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Lontras-marinhas estão sendo reintroduzidas após ouriços explodirem e devastarem as florestas de algas com queda média de 51% entre 2014 e 2020 e desaparecimento acima de 95% em alguns trechos; o plano é controverso, parece último recurso e pode redesenhar a recuperação da costa

Publicado em 05/01/2026 às 00:38
Atualizado em 06/01/2026 às 15:26
Lontras-marinhas voltam às florestas de algas para controlar ouriços-do-mar, restaurar o ecossistema costeiro e impulsionar a recuperação marinha.
Lontras-marinhas voltam às florestas de algas para controlar ouriços-do-mar, restaurar o ecossistema costeiro e impulsionar a recuperação marinha.
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Lontras-marinhas são reintroduzidas na Baía de Monterey, na costa central da Califórnia, depois que a síndrome do definhamento das estrelas-do-mar em 2013 abriu caminho para ouriços devastarem as florestas de algas. Entre 2014 e 2020, a área caiu 51% e, em trechos, sumiu 95%. Plano é controverso, considerado último recurso.

As Lontras-marinhas estão sendo devolvidas ao oceano na Baía de Monterey, na Califórnia, depois que entre 2014 e 2020 a área de florestas de algas gigantes diminuiu em média 51% e, em partes do litoral do norte do estado, mais de 95% dessas florestas desapareceram.

A crise ganhou velocidade após 2013, quando a síndrome do definhamento das estrelas-do-mar se espalhou e eliminou milhões de estrelas-do-mar, incluindo a estrela-do-mar girassol, que mantinha os ouriços sob controle. Com o desequilíbrio, os ouriços explodiram e a Califórnia foi forçada a apostar no retorno das Lontras-marinhas, em uma decisão que divide opiniões.

Baía de Monterey e as florestas de algas que sustentam a costa

A Baía de Monterey fica na costa central da Califórnia, onde águas frias e correntes ricas em nutrientes criam um dos ecossistemas marinhos mais produtivos dos Estados Unidos.

Nesse cenário, as florestas de algas funcionam como “catedrais verdes” do Pacífico: formadas pela maior alga marrom do mundo, elas podem atingir até 60 metros e criam um habitat tridimensional que abriga centenas de espécies.

Além de abrigar vida, essas florestas ajudam a enfraquecer ondas e correntes, reduzindo erosão e protegendo o litoral.

Também filtram a água do mar e têm papel relevante no ciclo do carbono, capturando CO2 em taxas que podem superar muitos ecossistemas florestais terrestres.

O colapso em poucos anos e o alerta dos números

Nos últimos anos, o que era considerado um sistema resiliente entrou em colapso em ritmo acelerado.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Hidrográfica e a Administração Atmosférica citadas no material, entre 2014 e 2020 a área de florestas de algas gigantes na Baía de Monterey caiu em média 51%.

Em muitas regiões ao longo do norte do litoral da Califórnia, mais de 95% das florestas de algas desapareceram completamente, deixando para trás fundos marinhos rochosos e expostos.

O que chama atenção não é apenas a escala, mas a velocidade, descrita como uma ruptura ocorrida em poucos anos.

A doença das estrelas-do-mar e o efeito dominó que abriu caminho aos ouriços

O texto aponta um gatilho central: em 2013, uma doença conhecida como síndrome do definhamento das estrelas-do-mar se espalhou ao longo da costa do Pacífico da América do Norte, causando mortes em massa em curto período.

Cientistas do Aquário da Baía de Monterey relatam que milhões de estrelas-do-mar desapareceram, incluindo a estrela-do-mar girassol, espécie-chave no ecossistema.

Antes do surto, essas estrelas-do-mar atuavam como guardiãs ecológicas, mantendo populações de ouriços-do-mar sob controle.

Quando esse elo crucial sumiu, o sistema que parecia estável por décadas perdeu o freio, e os ouriços passaram de herbívoros comuns a força destrutiva no fundo do mar.

Ouriços explodem e transformam floresta em “barão” estéril

Sem predadores naturais suficientes, os ouriços se multiplicaram sem restrição. Em partes da Baía de Monterey, a densidade teria ultrapassado 100 indivíduos por 10 pés quadrados, chegando a níveis até 60 vezes acima do natural em algumas áreas.

Com mandíbulas e comportamento de alimentação voltado à base da alga, os ouriços roeram estruturas de fixação que ancoram as algas às rochas, derrubando florestas inteiras e criando áreas estéreis, onde algas jovens não conseguem mais se estabelecer.

Foi essa explosão de ouriços que empurrou a Califórnia para o retorno das Lontras-marinhas.

Ações humanas e o “século de erros” que fragilizou o sistema

A base afirma que a devastação não é apenas fruto da doença.

Ela teria sido potencializada por erros acumulados ao longo dos séculos: pesca em larga escala teria reduzido espécies que se alimentam de ouriços, como peixe-rocha e bacalhau, enquanto as Lontras-marinhas foram caçadas quase até a extinção por causa da pele.

