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Lampreia-marinha invadiu os Grandes Lagos, derrubou a pesca e se alimenta de até 18 kg de peixe por adulto, mas foi contida em 90% e ainda resiste nos rios e tributários

Escrito por Carla Teles
Publicado el 26/01/2026 a las 14:30
Lampreia-marinha invadiu os Grandes Lagos, derrubou a pesca e se alimenta de até 18 kg de peixe por adulto, mas foi contida em 90% e ainda resiste nos rios e tributários
Lampreia-marinha nos Grandes Lagos: como o controle reduziu a invasão em 90% e por que ela ainda persiste em rios e tributários
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Nos Grandes Lagos, a lampreia-marinha invasora provocou uma crise na pesca e segue exigindo controle contínuo

A lampreia-marinha que chegou aos Grandes Lagos pressionou fortemente populações de peixes e ajudou a derrubar a pesca comercial e recreativa em partes do sistema. Em condições típicas da fase parasítica, um indivíduo pode destruir o equivalente a até cerca de 18 kg (40 lb) de peixes ao longo do seu período de alimentação, o que ajuda a explicar a escala do problema quando a população se expande.

Depois de décadas de pesquisa e manejo, o programa de controle reduziu as populações invasoras em cerca de 90% na maioria das áreas dos Grandes Lagos, e isso abriu espaço para a recuperação do ecossistema e da atividade pesqueira.

A pesca dos Grandes Lagos é frequentemente estimada em mais de 7 bilhões de dólares por ano, o que reforça por que a gestão da espécie segue sendo tratada como prioridade.

Mesmo com o avanço do controle, a espécie continua presente em rios e tributários, então a história ainda não terminou.

O que é a lampreia-marinha invasora

Lampreia-marinha nos Grandes Lagos: como o controle reduziu a invasão em 90% e por que ela ainda persiste em rios e tributários
Adult sea lamprey, Mara Koenig/USFWS, Public Domain, https://www.fws.gov/media/adult-sea-lamprey-0

As lampreias-marinhas invasoras pertencem a uma antiga família de peixes sem mandíbula que existe desde antes dos dinossauros.

Elas têm um corpo alongado, semelhante ao de uma enguia, podem ultrapassar 30 centímetros de comprimento e chamam atenção pela boca circular repleta de fileiras de dentes.

Essa anatomia permite que elas se prendam ao peixe com uma boca em forma de ventosa e se alimentem principalmente de fluidos corporais, o que enfraquece o hospedeiro e pode levar à morte, especialmente em espécies que não evoluíram com esse tipo de pressão.

Em sistemas fechados como os Grandes Lagos, onde a fauna nativa não evoluiu com esse tipo de predador, o impacto é devastador.

Originalmente, a lampreia-marinha vivia no Oceano Atlântico. Durante muito tempo, as Cataratas do Niágara atuaram como uma barreira natural que impedia que essa espécie subisse para os Grandes Lagos Superiores.

A situação mudou quando novas rotas de navegação foram construídas para contornar as cataratas, abrindo caminho para que a lampreia-marinha invadisse novas bacias.

Como a lampreia-marinha invadiu os Grandes Lagos e derrubou a pesca

Video de YouTube

A partir do final do século XIX, a espécie invadiu os Grandes Lagos e passou a se espalhar pelo sistema de forma silenciosa.

Na década de 1930, os registros já mostravam que os peixes invasores haviam infestado todos os Grandes Lagos Superiores, estabelecendo populações em ritmo difícil de controlar.

Os danos foram muito além de peixes isolados mortos. A lampreia-marinha perturba severamente as populações de peixes nativos e compete por recursos em um ambiente que não está preparado para sua presença.

Antes da invasão, lagos como Huron, Michigan e Superior eram famosos por seus peixes de água fria de grande porte e excelente qualidade, sustentando uma pesca comercial altamente lucrativa.

Na década de 1940, a truta-do-lago sozinha respondia por uma captura comercial média de 7 mil toneladas por ano. Com o avanço da lampreia-marinha que invadiu os Grandes Lagos, essas populações começaram a entrar em colapso.

A pressão predatória levou a um declínio tão drástico que a temporada de pesca teve de ser encerrada em 1962, após o colapso completo das populações de truta-do-lago em várias áreas.

Essa sequência de eventos mostra como uma única espécie invasora que invadiu os Grandes Lagos foi capaz de derrubar uma economia inteira baseada na pesca, afetando empregos, comunidades ribeirinhas e todo o equilíbrio ecológico da região.

A virada com os lampricidas e a recuperação dos peixes

Diante da crise gerada pela espécie que invadiu os Grandes Lagos, autoridades e cientistas organizaram uma resposta coordenada.

Sob a liderança da Comissão de Pesca dos Grandes Lagos, foi lançado na década de 1950 um grande esforço de controle químico focado nas fases mais vulneráveis da lampreia-marinha.

Os pesquisadores testaram quase 6 mil compostos químicos em busca de uma substância capaz de atingir as larvas de lampreia-marinha sem causar danos significativos a outras espécies.

