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Japão decide religar maior usina nuclear do mundo quinze anos após Fukushima, enfrenta protestos em Niigata, aposta em energia extra para data centers de inteligência artificial e deixa moradores apavorados com risco de novo desastre

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 22/12/2025 a las 10:09
Japão religa a maior usina nuclear do mundo em Niigata, reacende temor de Fukushima e usa energia extra para data centers de inteligência artificial.
Japão religa a maior usina nuclear do mundo em Niigata, reacende temor de Fukushima e usa energia extra para data centers de inteligência artificial.
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Decisão de reiniciar a maior usina nuclear do mundo em Kashiwazaki Kariwa, aprovada pela assembleia de Niigata em dezembro de 2025, expõe choque entre necessidade de energia para data centers de inteligência artificial, metas climáticas e moradores ainda marcados pelo trauma de Fukushima e temerosos de novo desastre nuclear local

O Japão deu o passo político final para religar a maior usina nuclear do mundo, Kashiwazaki Kariwa, cerca de 220 quilômetros a noroeste de Tóquio. A assembleia da província de Niigata aprovou um voto de confiança no governador Hideyo Hanazumi, que já havia se declarado favorável ao reinício, abrindo caminho para o retorno da usina quase quinze anos após o terremoto e tsunami de 2011 que devastaram Fukushima Daiichi e provocaram o pior acidente nuclear desde Chernobyl.

A retomada de Kashiwazaki Kariwa, principal ativo nuclear da Tokyo Electric Power Company (TEPCO), ocorre em um contexto em que o governo japonês busca reforçar a segurança energética, reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e garantir eletricidade extra para a expansão de data centers de inteligência artificial, tudo isso enquanto parte da população de Niigata e antigos evacuados de Fukushima continuam a denunciar que o país normaliza riscos ainda não resolvidos em torno da maior usina nuclear do mundo.

Do desligamento em 2011 à retomada em 2025

Japão religa a maior usina nuclear do mundo em Niigata, reacende temor de Fukushima e usa energia extra para data centers de inteligência artificial.

Kashiwazaki Kariwa integra o grupo de 54 reatores desligados após o desastre de Fukushima em 2011, quando o Japão optou por suspender praticamente toda a geração nuclear para revisão de segurança.

Desde então, apenas 14 das 33 usinas ainda operacionais foram religadas sob novas normas, e a maior usina nuclear do mundo permaneceu parada enquanto a TEPCO tentava recuperar credibilidade.

A votação em Niigata foi tratada como o último obstáculo político antes do reinício do primeiro dos sete reatores do complexo.

A TEPCO estuda reativar a primeira unidade a partir de 20 de janeiro, em operação que, sozinha, pode elevar em cerca de 2 por cento o fornecimento de eletricidade para a região de Tóquio, segundo estimativas do Ministério do Comércio japonês.

Para o governo central, Kashiwazaki Kariwa é peça-chave para reabrir a agenda nuclear em escala nacional.

Protestos em Niigata e memória de Fukushima

Do lado de fora da assembleia, cerca de 300 manifestantes, em sua maioria idosos, se reuniram com cartazes contra o reinício, sob temperatura próxima de 6 graus Celsius.

As faixas pediam “apoio a Fukushima” e rejeição à reativação da usina.

Em ato simbólico, o grupo cantou “Furusato”, canção tradicional sobre a ligação com a terra natal, transformando a sessão em um embate entre segurança local e retomada da maior usina nuclear do mundo.

Entre os críticos está Ayako Oga, hoje com 52 anos, agricultora e ativista antinuclear que se mudou para Niigata após fugir da zona de exclusão de 20 quilômetros ao redor de Fukushima em 2011, junto com parte dos 160 mil evacuados.

Ela afirma ainda sofrer sintomas semelhantes ao estresse pós-traumático e considera o retorno de Kashiwazaki Kariwa um “novo risco à porta de casa”.

Para moradores como Oga, o país não pode esquecer o impacto real de um acidente nuclear ao religar a maior usina nuclear do mundo em uma região costeira sujeita a tremores.

TEPCO tenta se reabilitar com investimentos bilionários

A TEPCO, operadora tanto de Fukushima Daiichi quanto de Kashiwazaki Kariwa, tenta reconstruir sua imagem desde 2011.

Em 2025, a empresa prometeu investir 100 bilhões de ienes ao longo de dez anos na prefeitura de Niigata, em um pacote que inclui projetos locais e compensações indiretas, numa tentativa de demonstrar compromisso com segurança e desenvolvimento ao redor da maior usina nuclear do mundo.

Apesar da ofensiva financeira, uma pesquisa divulgada pela própria prefeitura em outubro mostra que cerca de 60 por cento dos moradores não acreditam que as condições para o reinício estejam plenamente atendidas, e quase 70 por cento dizem se preocupar com a TEPCO administrando o complexo.

O contraste entre promessas de investimento e desconfiança persistente indica que a relação entre operadora e comunidade continua marcada por fissuras abertas pelo desastre de Fukushima.

Estratégia energética, descarbonização e pressão dos data centers de IA

O retorno de Kashiwazaki Kariwa se encaixa em uma estratégia mais ampla da primeira-ministra Sanae Takaichi, que assumiu o cargo dois meses antes da votação e defende a reativação de reatores como forma de reduzir a conta de combustíveis fósseis.

Em 2024, o Japão destinou cerca de 10,7 trilhões de ienes à importação de gás natural liquefeito e carvão, o equivalente a um décimo de todo o gasto do país com importações, em um cenário em que 60 a 70 por cento da geração elétrica ainda dependem dessas fontes.

Ao mesmo tempo, o governo projeta aumento de demanda de energia na próxima década, apesar do encolhimento populacional, devido à expansão acelerada de data centers de inteligência artificial de alto consumo elétrico.

A meta oficial é dobrar a participação da energia nuclear na matriz para cerca de 20 por cento até 2040, e a plena operação da maior usina nuclear do mundo é tratada como marco técnico e político para atingir esse objetivo.

Aceitação pública, novos projetos e alerta de especialistas

Analistas como Joshua Ngu, da consultoria Wood Mackenzie, consideram que a aceitação de Kashiwazaki Kariwa por parte da opinião pública será um “marco crucial” para o plano de retomada nuclear.

Em paralelo, a Kansai Electric Power iniciou estudos para um novo reator no oeste do país, o primeiro projeto totalmente novo desde 2011, sinalizando que a discussão sobre o futuro nuclear japonês não se restringe apenas à maior usina nuclear do mundo.

Ainda assim, o próprio governador Hanazumi, que apoiou o reinício, afirma desejar “uma era em que o Japão não precise depender de fontes de energia que geram ansiedade”, frase que evidencia o paradoxo central da política atual:

Usar a energia nuclear como ponte para descarbonizar a matriz e alimentar a economia digital, enquanto parte da população continua a ver na maior usina nuclear do mundo um lembrete permanente dos riscos de um novo desastre.

Diante desse histórico de Fukushima, dos protestos em Niigata e da pressão por mais eletricidade para data centers de inteligência artificial, você acha que o Japão acerta ao religar a maior usina nuclear do mundo ou assume um risco desnecessário em nome de energia e crescimento econômico?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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