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Luciano Hang revela como a Havan passou pelo caos do Plano Sarney, quando ele saiu da Renault e descobriu que “não tinha produto para vender”, buscou tecido em Rio de Janeiro, pegou empréstimo de 250 mil, encheu carretas e já mirava importação pioneira de China, Coreia do Sul e Taiwan

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 17/02/2026 a las 14:01
Actualizado el 17/02/2026 a las 14:03
Luciano Hang detalha como a Havan atravessou o Plano Sarney após deixar a Renault, montando rota de compra no Rio de Janeiro, com empréstimo e logística para não ficar sem produto em Brusque.
Luciano Hang detalha como a Havan atravessou o Plano Sarney após deixar a Renault, montando rota de compra no Rio de Janeiro, com empréstimo e logística para não ficar sem produto em Brusque.
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A compra de tecido no Rio de Janeiro, um empréstimo de 250 mil e a ausência de produto após o Plano Sarney aparecem como o ponto de virada citado por Luciano Hang para erguer a Havan, ainda jovem, após deixar a Renault e arriscar tudo em Brusque, em Santa Catarina.

Luciano Hang costuma descrever o nascimento da Havan como uma reação a um tipo de vazio que assusta qualquer comerciante: portas abertas, clientes chegando e, de repente, nenhum produto para vender. No cenário do Plano Sarney, ele afirma que decidiu sair da Renault e apostar na própria operação, mesmo sem garantia de abastecimento.

O que parece apenas uma história de origem, na prática, vira um retrato de como decisões de compra, logística e timing se tornam centrais quando a economia distorce preços e esgota estoques. A Havan começou pequena, mas com uma obsessão por reposição, e a rota até o Rio de Janeiro entrou no mapa como solução imediata para uma escassez que não se resolvia em Brusque.

O dia em que o estoque sumiu e o Plano Sarney virou teste de nervos

Na reconstrução feita por Luciano Hang, o Plano Sarney não aparece como conceito acadêmico, e sim como um choque cotidiano: fornecedores batendo a porta, prazos empurrados para “o ano que vem” e a sensação de que a vitrine podia ficar bonita, mas vazia.

Para ele, a passagem pela Renault ajudou a enxergar o problema de forma crua, porque tabelas e limites de preço também travavam ajustes quando custos mudavam.

Sem alternativas na região, Luciano Hang relata que a saída foi procurar tecido onde ainda existia oferta, e o Rio de Janeiro surge como destino direto, com fábricas e lojas de fábrica que abasteciam um mercado maior.

Ali, a Havan começa a se desenhar como operação de compra agressiva, feita para trazer variedade e volume para Brusque num momento em que “não tinha produto para vender” virava regra, não exceção.

Empréstimo de 250 mil e carretas cheias para não perder o ritmo

O valor citado por Luciano Hang é objetivo: um empréstimo de 250 mil, tomado para aproveitar uma janela rara de disponibilidade e transformar estoque em sobrevivência.

A lógica era simples e arriscada: se a mercadoria existia no Rio de Janeiro, ela precisava chegar a Brusque rápido, mesmo sem estrutura pronta para armazenar tudo.

O improviso aparece como parte do método. Segundo o relato, as carretas chegaram em volume tão grande que a Havan não tinha onde colocar tudo e recorreu a espaço cedido por uma transportadora local, a Brusqueville, deixando tecido “na transportadora” e abastecendo a loja conforme vendia.

A fila e a falta de espaço viraram, ao mesmo tempo, prova de demanda e alerta operacional.

Nome, sociedade e origem na Renault antes de qualquer glamour

Antes da expansão, Luciano Hang descreve um detalhe que costuma passar batido: a marca nasceu de uma urgência burocrática.

Ele e Vanderlei, amigos de trabalho na Renault, precisavam registrar um nome rapidamente, depois de uma tentativa que não avançou.

O contador Sérgio Vitkosque sugeriu combinações, e a escolha consolidou “Havan” como síntese de Hang e Vanderlei.