O resultado desse trabalho foi a identificação do 3-trifluorometil-4-nitrofenol, um lampricida conhecido como TFM, que passou a ser o principal produto utilizado no controle.

Biólogos aplicam o TFM em riachos infestados ao redor dos Grandes Lagos, locais onde as larvas se desenvolvem antes de migrar para as áreas abertas.

Os efeitos foram rápidos e profundos. No início da década de 1960, os tratamentos com TFM reduziram as populações de lampreia-marinha em cerca de 90% em muitas áreas e possibilitaram a recuperação de populações autossustentáveis de truta-do-lago nativa na parte superior da região.

Esse resultado foi decisivo para que o sistema onde a lampreia-marinha invadiu os Grandes Lagos não permanecesse em colapso permanente.

Com menos predadores invasores, peixes nativos tiveram chance de se restabelecer, e a economia pesqueira começou a se reerguer até atingir o patamar atual de bilhões de dólares anuais.

Por que você não vê a espécie, mas o risco continua

Lampreia-marinha nos Grandes Lagos: como o controle reduziu a invasão em 90% e por que ela ainda persiste em rios e tributários
Imagem: Ted Treska/USFWS, Public Domain,

Muita gente que vive ou visita a região hoje pode nem imaginar que uma espécie que invadiu os Grandes Lagos já esteve no centro de uma crise tão grave.

Uma das razões é justamente a eficácia do controle. Os lampricidas como o TFM são seletivamente tóxicos para a lampreia-marinha, o que permite reduzir suas populações sem causar um impacto generalizado no ecossistema.

Embora alguns peixes, insetos e plantas de folhas largas também sejam sensíveis, o TFM é utilizado há mais de 60 anos e se degrada naturalmente no ambiente, o que evita bioacumulação.

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) considera que o produto, usado corretamente, não representa um risco inaceitável para a população em geral e para o meio ambiente.

Mesmo assim, cientistas e gestores sabem que a eliminação completa da espécie que invadiu os Grandes Lagos é improvável. As estratégias atuais combinam:

  • tratamento contínuo com lampricidas em riachos infestados
  • uso de barreiras mecânicas e elétricas para impedir a subida de lampreias
  • monitoramento constante das populações invasoras e dos peixes nativos

À medida que os esforços de restauração da truta-do-lago se expandem, o controle da lampreia-marinha permanece prioridade.

A Comissão de Pesca dos Grandes Lagos coordena e financia a gestão em toda a região, enquanto o Departamento de Pesca e Oceanos do Canadá responde pela parte canadense das águas.

O objetivo é manter sob controle a espécie que invadiu os Grandes Lagos e evitar um novo colapso ecológico.

Invasora x nativas: nem toda lampreia é vilã

Um ponto importante dessa história é que a lampreia-marinha invasora não é a única lampreia existente na região. Há lampreias nativas que fazem parte do ecossistema local e não provocam os mesmos efeitos devastadores sobre as populações de peixes.

Enquanto o foco do controle é a espécie que invadiu os Grandes Lagos, essas espécies nativas precisam continuar existindo para manter o equilíbrio natural.

Além disso, há trabalhos em andamento para restaurar a lampreia-do-pacífico nativa na Costa Oeste, mostrando como o manejo é sempre específico para cada espécie e cada ecossistema. Em um lugar, uma lampreia pode ser vilã; em outro, é peça importante da biodiversidade.

Essa diferença ajuda a entender por que o caso da lampreia-marinha que invadiu os Grandes Lagos virou um símbolo dos desafios impostos por espécies invasoras.

Uma vez que atravessam barreiras naturais e encontram um ambiente sem defesas adaptadas, podem causar danos em cadeia, da pesca à economia e à cultura das comunidades que vivem da água.

No fim, a história da lampreia-marinha que invadiu os Grandes Lagos é também um alerta sobre como decisões humanas, como abrir canais e rotas de navegação, podem criar caminhos inesperados para invasores que mudam para sempre um ecossistema inteiro.

Quer saber mais? As Estações Biológicas de Marquette e Ludington, em Michigan, executam o Programa de Controle da Lampreia-marinha; explore as páginas oficiais para ver como o monitoramento e as ações de campo são feitos.

Você acha que a experiência com a lampreia-marinha que invadiu os Grandes Lagos deveria servir de lição para outras regiões do mundo que ainda subestimam o impacto de espécies invasoras na pesca e nos rios?

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Alessandra Cordeiro de Oliveira
Alessandra Cordeiro de Oliveira
01/02/2026 08:01

Sim porque isso ajuda na prevenção!

Nunes
Nunes
29/01/2026 11:19

Como um peixe de 30 cm come 18 kg de peixe ?

Última edição em 1 mês atrás por Nunes
Tercete
Tercete
29/01/2026 10:57

Parece que o texto foi escrito por uma criança de 10 anos. Precisa repetir o msm texto (lampreia-marina que invadiu os Grandes Lagos) 50x??

Edileuza M Da S.Soares ( Leuza Soares)
Edileuza M Da S.Soares ( Leuza Soares)
Em resposta a  Tercete
30/01/2026 20:59

São importantes e necessárias as informações, porém as repetições, tornou-se um pouco cansativa de se ouvir…

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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