Aposentadoria suspensa por erro do INSS deixa idoso de 97 anos sem renda; benefício previdenciário foi reativado após nova prova de vida.
A aposentadoria suspensa de um idoso de 97 anos voltou a expor falhas nos sistemas do INSS após o órgão confundir um segurado vivo com o irmão gêmeo já falecido.
O caso envolve Walter Rodrigues de Almeida, morador do Rio de Janeiro, que teve o benefício previdenciário interrompido pela quarta vez e passou cerca de quatro meses sem receber o valor ao qual tem direito.
Segundo o instituto, a aposentadoria foi reativada e o pagamento deve ocorrer em até 20 dias.
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A suspensão ocorreu em setembro de 2025, quando o sistema do INSS identificou, de forma equivocada, uma suposta morte do segurado.
Como Walter e o irmão gêmeo compartilhavam os mesmos pais, sobrenome e data de nascimento, o erro se repetiu.
Dessa forma, o idoso precisou novamente comprovar que estava vivo, passando por mais uma prova de vida, procedimento obrigatório para manutenção do pagamento.
INSS confirma reativação do benefício previdenciário
Após a repercussão do caso, o Instituto Nacional do Seguro Social informou ao Estadão que a aposentadoria suspensa já foi regularizada.
Conforme o órgão, os valores devidos serão depositados em até 20 dias na conta do segurado.
Ainda assim, a família afirma que o problema poderia ter sido evitado com um controle mais eficiente dos dados.
Walter ficou sem receber desde 5 de setembro de 2025, período em que precisou contar com ajuda de parentes para cobrir despesas básicas.
Família relata desgaste emocional e burocracia excessiva
Enquanto aguardava a regularização, a família precisou levar o idoso até uma agência do INSS em Ramos, na zona norte do Rio, na última terça-feira, 13.
No local, os servidores informaram que o caso ainda estava em análise e orientaram a abertura de um novo pedido.
A resposta oficial só chegou dias depois.
Para os familiares, no entanto, o processo revelou uma falha grave no sistema de controle do órgão, sobretudo em casos que envolvem aposentadoria idoso, grupo mais vulnerável aos impactos da interrupção de renda.
Filha critica sistema e questiona controle por CPF
A filha de Walter, Elaine Almeida, demonstrou indignação com a situação. Segundo ela, a justificativa apresentada pelo INSS não convence.
«Eles falam que como o irmão dele era gêmeo, o Waldir, deu suspeita de óbito nele, o seu Walter.
E eu falei: ‘o controle não é feito pelo CPF? Os números são diferentes.’ Fico muito triste, indignada, pois meu pai volta do banco arrasado, e eu como filha não posso fazer nada. Só ajudar ele.
Mas resolver a situação dele, eu não posso», disse, à TV Globo.
O relato reforça a percepção de que erros administrativos podem gerar consequências profundas para famílias que dependem exclusivamente do benefício.
Aposentadoria suspensa compromete despesas e compra de remédios
Walter utiliza a aposentadoria principalmente para despesas básicas, como alimentação e medicamentos de uso contínuo.
Durante os meses sem pagamento, a situação financeira se tornou ainda mais delicada.
«Estou há quatro meses sem receber e eu tenho o direito a receber. Não sei por que isso está acontecendo», afirmou o idoso.
Em outro momento, ele reforçou a dificuldade enfrentada enquanto aguardava a solução do problema.
«Eu tenho as minhas despesas, eu tenho 97 anos, moro com meu filho, mas tenho que pagar as minhas despesas.
Já apresentei todos os documentos necessários e solicitados, já apresentei tudo».
Prova de vida e falhas recorrentes no sistema
A prova de vida é um procedimento criado para evitar fraudes e pagamentos indevidos.
No entanto, casos como o de Walter mostram que falhas no cruzamento de dados podem gerar o efeito contrário, suspendendo indevidamente um benefício previdenciário legítimo.
Especialistas em direito previdenciário alertam que idosos muito avançados em idade tendem a enfrentar mais dificuldades para resolver pendências administrativas, especialmente quando precisam se deslocar até agências físicas.
Caso reacende debate sobre modernização do INSS
Embora o INSS tenha confirmado a reativação da aposentadoria suspensa, o episódio reacende o debate sobre a necessidade de modernização dos sistemas e aprimoramento dos critérios de verificação de dados.
Para famílias como a de Walter, a solução chegou, mas após meses de desgaste emocional e insegurança financeira.
Agora, o idoso aguarda o depósito prometido, enquanto a família espera que o erro não volte a se repetir.
Leia mais sobre em: Aposentadoria de idoso de 97 anos é cortada pela 4ª vez por engano
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