalmente por nichos específicos, como tratores de menor porte, e por produtores com maior capacidade financeira.
Assim, o setor entra no novo ano com cautela, foco em eficiência e atenção redobrada ao ambiente econômico.
Veja mais em: Indústria de máquinas agrícolas deve crescer 3,4% em 2026, prevê Abimaq
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