Cientistas do Institute of Science Tokyo criam sistema óptico com LEDs e inteligência artificial capaz de fornecer energia sem fio a dispositivos IoT em ambientes internos, mesmo no escuro, reduzindo pilhas, cabos e resíduos eletrônicos
Pesquisadores do Japão desenvolveram um sistema que transmite energia de forma totalmente sem fio usando luz LED. A tecnologia surgiu no Institute of Science Tokyo e consegue alimentar sensores IoT em ambientes internos com estabilidade de até 5 metros, mesmo em locais com pouca luz ou escuridão total. O grupo afirma que a solução reduz o uso de pilhas, diminui a necessidade de cabos e ajuda a cortar resíduos eletrônicos.
Os cientistas explicam que o sistema utiliza visão por computador e inteligência artificial para localizar vários receptores ao mesmo tempo. A tecnologia identifica cada dispositivo, ajusta o feixe continuamente e mantém o fornecimento de energia sem pausas. O projeto surge como alternativa mais segura a lasers e métodos de radiofrequência.
A equipe lembra que o avanço se encaixa em um cenário de rápido crescimento de dispositivos conectados. Em 2025, o mundo deve registrar entre 20 e 21 bilhões de equipamentos IoT, com projeções que ultrapassam 40 bilhões antes de 2030. Cada sensor precisa de energia para funcionar, e depender de pilhas e cabos provoca custos e desafios de escala.
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Por que pilhas e cabos não acompanham o ritmo do IoT
Métodos tradicionais de alimentação, como baterias e cabeamento, começam a mostrar limites em redes IoT densas. As pilhas se esgotam, exigem trocas frequentes e geram resíduos perigosos. Em sensores pequenos e instalados em locais de difícil acesso, a manutenção se torna um problema constante.
O cabeamento também impõe barreiras. Ele fixa a posição dos dispositivos, complica reformas e aumenta gastos de instalação e manutenção. Em ambientes industriais, fios extras representam pontos de falha, riscos de acidentes e atrapalham rotinas de operação.
Com milhões de sensores medindo temperatura, presença, qualidade do ar ou funcionamento de máquinas, o simples gerenciamento das fontes de energia cria um obstáculo logístico e ambiental. Essa realidade impulsiona soluções que forneçam energia a distância, sem depender de trocas manuais.
O que a transmissão óptica sem fio oferece
A transmissão óptica de energia usa luz para enviar potência pelo ar. O receptor converte essa luz em eletricidade por meio de pequenos módulos fotovoltaicos instalados nos sensores. No lugar de tomadas ou fiação, há um emissor LED capaz de orientar o feixe com precisão.
Sistemas baseados em lasers foram os mais estudados até agora devido à alta densidade de potência. Porém, eles exigem cuidados rigorosos para proteger olhos e pele. Documentos internacionais como as diretrizes da ICNIRP e a norma IEC 60825-1 estabelecem limites de exposição que tornam o uso de lasers difícil em escritórios, casas e ambientes cotidianos.
Na União Europeia, a Diretiva 2006/25/CE também define normas de segurança para radiação óptica artificial. A transmissão por laser é possível, mas exige margens extremamente estreitas para evitar riscos.
Os LEDs oferecem vantagens importantes. Eles operam com menor densidade de potência, são mais fáceis de modular, duram mais e facilitam o cumprimento das normas de exposição. O desafio técnico era garantir potência suficiente em longas distâncias e estabilidade quando a iluminação do ambiente muda.
Como funciona o sistema LED com modo dia e noite
O sistema desenvolvido por Tomoyuki Miyamoto e Mingzhi Zhao enfrenta diretamente o problema das perdas a distância e das variações de luz do ambiente. A arquitetura usa três elementos centrais que trabalham juntos para identificar receptores e ajustar o feixe automaticamente.
Óptica adaptável com lente dupla
O emissor utiliza duas lentes que funcionam em conjunto. Uma lente líquida ajusta a distância focal conforme a necessidade. A outra molda o feixe final. Essa combinação altera o tamanho do ponto de luz de acordo com a distância e o tamanho do receptor fotovoltaico.
Em distâncias curtas, o feixe fica concentrado. A vários metros, ele se abre o suficiente para manter energia adequada sem ultrapassar limites de segurança. O ajuste ocorre mesmo em ambientes totalmente escuros.
Apontamento dinâmico com motores e câmera de profundidade
O feixe não permanece fixo. Ele é direcionado por um refletor motorizado que se movimenta nos eixos horizontal e vertical. Dois motores de passo controlam essa rotação. Uma câmera de profundidade com sensores RGB e infravermelho identifica onde está o receptor e detecta exatamente onde o feixe está chegando.