Com essas camadas de controle natural desmontadas, o ecossistema teria persistido por décadas em um “equilíbrio falso”.

Quando a doença das estrelas-do-mar atingiu, o choque expôs a fragilidade e acelerou o colapso das florestas de algas.

Por que Lontras-marinhas entram como “mecanismo” de autorregulação

Nos ecossistemas costeiros, as Lontras-marinhas são descritas como os predadores naturais mais eficazes de ouriços-do-mar.

Elas mergulham, arrastam a presa do fundo, flutuam de costas e usam pedras como ferramenta para quebrar conchas, comportamento incomum entre animais marinhos.

A base destaca um dado de apetite: cada lontra pode consumir até 25% do próprio peso corporal por dia.

Onde os ouriços estão abundantes, as Lontras-marinhas se concentram neles como fonte principal de alimento, e pesquisas citadas indicam que, nessas áreas, a biomassa de ouriços cai drasticamente, abrindo espaço para que algas jovens se fixem e reconstruam a floresta.

Limites do “último recurso”: onde as Lontras-marinhas não resolvem sozinhas

Apesar da eficácia, o material ressalta que o retorno das Lontras-marinhas não resolve tudo. Em áreas onde as florestas de algas desapareceram completamente, o fundo do mar virou rocha nua, e os ouriços sobrevivem em estado de fome.

Nesse cenário, as Lontras-marinhas caçam menos ouriços porque a energia para capturá-los excede o valor nutricional oferecido.

A conclusão apresentada é direta: Lontras-marinhas são condição necessária, mas não suficiente. Elas protegem florestas remanescentes e ajudam a manter o sistema em equilíbrio, mas não conseguem, sozinhas, regenerar ecossistemas já apagados.

Intervenção humana: remoção manual de ouriços no fundo do mar

Diante do limite, a base relata que mergulhadores e voluntários passaram a intervir diretamente em áreas rochosas estéreis, removendo ouriços manualmente ou com ferramentas.

O trabalho é feito local a local, exige cuidado por causa dos espinhos e precisa ser repetido para reduzir a densidade a níveis aceitáveis.

A eficácia, segundo o texto, está mais na precisão do que na velocidade.

Onde a remoção é consistente, os números de ouriços caem em poucos meses e surgem sinais de recuperação das algas, criando condições para que a natureza e as Lontras-marinhas sustentem o restante do processo.

Efeito colateral relevante: Lontras-marinhas e o caranguejo-verde europeu

O material também cita um possível benefício adicional do retorno das Lontras-marinhas: elas podem ajudar a controlar o caranguejo-verde europeu, descrito como espécie invasora agressiva, que teria chegado pela água de lastro e se espalhado por estuários e pântanos costeiros.

Como as Lontras-marinhas frequentemente buscam alimento em estuários e águas salobras, exatamente onde esses caranguejos se concentram, elas funcionariam como barreira biológica, reduzindo a pressão sobre leitos de ostras, pradarias de ervas marinhas e organismos juvenis.

O programa de “mães substitutas” e a taxa de sobrevivência após soltura

Para reintroduzir Lontras-marinhas, o texto afirma que não basta libertá-las. Filhotes órfãos criados por humanos tendem a perder instintos críticos e não sobreviver na natureza.

Por isso, o Aquário da Baía de Monterey desenvolveu uma iniciativa de mães substitutas: filhotes órfãos são emparelhados com uma fêmea adulta que não pode ser liberada por limitações de saúde.

Essas mães ensinariam habilidades essenciais, como higiene, manutenção de temperatura, natação, mergulho e uso de pedras como ferramenta.

Para evitar que filhotes se acostumem com humanos, o contato é minimizado. Com isso, o material afirma que as taxas de sobrevivência após a soltura ultrapassaram 75%, superiores a esforços anteriores.

Você é a favor de reintroduzir Lontras-marinhas como último recurso, mesmo com controvérsia, ou acha que a intervenção humana direta deveria ser o foco principal nessa recuperação da costa?

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Carmelita Ribeiro
Carmelita Ribeiro
06/01/2026 17:41

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Adriana Saade
Adriana Saade
06/01/2026 16:43

O ser humano na sua ignorância e falta de empatia com outros seres vivos, não só p/ c/ os animais, eliminam, matam até quase sua total extinção, poluem, não sabem respeitar o espaço de outros seres vivos até serem prejudicados. Daí tentam consertar. Onde existe programa de recuperação de áreas destruídas deveriam gastar um pouco mais de investimento para a divulgação nas escolas e até tvs para o público saber o q está ocorrendo no planeta.

Adriana Saade
Adriana Saade
06/01/2026 16:31

Gostei de saber o q está ocorrendo na baía de Monterey/Ca, e ao mm tempo triste. Ñ tem pedaço do planeta onde a Natureza não esteja sendo destruída por causa do homem.
Se é o homem q destrói, é o homem q tem q consertar.

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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