Espécie trazida para reflorestamento agora desafia municípios de norte a sul
A Leucaena leucocephala, conhecida como leucena, chegou ao Brasil na década de 1940 como solução para reflorestar áreas degradadas.
Ela também foi utilizada para alimentar rebanhos. No entanto, seu rápido crescimento e capacidade de adaptação transformaram essa planta exótica em uma praga ambiental.
Ela ameaça diretamente a biodiversidade. De norte a sul, estados e prefeituras criam leis e planos de erradicação para conter sua expansão.
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Controle se intensifica em Campo Grande
Em Campo Grande, a Prefeitura anunciou o Plano de Erradicação e Substituição da Planta Exótica Leucena.
A medida proíbe o plantio, transporte, comércio e produção da espécie. Além disso, aplica multa de R$ 1 mil a infratores.
Árvores de leucena dominam margens de córregos e rodovias, como a BR-262. Elas escondem a paisagem natural do Pantanal.
A superintendente estadual do Ibama, Joanice Battilani, relatou que a planta impede a germinação de espécies nativas.
Segundo Joanice, o manejo deve seguir normas técnicas específicas. Isso garante segurança viária durante as ações de remoção.
Fernando de Noronha luta contra invasão
No arquipélago de Fernando de Noronha, onde a conservação ambiental é prioridade, a leucena chegou na década de 1940.
Na época, foi trazida para alimentar animais e também servir como lenha.
Ele destaca que o ICMBio mantém um plano rigoroso de controle. Isso inclui corte de árvores e remoção de plântulas germinadas.
Para restaurar áreas invadidas, a instituição investe no plantio de espécies nativas. Em ilhas, o impacto de invasoras é ainda maior.
Municípios ampliam ações de erradicação
Cidades como Aracaju, Sorocaba, Caçapava e Piracicaba intensificam ações de remoção da leucena, além de criarem estratégias mais eficazes.
Em Aracaju, desde 2021, sempre é realizado cortes sucessivos; no entanto, a leucena rebrotava, o que exige monitoramento constante.
Por isso, em Piracicaba, o maior desafio concentra-se nas margens do Rio Piracicaba, onde a planta, portanto, forma um “deserto verde”.
Ali, a leucena ameaça a vida animal, mas a Prefeitura, em junho de 2024, capacitou 50 agentes para conter o avanço.
Felipe Del Lama, engenheiro agrônomo, destacou a importância de mudas de qualidade, já que isso torna o reflorestamento mais eficiente.
Assim, especialistas alertam que o manejo contínuo é indispensável, pois a planta se dispersa com facilidade se não houver ação.
Lamartine Oliveira, coordenador da Universidade Federal do Ceará, enfatiza que a leucena, portanto, foi introduzida como forrageira.
Ela também foi usada para recuperar solos; entretanto, faltaram critérios técnicos, de modo que o problema se espalhou.
Ele ressalta que erradicação total é inviável; por isso, o controle, além da fiscalização, torna-se essencial.
Para Lamartine, o combate deve unir educação ambiental, legislação restritiva e fiscalização intensiva, visto que isso protege a biodiversidade.
No Rio Grande do Sul, a espécie está listada desde 2013 como invasora pela Sema; portanto, há estudos comprovando prejuízos.
Pesquisas mostraram redução de espécies nativas em áreas ocupadas, o que impacta a fauna local e fragiliza o ecossistema.
A secretaria estadual informa que a leucena altera a vegetação; além disso, prejudica animais que dependem de plantas nativas.
Com tantos desafios, especialistas reforçam que, embora tenha havido erro técnico histórico, é essencial engajar a comunidade local.
Além disso, é preciso aplicar legislações claras, manter vigilância constante e, assim, proteger a biodiversidade brasileira de novas invasões.
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