Essas informações permitem que o controlador reajuste o refletor em tempo real. Isso corrige desvios caso algo se mova no ambiente ou caso o receptor mude de posição. O alinhamento contínuo evita falhas na transmissão de energia.
Retrorefletores e visão computacional com IA
Cada receptor possui lâminas retrorefletoras que devolvem luz para a origem. Quando a câmera projeta luz infravermelha, essas lâminas criam um contorno bem marcado. Uma rede neural baseada no algoritmo SSD analisa esse formato.
A inteligência artificial identifica cada receptor, separa a área fotovoltaica ativa e ignora objetos do fundo. Esse processo dispensa menus, calibração manual ou ajustes complexos. O sistema opera de forma automática desde o primeiro uso.
Desempenho com vários dispositivos e distâncias diferentes
Nos testes de laboratório, o sistema auto OWPT alimentou receptores de tamanhos variados colocados em diferentes distâncias, alcançando até 5 metros. As medições foram feitas com o ambiente iluminado e também em escuridão total. A troca entre receptores ocorreu sem interrupções perceptíveis.
Essa característica permite que um único emissor instalado no teto energize vários equipamentos dentro da mesma área. Entre eles estão sensores de presença, pequenos atuadores, etiquetas inteligentes, botões de emergência e dispositivos médicos de baixa potência em quartos hospitalares. O sistema evita cabeamento e elimina recargas frequentes de baterias.
Como esse sistema se encaixa no ecossistema de energia sem fio
O avanço do grupo de Tokyo se soma a um cenário onde soluções ópticas já existem comercialmente. Algumas empresas utilizam infravermelho para alimentar fechaduras inteligentes ou painéis de informação com potências de centenas de miliwatts e alcances próximos a 10 metros.
Outros pesquisadores trabalham para manter a transmissão dentro de limites seguros de irradiância semelhantes aos adotados em fotobiomodulação. A ideia é oferecer energia útil sem ultrapassar limites recomendados para tecidos humanos.
A proposta de Miyamoto e Zhao se diferencia ao utilizar LEDs desde o início, integrar visão artificial e IA para acompanhamento dos receptores e mirar ambientes internos densos como fábricas inteligentes e escritórios. Com redes privadas 5G e plataformas de gestão IoT, o sistema pode atuar como mais um componente da infraestrutura de edifícios conectados.
Potencial em prédios, casas e fábricas
O benefício ambiental da tecnologia aparece na redução de desperdícios. Em vez de apostar em uma ruptura tecnológica, ela reduz quantidade de pilhas, deslocamentos para manutenção e necessidade de cabos.
Menos resíduos e menos manutenção
Grande parte do IoT usa pilhas de lítio ou alcalinas. Em centros comerciais e industriais, isso resulta em substituições constantes e resíduos perigosos. A OWPT permite criar dispositivos com baterias menores ou até sem baterias, usando armazenadores como supercapacitores. A redução de visitas de manutenção e transporte diminui impactos ambientais.
Sensores em locais antes inacessíveis
Sem cabos e sem trocas frequentes de pilhas, fica viável instalar sensores em espaços onde antes não valia a pena. Falsos tetos, cantos de depósitos, câmaras frias e áreas entre máquinas passam a receber monitoramento contínuo. Isso melhora o controle de iluminação, climatização e processos.
Prédios mais eficientes
Em escritórios, hospitais ou universidades, sensores alimentados por OWPT ajudam a ajustar ventilação conforme ocupação real, diminuir o fluxo de ar em áreas vazias, controlar luz natural e detectar falhas de isolamento. São funções existentes, mas que ganham alcance com energia sem fio.
Menos infraestrutura em ambientes industriais
Em fábricas, sensores identificam falhas em motores, compressores e linhas de produção. A OWPT reduz obras e cabos em locais com vibração, poeira ou risco de rompimento da fiação. Isso diminui interrupções e o uso de cobre.
Projeto responsável e seguro
Para que a tecnologia tenha impacto real, o sistema precisa considerar eficiência global, segurança de exposição à luz e cibersegurança. O emissor deve consumir menos energia do que a economia gerada pelo fim das pilhas. As instalações devem respeitar limites de exposição óptica em ambientes com trabalhadores por longos períodos. A integração digital precisa seguir padrões de segurança aplicados ao restante do IoT.
No conjunto, sistemas como o LED OWPT com IA apontam para um modelo de IoT sem pilhas em interiores. Eles permitem sensores discretos alimentados por um feixe de luz controlado com inteligência. Não resolvem toda a emergência climática, mas reduzem consumo e resíduos em um ponto crítico do IoT moderno. Em um mundo com bilhões de pequenos dispositivos, cada melhoria faz diferença.
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