Esse ponto importa porque mostra que a Havan não foi desenhada para ser um “só de tecido” para sempre, mesmo tendo começado com foco no atacado de tecidos.

A base era um endereço pequeno, de 45 m², em Brusque, vendendo para excursões e compradores de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O crescimento vinha menos de uma peça publicitária e mais de um encaixe entre oferta, preço e fluxo de gente.

Do tecido ao mapa do Brasil e o custo de empurrar mercadoria para longe

Ao explicar a operação atual, Luciano Hang ancora a história em Santa Catarina: matriz em Brusque e um centro de distribuição em Barra Velha.

Ele cita 25.000 colaboradores e descreve a dimensão física como parte do desafio, ao falar em 2,5 milhões de metros quadrados construídos e em períodos em que a empresa chegou a erguer cerca de 1.000 m² por dia.

A geografia entra como obstáculo recorrente. Luciano Hang menciona a distância de levar mercadoria de Santa Catarina até o Norte, citando Manaus como exemplo, e liga isso a uma estratégia de “fazer o básico bem feito” enquanto a rede tenta fechar lacunas.

No desenho apresentado por ele, ainda faltavam três unidades federativas para completar presença nacional, com referência a Ceará, Amapá e Roraima, e a marca simbólica das 100 lojas foi associada ao Acre.

Importação pioneira e o impulso de olhar para China, Coreia do Sul e Taiwan

Quando o mercado abriu para importados no início dos anos 1990, Luciano Hang diz que foi cedo para fora, mirando China, Coreia do Sul e Taiwan.

O argumento é que a mesma lógica aplicada na escassez do Plano Sarney, buscar oferta onde existe e trazer para o cliente final, continuou a guiar decisões, agora em escala internacional.

Ao narrar esse movimento, ele reforça que a Havan procurava diferenciação por variedade e oportunidade, não apenas por quantidade.

Importar não aparecia como luxo, mas como estratégia de abastecimento e preço em um varejo que, para ele, sempre puniria quem dependesse de poucos fornecedores e de um único corredor de compra.

Por que Luciano Hang demorou a aparecer e o que isso diz sobre reputação

Um trecho recorrente do relato de Luciano Hang é que, por anos, ele preferiu ficar nos bastidores e não associar a imagem pessoal à Havan.

A mudança teria acontecido em 2016, quando decidiu aparecer publicamente para enfrentar versões sobre quem seria o dono da rede, segundo ele, boatos que prejudicavam a percepção da empresa.

Essa decisão é menos sobre vaidade e mais sobre controle de narrativa, algo que também tem custo operacional.

Em negócios de varejo com grande presença física, a reputação vira ativo e risco ao mesmo tempo, e Luciano Hang sugere que a exposição foi uma resposta defensiva, não um plano inicial. Quando a marca cresce, o silêncio deixa de ser neutro.

O que fica quando a história termina onde começou: produto, logística e timing

Video de YouTube

O fio que atravessa a história, do Plano Sarney ao primeiro lote de carretas no Rio de Janeiro, é a mesma pergunta que qualquer gestor enfrenta em crise: como garantir abastecimento sem quebrar o caixa e sem perder o cliente.

Luciano Hang coloca a logística como parte do produto, porque, sem reposição, a venda vira promessa vazia.

Ao mesmo tempo, o relato indica que a Havan foi moldada por decisões feitas sob pressão, com improviso, crédito e risco calculado, e que essa memória continua a influenciar a forma como ele lê o mercado.

O passado aparece menos como nostalgia e mais como manual de alerta: quando o ambiente muda, o estoque é o primeiro a gritar.

Na sua cidade, o que mais pesa quando o assunto é abrir ou expandir um negócio: acesso a fornecedor, preço do crédito, logística de entrega ou confiança do cliente? E, olhando para histórias como a de Luciano Hang e da Havan, qual foi a decisão mais arriscada que você já viu alguém tomar para não ficar sem produto?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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