Itaipu e CCEE iniciam novo leilão de I-RECs com preço mínimo de R$ 0,78 por certificado, ampliando o mercado de energia renovável no Brasil. A iniciativa reforça a descarbonização corporativa e projeta crescimento de 73 milhões para 90 milhões de certificados até 2026
A Itaipu Binacional e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) iniciaram o recebimento de propostas para o primeiro leilão eletrônico de I-RECs lastreados na geração da usina hidrelétrica. Segundo matéria publicada pela CNN Brasil no dia 23 de fevereiro, as propostas podem ser enviadas até as 18h de quarta-feira (25), por meio da Plataforma Brasileira para a Certificação de Energia Renovável da CCEE.
O edital estabelece preço mínimo de R$ 0,78 por I-REC, sendo que cada certificado equivale a um megawatt-hora (MWh) de energia produzida. A modalidade de venda será por oferta fechada por lote, com no mínimo 40 mil unidades por lote. A classificação seguirá o maior preço unitário ofertado por I-REC, respeitando também a ordem cronológica das propostas.
O valor mínimo já inclui os custos de emissão, registro e aposentadoria dos certificados. A aposentadoria pode ser imediata ou diferida, o que permite a comercialização posterior do ativo. A base dos I-RECs ofertados neste leilão será a energia produzida por Itaipu no ano de 2025. A expectativa divulgada é que, com a entrada da usina no segmento, o volume de certificados negociados cresça de 73 milhões no ano passado para 90 milhões em 2026.
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Como funciona o leilão de I-RECs e a certificação de energia renovável
O leilão estruturado por Itaipu e CCEE ocorre em ambiente eletrônico, garantindo rastreabilidade e transparência nas ofertas. A venda por lote, com mínimo de 40 mil certificados, direciona a disputa principalmente a empresas de médio e grande porte, comercializadoras e investidores institucionais.
O I-REC é um certificado internacional que comprova que determinada quantidade de energia elétrica consumida foi gerada a partir de fonte renovável. No caso da Itaipu, trata-se de energia hidrelétrica, reconhecida como fonte limpa e de baixa emissão de carbono ao longo do ciclo de vida.
Empresas que adquirem I-RECs podem utilizá-los para comprovar consumo de energia renovável em relatórios de sustentabilidade e inventários de emissões. Esse mecanismo contribui diretamente para metas corporativas de descarbonização e para o atendimento a critérios ambientais exigidos por investidores e parceiros comerciais.
A governança do processo é assegurada pela CCEE, instituição responsável pela contabilização e liquidação das operações no mercado brasileiro de energia elétrica. A certificação por meio da plataforma oficial amplia a credibilidade do ativo ambiental e reduz riscos de dupla contagem ou inconsistências.
Entrada da Itaipu fortalece mercado de energia renovável e descarbonização corporativa
A Itaipu é reconhecida como a maior usina geradora de energia renovável da América Latina. Sua operação binacional, entre Brasil e Paraguai, sempre esteve associada à produção de eletricidade de baixo carbono em larga escala.
Ao ingressar formalmente no mercado de I-RECs por meio de leilão, a usina passa a atuar também como fornecedora estruturada de ativos ambientais. Isso agrega valor à energia renovável produzida e cria nova fonte de receita vinculada à certificação.
Em declaração à imprensa, André Pepitone, diretor financeiro executivo da Itaipu Binacional, afirmou que a emissão dos I-RECs em parceria com a CCEE reafirma o compromisso com sustentabilidade, transparência e modernização do setor elétrico brasileiro. Segundo ele, trata-se de um passo consistente no reconhecimento internacional da energia limpa produzida pela usina.
Esse reconhecimento é estratégico em um contexto global marcado por metas de neutralidade de carbono. Empresas que buscam reduzir a pegada de carbono encontram nos I-RECs instrumento formal para demonstrar o uso de energia renovável e reforçar compromissos de descarbonização.
