Processo conta a Mitsubishi rende milhões a advogados
O mundo automotivo acaba de presenciar o desfecho de um dos imbróglios jurídicos mais curiosos dos últimos anos. A Mitsubishi Motors chegou a um acordo em uma ação coletiva envolvendo o SUV Outlander (modelo 2022), após anos de reclamações sobre capôs que vibravam excessivamente em altas velocidades. No entanto, o resultado final gerou polêmica: enquanto os advogados garantiram cifras milionárias, os proprietários receberam, essencialmente, a promessa de mais uma peça de reposição.
A origem do defeito: o “capô dançarino”
Tudo começou em dezembro de 2021, quando a Mitsubishi convocou um recall para o Outlander devido a uma falha estrutural. O problema era a falta de reforços na borda traseira do painel do capô. Em velocidades de rodovia, a pressão do ar que entrava no compartimento do motor fazia com que a peça oscilasse violentamente, um fenômeno conhecido como hood flutter.
Embora a marca tenha tentado uma solução inicial instalando novos parafusos de travamento e borrachas de vedação, o conserto foi considerado ineficaz por muitos clientes. Além da persistência da vibração, proprietários relataram que as peças de reposição enviadas pela fábrica frequentemente apresentavam tons de cor diferentes do restante da carroceria, afetando o valor de revenda dos veículos.
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A batalha judicial e o impacto no consumo
A ação coletiva alegava que o defeito não era apenas estético ou irritante, mas perigoso e caro. Segundo os documentos do processo, a turbulência gerada sob o capô prejudicava a aerodinâmica do SUV, resultando em uma queda perceptível na economia de combustível. Em um mercado que, em 2026, valoriza a eficiência energética acima de tudo, esse ponto pesou contra a montadora.
Apesar das evidências de insatisfação, a Mitsubishi negou formalmente que os painéis fossem “defeituosos” no sentido estrito da lei, defendendo a segurança do veículo. O acordo atual, portanto, foi visto como uma forma de encerrar o desgaste público da marca sem admitir culpa total.

Os números do acordo: quem realmente ganhou?
O desfecho do caso, anunciado agora em fevereiro de 2026, chamou a atenção pelos valores díspares. Os advogados que representaram os consumidores receberão US$ 1,75 milhão (aproximadamente R$ 8,7 milhões) em honorários. Já os donos dos veículos afetados terão direito a:
- Nova substituição do capô: Caso o problema persista mesmo após o primeiro reparo.
- Extensão de garantia: Um período adicional de apenas 6 a 18 meses para a peça nova, dependendo de quando o primeiro reparo foi feito.
- Compensação direta mínima: Alguns autores principais da ação receberão US$ 5.000, mas a vasta maioria dos membros da classe receberá apenas o serviço mecânico gratuito.
O próximo passo
A decisão final sobre o acordo depende de uma audiência de “equidade” agendada para o dia 3 de agosto de 2026. Até lá, os proprietários de Outlander 2022 continuam monitorando seus capôs em estradas de alta velocidade, esperando que a terceira tentativa de correção seja, enfim, a definitiva.
Para a indústria, o caso serve como um lembrete de que, na era das redes sociais e das ações coletivas, um pequeno erro de engenharia pode custar milhões de dólares em publicidade negativa e custos advocatícios, mesmo que a solução mecânica custe apenas algumas centenas de dólares por veículo.

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