1. Início
  2. / Geração de Energia
  3. / Leilão de baterias no Brasil pode movimentar R$ 13,9 bilhões e atrair gigantes chinesas como BYD, CATL, Sungrow e Huawei no mercado de armazenamento de energia
Tempo de leitura 3 min de leitura Comentários 0 comentários

Leilão de baterias no Brasil pode movimentar R$ 13,9 bilhões e atrair gigantes chinesas como BYD, CATL, Sungrow e Huawei no mercado de armazenamento de energia

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 23/02/2026 às 11:15
Atualizado em 23/02/2026 às 11:17
Linha de montagem de baterias com técnicos em sala limpa realizando inspeção de módulos BESS em fábrica de armazenamento de energia.
Técnicos trabalham na montagem e inspeção de módulos de armazenamento de energia em linha automatizada, em ambiente industrial de alta precisão.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Disputa pelo fornecimento de sistemas BESS avança enquanto governo define regras e indústria projeta até R$ 77 bilhões até 2034

Fabricantes chinesas ampliam presença no Brasil e, ao mesmo tempo, intensificam articulações para disputar o leilão de baterias previsto pelo governo federal.

O movimento ocorre porque o país se prepara para contratar sistemas de armazenamento de energia (BESS) em larga escala nos próximos anos.

Segundo a Absae, associação do setor, o segmento pode atrair R$ 45 bilhões até 2030 e, posteriormente, R$ 77 bilhões até 2034.

Além disso, conforme estimativas divulgadas pela entidade, apenas o certame organizado pelo Ministério de Minas e Energia pode movimentar R$ 13,9 bilhões.

Ainda que as diretrizes finais não tenham sido oficialmente publicadas, o ministro Alexandre Silveira, em 2024, sinalizou possibilidade de realização em abril.

A previsão considera contratação de 2 GW, com entrega a partir de agosto de 2028, por quatro horas diárias.

Empresas globais organizam estratégias comerciais

Enquanto o governo define os parâmetros regulatórios, empresas estruturam estratégias para garantir espaço no fornecimento.

De um lado, participam gigantes chinesas como Sungrow, BYD, CATL, Huawei, Jinko, JA Solar, TBEA, Risen e Pylontech.

De outro lado, concorrem brasileiras como WEG, Moura e UCB Power.

Além delas, também disputam mercado GE Vernova, Tesla e Ingeteam.

Conforme informações publicadas pela Folha, fabricantes chinesas pretendem atuar exclusivamente como fornecedoras de BESS.

Assim, não deverão integrar consórcios com participantes do leilão.

Executivos afirmam que a estratégia consiste em firmar parcerias com vencedores e, posteriormente, fornecer os sistemas contratados.

Presença no Brasil fortalece posicionamento competitivo

Nesse contexto, até a primeira semana de fevereiro, a Sungrow relatou diálogo com 37 empresas interessadas.

Ao mesmo tempo, a Huawei manteve conversas com aproximadamente 30 potenciais participantes.

Já a TBEA informou contato com 80 empresas.

Segundo Rodrigo Marchezini, diretor da Risen no Brasil, a companhia atua no mercado solar brasileiro desde 2012.

Agora, neste mês, entregará seus primeiros sistemas de armazenamento no país, totalizando 20 MWh.

Globalmente, a empresa possui 6 GWh instalados.

Por sua vez, conforme dados da S&P Global, a Sungrow soma 40 GWh instalados e 50 GWh contratados no mundo.

Desse total, cerca de 10 GWh estão na América Latina, principalmente no Chile.

Além disso, segundo Roberto Valer, CTO da Huawei Digital Power no Brasil, a empresa comercializou 400 MWh no país, com 100 MWh já instalados.

Em setembro, a companhia firmou parceria com a prefeitura de São Paulo para instalar baterias capazes de abastecer 120 ônibus elétricos.

Custos internacionais pressionam indústria nacional

Entretanto, a forte presença chinesa gera debate sobre competitividade.

Segundo levantamento da BloombergNEF, os BESS chineses custam US$ 73 por kWh, enquanto europeus alcançam US$ 177 e americanos US$ 219.

Embora a consultoria não tenha mensurado preços brasileiros, fontes do setor indicam valores superiores aos chineses.

Além disso, no início de fevereiro, o governo federal elevou o imposto de importação desses sistemas de 16% para 20%.

Como parte dos componentes nacionais também é importada, o impacto pode atingir toda a cadeia produtiva.

Conforme afirmou Rafael Rabioglio, chefe da BloombergNEF na América Latina, a China mantém vantagem global em escala e custos de produção.

Capacidade financeira amplia competitividade

Além da disputa tecnológica, pesa também a força financeira.

A TBEA faturou 96 bilhões de yuans em 2024, valor quase duas vezes superior ao registrado pela WEG no mesmo período.

Inclusive, a companhia avalia oferecer financiamento a grandes clientes interessados no leilão.

Nesse modelo, os equipamentos seriam entregues inicialmente e o pagamento ocorreria após o início da operação da planta.

Para fornecer 500 MWh, o investimento estimado seria de US$ 50 milhões.

Diante desse cenário, o leilão de baterias no Brasil consolida-se como movimento estratégico no setor elétrico e, ao mesmo tempo, reorganiza a disputa entre fabricantes nacionais e internacionais.

Considerando a dimensão financeira, técnica e regulatória envolvida, qual será o real impacto desse certame no futuro do armazenamento de energia no país?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x