Itajaí reassume protagonismo no comércio exterior do Sul, com retomada acelerada do porto, interesse da JBS no arrendamento definitivo e novo ciclo de leilões federais em 2026. Operação cresce, atrai rotas, amplia reefers, moderniza gates, e reabre disputa entre gigantes por terminais estratégicos no país.
Itajaí voltou ao centro da agenda logística nacional com a recuperação do Porto de Itajaí após a paralisação que atingiu cadeias produtivas em Santa Catarina. A retomada, impulsionada pela operação da JBS Terminais desde outubro de 2024, reposiciona Itajaí como ativo estratégico do comércio exterior do Sul e reacende a disputa por arrendamentos no ciclo federal de 2026.
Em meio ao cronograma da ANTAQ e do Ministério de Portos e Aeroportos, Itajaí entra novamente no radar de grandes grupos privados. Com leilões previstos a partir de 26 de fevereiro e projetos de escala ainda maior no horizonte, Itajaí passa a ser tratado como peça sensível no tabuleiro logístico brasileiro, pela capacidade de reordenar rotas, pressionar hubs concorrentes e redefinir eficiência regional.
Reconstrução operacional: como Itajaí saiu da paralisia e voltou ao radar
Itajaí atravessou um período recente de paralisação que afetou exportadores e importadores, especialmente em Santa Catarina, e abriu espaço para uma reorganização do fluxo de cargas no Sul do Brasil.
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A virada começa a ganhar forma com a entrada da JBS Terminais, que assumiu a gestão da área arrendada em outubro de 2024 e acelerou a recuperação do terminal.
A recuperação de Itajaí não ficou em discurso. Em 15 meses sob administração da JBS Terminais, o volume já supera 430 mil TEUs, atendendo aproximadamente 3 mil clientes.
Esse número indica retomada de mercado em ritmo forte para um ativo que havia perdido tração, justamente por estar no centro de cadeias produtivas que dependem de previsibilidade e custo logístico competitivo.
2025 como prova de retomada: TEUs, embarcações e linhas regulares
O ano de 2025 foi o primeiro ciclo completo de operação sob a JBS Terminais e serviu como termômetro da recuperação em Itajaí. Foram quase 390 mil TEUs movimentados em 2025, volume 11% superior ao de 2022, período que antecedeu a paralisação.
O dado é relevante porque compara a operação atual com um nível de referência anterior ao choque operacional que travou o terminal.
Além da movimentação em TEUs, Itajaí também recuperou escala e regularidade de serviço. Ao longo de 2025, o terminal recebeu 384 embarcações, operando com 10 linhas de navegação regulares e sete escalas semanais.
Para 2026, está prevista a adição de novos serviços, incluindo uma rota ligando o Brasil ao Norte da Europa, o que reforça o posicionamento de Itajaí como nó de conexão direta para mercados internacionais.
Estrutura e capacidade: área, cais, berços, profundidade e tecnologia
A infraestrutura descrita para Itajaí ajuda a explicar por que o ativo volta a ser disputado. O terminal conta com 180 mil metros quadrados de área operacional, 1.030 metros de cais, quatro berços e 14 metros de profundidade, permitindo atracação de navios de grande porte e operação com eficiência compatível com o padrão exigido por linhas regulares.
Para sustentar o ganho de desempenho em Itajaí, a JBS Terminais executou investimentos da ordem de R$ 220 milhões em modernização tecnológica e operacional. Esse pacote inclui:
Guindastes móveis MHC Konecranes Gottwald ESP.9
Foram adquiridos dois equipamentos, com capacidade para 125 toneladas e alcance de até 20 fileiras de contêineres, ampliando capacidade de manuseio e produtividade no cais.
Refrigerados: 1.708 tomadas para reefers
A expansão da infraestrutura para contêineres refrigerados aumenta competitividade de Itajaí em cargas sensíveis, especialmente em uma pauta exportadora onde carnes têm peso relevante.
Oito gates reversíveis no acesso terrestre
A implantação melhora fluidez de entrada e saída conforme a demanda, reduzindo gargalos em picos operacionais e ampliando capacidade de processamento do fluxo rodoviário.
O que Itajaí exporta e importa: carnes, madeira, plásticos, ração e máquinas
Itajaí opera como ponte entre a economia catarinense e mercados globais, e a pauta de cargas evidencia isso.
Nas exportações, carnes lideram, seguidas por madeira, enquanto nas importações ganham espaço plásticos, alimentos preparados para animais e máquinas de alto valor agregado.
