Com infância inteira vivida na lavoura, Luna transforma rotina do café em identidade, conquista redes sociais e vira símbolo de força, simplicidade e orgulho do interior do Espírito Santo rural
Com a infância inteira vivida na lavoura de café em Brejetuba, Luna cresceu entre peneiras, terreiros e porcos, transformou o trabalho rural em projeto de vida, fortaleceu a tradição familiar e hoje inspira quem vê na roça um caminho real de dignidade e futuro para jovens do campo em geral.
Desde muito pequena, Luna aprendeu que o som do trator ao amanhecer, o cheiro do café secando no terreiro e a poeira da estrada fazem parte de uma rotina que não é sacrifício, mas continuidade de uma história. A infância inteira vivida na lavoura, cercada pela família, moldou uma menina que não se imagina longe do campo e do café. Entre estudo, gravações para as redes sociais e o manejo na lavoura, ela transformou o dia a dia rural em identidade, propósito e orgulho.
Infância inteira vivida na lavoura e laços com a terra

A trajetória de Luna começa literalmente no chão da roça. Desde os primeiros anos de vida, ela acompanhava os pais na colheita de café.
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Quando o cansaço chegava, dormia dentro da peneira, coberta com ramos de café para se proteger do sol forte e do frio da manhã.
A infância inteira vivida na lavoura não foi um acaso, foi escolha dela e da família de mantê-la sempre por perto, aprendendo na prática o valor do trabalho.
Os pais chegaram a tentar deixá-la sob cuidado de outras pessoas, mas ela simplesmente não aceitava.
Queria estar no meio das plantas, ouvindo as conversas sobre clima, preço do café e planejamento da safra.
Essa presença constante no campo construiu uma ligação profunda com a propriedade, com a rotina agrícola e com os ciclos da lavoura de café, que definem o ritmo da vida da família em Brejetuba, no Espírito Santo.
Rotina entre escola, lavoura de café e gravações

Hoje, Luna estuda no período da tarde.
As manhãs são divididas entre tarefas da casa, auxílio na propriedade e gravações para as redes sociais, nas quais é conhecida como Luna Bermon.
Ela mostra, com naturalidade, que é possível conciliar estudo, comunicação digital e trabalho rural sem perder a essência da roça.
Os dias começam cedo: café da manhã em família, organização do conteúdo que será gravado e, quando necessário, apoio nas atividades da lavoura.
Antes de sair para a escola, por volta das 11h30, Luna já participou do manejo, ajudou em alguma etapa da produção ou acompanhou o pai e a mãe em decisões sobre plantio, colheita ou secagem.
Essa rotina reforça, na prática, como a infância inteira vivida na lavoura pode formar uma visão madura sobre responsabilidade, tempo e esforço.
Produção de café especial e tradição familiar
A propriedade em que Luna vive é, ao mesmo tempo, memória e futuro. A terra era do avô, passou ao pai e aos tios e foi recentemente dividida, mantendo a origem familiar como base do negócio.
Parte das lavouras é antiga, plantada ainda na época dos avós, e outra parte foi implantada pela geração atual, em um movimento que combina tradição e renovação.
Na área de café, a família trabalha com variedades como o catuaí amarelo e o catuaí vermelho.
A qualidade do produto aparece nos números: o café já alcançou cerca de 89 pontos, sendo comercializado inclusive para fora do Brasil.
Cada lote é tratado de forma separada, identificado e secado individualmente para preservar a qualidade e valorizar o esforço de quem vive com a infância inteira vivida na lavoura.
Lotes com pontuações diferentes não são misturados, o que reforça o cuidado técnico com o produto final.
Do pé ao terreiro: tecnologia simples e precisão no processo
A rotina da colheita começa ainda na roça, com a seleção dos frutos. Parte do café é despolpada para agregar qualidade e valor.
O processo passa por equipamentos que separam o café cereja, o verde e o chamado café boia, cada um direcionado para um destino específico.
O café cereja descascado segue para estufas com estrutura de tela, permitindo secagem por cima e por baixo, acelerando o processo e preservando características sensoriais.
O café boia, por sua vez, é secado em terreiros de cimento ou em terreirões de terra, quando a estrutura já está ocupada.
Nada é tratado como simples “resto”: até a casca do café é aproveitada em compostagem, retornando ao solo como adubo e fechando um ciclo produtivo coerente com quem teve a infância inteira vivida na lavoura.
A energia que movimenta parte das máquinas vem de placas solares compartilhadas pela família, solução que reduz custos e aumenta a autonomia da propriedade.
Esse equilíbrio entre técnicas tradicionais e recursos modernos mostra que o campo pode ser eficiente sem abandonar sua identidade.
Animais, horta e autonomia no dia a dia da roça
A vida de Luna não se resume ao café.
Porcos, galinhas e horta compõem o cenário da casa e garantem boa parte do consumo diário da família.
Porcos recém-nascidos, galos de postura, ovos sempre disponíveis e uma rotina de cozimento de alimentos para os animais ajudam a fechar as contas e diminuir a dependência do supermercado.
Essa convivência diária com animais, plantas e ciclos de produção fortalece a percepção de que a infância inteira vivida na lavoura também é uma escola de sustentabilidade prática.
Tudo o que pode ser reaproveitado volta para o sistema produtivo, seja como alimento, seja como insumo orgânico para a terra.
A autonomia não é apenas econômica, mas também cultural e afetiva: a família constrói o próprio caminho a partir daquilo que produz.
Identidade rural, redes sociais e novos caminhos
Luna transformou seu cotidiano em narrativa.
Nas redes sociais, compartilha cenas da roça, grava com o irmão mais novo, mostra o terreiro, a lavoura e o bastidor da produção de café especial.
Além disso, já participou de webséries, filme e até de um comercial, sempre levando consigo o sotaque, o jeito simples e a referência ao campo como parte inseparável da identidade.
Para ela, o futuro não significa abandonar a lavoura, mas ampliar possibilidades.
A infância inteira vivida na lavoura tornou-se um diferencial, e não um obstáculo, na construção do próprio projeto de vida.
O café, que antes era apenas o trabalho dos avós e dos pais, agora é também linguagem, conteúdo e porta de entrada para diálogos com quem vive na cidade e pouco conhece a realidade rural.
Força, simplicidade e orgulho do interior capixaba
A história de Luna sintetiza uma realidade que muitas vezes passa despercebida: por trás de cada xícara de café existem famílias, gerações e crianças que crescem entre pés de café, peneiras, terreiros e estradas de terra.
No interior do Espírito Santo, essa infância inteira vivida na lavoura se traduz em disciplina, respeito ao tempo da natureza e orgulho de manter viva uma cultura produtiva que sustenta economias locais e histórias de vida.
Mais do que romantizar o campo, a trajetória de Luna mostra que força e simplicidade podem caminhar juntas, desde que exista apoio familiar, oportunidade de estudo e espaço para que jovens do meio rural também ocupem o debate público, seja nas redes sociais, seja em outros projetos.
A roça, nesse contexto, deixa de ser vista como “falta de opção” e passa a ser percebida como escolha consciente, cheia de desafios, mas também de possibilidades concretas de futuro.
E você, ao conhecer a história da Luna, acredita que teria vontade de viver uma infância tão próxima da lavoura quanto a dela?
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