CCEE amplia governança e consolida ambiente seguro para o leilão
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica desempenha papel central na organização do leilão e na gestão da Plataforma Brasileira para Certificação de Energia Renovável. A instituição é responsável por assegurar que as transações ocorram dentro de padrões técnicos e regulatórios reconhecidos.
O selo CCEE Origem garante rastreabilidade dos certificados, assegurando que cada I-REC esteja vinculado à energia efetivamente gerada por fonte renovável. Essa estrutura é fundamental para que o mercado de ativos ambientais seja percebido como confiável por investidores nacionais e internacionais.
Alexandre Ramos, presidente do Conselho de Administração da CCEE, afirmou que o ingresso da maior usina geradora de energia renovável da América Latina no segmento de I-RECs é um marco estruturante. Segundo ele, a união entre a relevância estratégica da Itaipu e a governança assegurada pela CCEE fortalece a credibilidade do setor nascente no Brasil e no exterior.
Esse ambiente institucional sólido contribui para ampliar a liquidez do mercado e atrair novos participantes, especialmente empresas com compromissos ESG formalizados.
Crescimento de 73 milhões para 90 milhões de certificados até 2026
A projeção de crescimento do mercado de I-RECs, de 73 milhões no ano passado para 90 milhões em 2026, indica expansão consistente da demanda por energia renovável certificada. Esse aumento reflete a busca crescente por mecanismos formais de comprovação de consumo limpo.
No Brasil, a matriz elétrica já é majoritariamente renovável, com forte presença de hidrelétricas, eólicas e solares. Ainda assim, o certificado se tornou necessário para que empresas comprovem de forma documentada a origem da eletricidade utilizada em suas operações.
O leilão da Itaipu amplia a oferta de certificados lastreados em geração hidrelétrica de grande escala. Isso pode contribuir para maior estabilidade de preços e maior previsibilidade para compradores que planejam estratégias de descarbonização de médio e longo prazo.
O preço mínimo de R$ 0,78 por I-REC serve como referência inicial para o mercado. Como a disputa será definida pelo maior preço unitário ofertado, o resultado do leilão também funcionará como sinalização de demanda e percepção de valor do ativo ambiental.
Impacto do leilão de energia renovável para investidores e empresas exportadoras
O avanço do mercado de I-RECs tem impacto direto sobre investidores conscientes e empresas inseridas em cadeias globais de valor. Fundos internacionais utilizam critérios ambientais, sociais e de governança para avaliar riscos e oportunidades.
Ao adquirir certificados vinculados à Itaipu, empresas reforçam a credibilidade de suas estratégias de descarbonização. Isso pode influenciar positivamente avaliações de risco, acesso a crédito e percepção de mercado.
Para companhias exportadoras, especialmente aquelas que operam em mercados com exigências ambientais rigorosas, a comprovação do uso de energia renovável é diferencial competitivo. O leilão estruturado pela Itaipu e pela CCEE oferece instrumento formal e reconhecido internacionalmente para esse fim.
Além disso, a possibilidade de aposentadoria diferida dos certificados amplia a flexibilidade estratégica, permitindo que empresas planejem o momento ideal de utilização do ativo em seus relatórios e inventários de emissões.
Novo patamar para a energia renovável certificada no Brasil
O leilão eletrônico de I-RECs promovido por Itaipu e CCEE representa mais do que uma operação pontual de venda. Trata-se de movimento estratégico que integra geração física de energia renovável a instrumentos financeiros e ambientais reconhecidos globalmente.
Com preço mínimo definido em R$ 0,78 por unidade, lotes de pelo menos 40 mil certificados e base na geração de 2025, a iniciativa estabelece parâmetros claros para o mercado. A expectativa de crescimento de 73 milhões para 90 milhões de certificados até 2026 reforça o potencial de expansão do segmento.
Ao unir a força institucional da Itaipu à governança da CCEE, o Brasil consolida ambiente mais robusto para comercialização de ativos ambientais. O resultado tende a fortalecer a agenda de descarbonização corporativa, ampliar a confiança de investidores e posicionar a energia renovável certificada como pilar estratégico da transição energética nacional.
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