Esse mix de cargas faz de Itajaí uma engrenagem de múltiplas cadeias, com impacto não apenas na logística, mas também em prazos, custo de estoque, dinâmica industrial e competitividade internacional de empresas regionais.
Empregos e rotina portuária: equipe fixa e TPAs mobilizados diariamente
A retomada de Itajaí também aparece no efeito local. A operação envolve 345 colaboradores diretos e cerca de 600 Trabalhadores Portuários Avulsos mobilizados diariamente.
Em um porto, esse movimento diário é indicador de intensidade operacional, porque reflete demanda por estiva, capatazia, conferência, fluxo de caminhões e giro de navios, tudo em cadeia.
JBS confirma interesse: por que o arrendamento definitivo de Itajaí virou alvo
O interesse da JBS em disputar o arrendamento definitivo de Itajaí é coerente com a estratégia de ampliar presença em logística e infraestrutura.
O grupo avalia a modelagem do edital antes de formalizar participação, mas o sinal é claro: Itajaí é visto como ativo estratégico para eficiência, previsibilidade e competitividade de cadeias globais.
A posição de Itajaí no Sul do país e sua conexão direta com mercados da Ásia, Europa, Américas, Oriente Médio e África reforçam o valor do ativo.
Em logística portuária, tempo de trânsito, confiabilidade de escala e capacidade de atender cargas refrigeradas são diferenciais que podem consolidar um terminal como hub regional.
O tabuleiro de 2026: leilões portuários, R$ 229 milhões iniciais e o peso do Tecon Santos 10
O avanço de Itajaí ocorre dentro de uma reorganização mais ampla da carteira federal de concessões e arrendamentos.
O cronograma citado aponta que os primeiros certames estão previstos para 26 de fevereiro, com mobilização inicial de cerca de R$ 229 milhões. Esse início abre caminho para projetos de maior escala.
O principal símbolo dessa escala é o Tecon Santos 10, estimado em até R$ 6,4 bilhões ao longo do contrato.
A comparação com um ativo como Itajaí não se dá apenas por tamanho absoluto, mas por efeito sistêmico: quando terminais ganham capacidade e regularidade, cadeias reposicionam rotas, empresas recalculam custos, e a concorrência entre hubs se intensifica.
Itajaí como pressão competitiva: rotas, eficiência e disputa entre gigantes
Itajaí volta a ser sensível porque atua como alternativa real para o Sul, encurtando decisões de embarque e desembarque e oferecendo escala e previsibilidade.
A combinação de retomada operacional, investimento e reforço de infraestrutura coloca Itajaí novamente como ponto de disputa entre grupos que buscam dominar corredores logísticos.
Esse reposicionamento de Itajaí é capaz de redefinir rotas e influenciar decisões sobre congestionamento, disponibilidade de janelas de atracação e custo por contêiner, especialmente quando se considera o objetivo de reduzir gargalos e aumentar eficiência na rede nacional.
Volume em toneladas: salto do complexo e o contraste entre 2025 e 2024
Os números de tonelagem reforçam a dimensão da recuperação em Itajaí.
De janeiro a novembro de 2025, o Complexo Portuário de Itajaí acumulou 14.225.986 toneladas, com crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram 12.804.927 toneladas.
No recorte específico do Porto de Itajaí (cais público mais área comercial), o salto é ainda mais expressivo: 4.277.115 toneladas no acumulado de 2025, contra 754.052 toneladas no acumulado de 2024.
Essa diferença mostra o quanto a retomada de Itajaí altera rapidamente o ritmo de movimentação e recoloca o porto em patamar de relevância operacional.
O que muda daqui para frente: Itajaí como capítulo central da agenda portuária
Itajaí entra em 2026 como um capítulo central da agenda portuária brasileira por três razões combinadas. Primeiro, a retomada operacional já aconteceu e foi mensurada em TEUs, embarcações e toneladas.
Segundo, o interesse da JBS sinaliza apetite por permanência e consolidação no ativo. Terceiro, o ciclo de leilões portuários cria um ambiente de competição e reposicionamento nacional, onde cada terminal estratégico pode mudar o desenho de rotas do comércio exterior brasileiro.
Se Itajaí vai se consolidar como o grande hub do Sul ou se se tornará o ponto mais disputado do calendário federal depende do formato do arrendamento e do apetite de outros grupos.
Itajaí volta a ser o porto que decide rotas e investimentos no Sul, mas você acha que a disputa pelo arrendamento definitivo vai atrair quais gigantes para essa briga?

Esqueceram de frisar que a reativação foi uma decisão do governo federal e que 99 por cento de Santa Catarina era contra a federalização