Disputa pelo fornecimento de sistemas BESS avança enquanto governo define regras e indústria projeta até R$ 77 bilhões até 2034
Fabricantes chinesas ampliam presença no Brasil e, ao mesmo tempo, intensificam articulações para disputar o leilão de baterias previsto pelo governo federal.
O movimento ocorre porque o país se prepara para contratar sistemas de armazenamento de energia (BESS) em larga escala nos próximos anos.
Segundo a Absae, associação do setor, o segmento pode atrair R$ 45 bilhões até 2030 e, posteriormente, R$ 77 bilhões até 2034.
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Além disso, conforme estimativas divulgadas pela entidade, apenas o certame organizado pelo Ministério de Minas e Energia pode movimentar R$ 13,9 bilhões.
Ainda que as diretrizes finais não tenham sido oficialmente publicadas, o ministro Alexandre Silveira, em 2024, sinalizou possibilidade de realização em abril.
A previsão considera contratação de 2 GW, com entrega a partir de agosto de 2028, por quatro horas diárias.
Empresas globais organizam estratégias comerciais
Enquanto o governo define os parâmetros regulatórios, empresas estruturam estratégias para garantir espaço no fornecimento.
De um lado, participam gigantes chinesas como Sungrow, BYD, CATL, Huawei, Jinko, JA Solar, TBEA, Risen e Pylontech.
De outro lado, concorrem brasileiras como WEG, Moura e UCB Power.
Além delas, também disputam mercado GE Vernova, Tesla e Ingeteam.
Conforme informações publicadas pela Folha, fabricantes chinesas pretendem atuar exclusivamente como fornecedoras de BESS.
Assim, não deverão integrar consórcios com participantes do leilão.
Executivos afirmam que a estratégia consiste em firmar parcerias com vencedores e, posteriormente, fornecer os sistemas contratados.
Presença no Brasil fortalece posicionamento competitivo
Nesse contexto, até a primeira semana de fevereiro, a Sungrow relatou diálogo com 37 empresas interessadas.
Ao mesmo tempo, a Huawei manteve conversas com aproximadamente 30 potenciais participantes.
Já a TBEA informou contato com 80 empresas.
Segundo Rodrigo Marchezini, diretor da Risen no Brasil, a companhia atua no mercado solar brasileiro desde 2012.
Agora, neste mês, entregará seus primeiros sistemas de armazenamento no país, totalizando 20 MWh.
Globalmente, a empresa possui 6 GWh instalados.
Por sua vez, conforme dados da S&P Global, a Sungrow soma 40 GWh instalados e 50 GWh contratados no mundo.
Desse total, cerca de 10 GWh estão na América Latina, principalmente no Chile.
Além disso, segundo Roberto Valer, CTO da Huawei Digital Power no Brasil, a empresa comercializou 400 MWh no país, com 100 MWh já instalados.
Em setembro, a companhia firmou parceria com a prefeitura de São Paulo para instalar baterias capazes de abastecer 120 ônibus elétricos.
Custos internacionais pressionam indústria nacional
Entretanto, a forte presença chinesa gera debate sobre competitividade.
Segundo levantamento da BloombergNEF, os BESS chineses custam US$ 73 por kWh, enquanto europeus alcançam US$ 177 e americanos US$ 219.
Embora a consultoria não tenha mensurado preços brasileiros, fontes do setor indicam valores superiores aos chineses.
Além disso, no início de fevereiro, o governo federal elevou o imposto de importação desses sistemas de 16% para 20%.
Como parte dos componentes nacionais também é importada, o impacto pode atingir toda a cadeia produtiva.
Conforme afirmou Rafael Rabioglio, chefe da BloombergNEF na América Latina, a China mantém vantagem global em escala e custos de produção.
Capacidade financeira amplia competitividade
Além da disputa tecnológica, pesa também a força financeira.
A TBEA faturou 96 bilhões de yuans em 2024, valor quase duas vezes superior ao registrado pela WEG no mesmo período.
Inclusive, a companhia avalia oferecer financiamento a grandes clientes interessados no leilão.
Nesse modelo, os equipamentos seriam entregues inicialmente e o pagamento ocorreria após o início da operação da planta.
Para fornecer 500 MWh, o investimento estimado seria de US$ 50 milhões.
Diante desse cenário, o leilão de baterias no Brasil consolida-se como movimento estratégico no setor elétrico e, ao mesmo tempo, reorganiza a disputa entre fabricantes nacionais e internacionais.
Considerando a dimensão financeira, técnica e regulatória envolvida, qual será o real impacto desse certame no futuro do armazenamento de energia no país?

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