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JBS vai fechar fábrica de carne bovina em fevereiro de 2026 e cortar 374 empregos enquanto escassez de gado pressiona mais os preços da carne nos Estados Unidos

Publicado el 15/12/2025 a las 10:36
JBS vai fechar fábrica de carne bovina nos Estados Unidos em 2026 por escassez de gado e aposta em couro natural para manter a reestruturação.
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Fábrica de carne bovina da JBS em Riverside, operada pela Swift Beef, será encerrada em 2 de fevereiro de 2026, com 374 demissões, realocação da produção, pressão da escassez de gado nos EUA e aposta em couro natural com a nova JBS VIVA, com secas prolongadas e importações mexicanas suspensas

A JBS confirmou que vai fechar, em 2 de fevereiro de 2026, a fábrica de carne bovina em Riverside, na Califórnia, região próxima a Los Angeles, nos Estados Unidos. O encerramento da unidade, operada pela subsidiária Swift Beef Company, deve eliminar 374 postos de trabalho e ocorre em um momento em que o mercado norte americano lida com queda histórica do rebanho bovino e escassez de gado.

Segundo a empresa, porém, a decisão faz parte de uma reorganização estratégica da JBS, com foco em simplificar operações, realocar a produção para outras plantas nos EUA e fortalecer o portfólio de produtos de maior valor agregado e prontos para consumo. A companhia afirma que os funcionários poderão concorrer a vagas em outras unidades do grupo, enquanto ajusta sua presença industrial no país.

JBS fecha unidade de Riverside e realoca produção

A planta que será encerrada em Riverside pertence à Swift Beef Company, subsidiária da JBS, e era dedicada ao processamento de carne bovina para venda em supermercados, sem realizar o abate de animais.

Ou seja, o local recebia carne já abatida e trabalhava na etapa final de preparação e porcionamento dos cortes.

Com o fechamento marcado para 2 de fevereiro de 2026, a produção será transferida para outras unidades da JBS nos Estados Unidos, de acordo com comunicado da empresa.

A companhia reforça que segue comprometida em fornecer produtos de alta qualidade e serviços confiáveis, ao mesmo tempo em que ajusta sua estrutura industrial para acompanhar as mudanças de demanda do mercado.

Para os 374 trabalhadores impactados, a JBS diz que abrirá a possibilidade de realocação interna, permitindo que disputem vagas em outras plantas do grupo.

Ainda assim, o encerramento de uma fábrica inteira tende a gerar apreensão na comunidade local de Riverside, que perde um empregador relevante ligado à cadeia da carne bovina.

Escassez de gado, carne recorde e pressão política nos EUA

Embora a JBS destaque a reestruturação estratégica como principal motivo da decisão, o fechamento da fábrica acontece em um cenário delicado para o mercado de carne americano.

Os Estados Unidos enfrentam queda histórica do rebanho bovino, afetado por períodos prolongados de seca, que comprometeram pastagens, e pela suspensão recente das importações de gado do México, um dos principais fornecedores externos do país.

Esse quadro levou os preços da carne bovina a níveis recordes em 2025, elevando o custo de vida dos consumidores e acendendo um alerta político em Washington.

O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu acusando frigoríficos de manipular preços e determinou investigações sobre a formação de valores no setor, o que aumentou a pressão sobre as grandes indústrias, entre elas a JBS.

A turbulência não atinge apenas a empresa brasileira. A Tyson Foods, outro gigante do setor, anunciou o fechamento de uma importante planta de abate em Nebraska, com cerca de 3.200 funcionários, em janeiro, sinalizando como a combinação de gado escasso, custos elevados e clima político tenso vem redesenhando o mapa industrial da carne bovina nos Estados Unidos.

Reestruturação da JBS e impacto para trabalhadores

Na comunicação oficial, a JBS busca afastar a ideia de que o fechamento da unidade de Riverside seja reação direta apenas à falta de gado.

A empresa insiste que se trata de uma decisão de reestruturação, voltada a simplificar a malha operacional, concentrar a produção em plantas consideradas mais estratégicas e reforçar o foco em produtos de maior valor agregado.

Ainda assim, o contexto de escassez de gado e carne cara cria a percepção de que o ambiente de negócios ficou mais desafiador. Para os trabalhadores, o efeito prático é imediato: 374 empregos serão cortados com o encerramento das atividades.

Mesmo com a possibilidade de migração para outras plantas da JBS, nem todos conseguirão manter o mesmo padrão de renda ou permanecer na mesma cidade.

A região de Riverside, próxima a Los Angeles, perde uma unidade industrial que ajudava a abastecer supermercados com carne bovina processada.

A realocação da produção para outras fábricas da JBS pode, no curto prazo, exigir ajustes logísticos e operacionais, enquanto a companhia tenta manter o abastecimento e a competitividade em um mercado pressionado por custos e por escrutínio regulatório.

Nova aposta da JBS: couro natural e JBS VIVA

Enquanto encerra uma fábrica de carne bovina, a JBS se movimenta em outra frente. A companhia prepara o lançamento da JBS VIVA, nova processadora de couro natural, projeto que surge após a aquisição da totalidade da Vanz Holding. A iniciativa faz parte de uma estratégia de diversificação do portfólio da JBS.

Com a JBS VIVA, a empresa mira produtos de maior valor agregado e mercados menos dependentes da oferta imediata de gado para abate, como os segmentos de couro voltados à indústria de móveis, calçados e automotiva.

A leitura interna é que, ao fortalecer negócios vinculados ao couro, a JBS cria novas fontes de receita e reduz a exposição a ciclos mais agressivos do mercado de carne in natura.

Na prática, a JBS tenta mostrar que o fechamento da unidade de Riverside, em fevereiro de 2026, é apenas um capítulo de uma reconfiguração mais ampla da companhia, que inclui tanto ajustes dolorosos, como as 374 demissões na Califórnia, quanto movimentos ofensivos em áreas consideradas estratégicas, como o couro natural.

E você, acha que a decisão da JBS de fechar a fábrica em Riverside faz sentido dentro dessa estratégia de reestruturação nos Estados Unidos?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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