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Lula sobe o tom, mira terras raras com a África do Sul e dispara: “Já levaram nosso ouro” presidente quer exploração conjunta, mais indústria e diz que Brasil não pode repetir erro de vender riqueza bruta e comprar caro depois

Publicado el 09/03/2026 a las 19:19
Actualizado el 09/03/2026 a las 19:20
Lula liga terras raras à África do Sul, minerais críticos e soberania nacional em estratégia para industrializar riqueza e evitar exportação bruta.
Lula liga terras raras à África do Sul, minerais críticos e soberania nacional em estratégia para industrializar riqueza e evitar exportação bruta.
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Lula defendeu no Planalto uma ação conjunta com a África do Sul para mapear, explorar e industrializar terras raras, criticou o histórico de exportação de riqueza bruta, pregou soberania sobre minerais críticos e afirmou que Brasil e parceiros precisam transformar reservas em tecnologia, renda e desenvolvimento interno com mais valor.

Lula subiu o tom ao tratar das terras raras durante encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, nesta segunda-feira (9). A mensagem central foi direta: o Brasil quer deixar de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima e passar a disputar também a etapa de transformação industrial ligada aos minerais estratégicos.

Ao defender uma exploração conjunta com os sul-africanos, o presidente associou o debate mineral a uma escolha de desenvolvimento. Em vez de repetir o padrão histórico de vender recursos naturais em estado bruto e recomprar produtos acabados por preços muito maiores, Lula afirmou que Brasil e África do Sul precisam usar suas reservas para gerar conhecimento, riqueza e melhores condições de vida para a população.

O recado político por trás da fala de Lula

A declaração mais contundente veio quando Lula evocou a longa história de retirada de riquezas minerais dos países produtores. Ao perguntar o que mais querem levar depois do ouro, da prata, dos diamantes e dos minérios, o presidente transformou a agenda das terras raras em um discurso sobre soberania, poder de decisão e controle sobre recursos estratégicos. Não se tratou apenas de mineração, mas de reposicionar o papel do Estado diante de uma corrida global por insumos essenciais.

Esse discurso também ajuda a explicar por que o governo tenta vincular o tema a uma decisão política mais ampla. Na avaliação apresentada por Lula, não basta ter reserva mineral no subsolo. O ponto decisivo é criar condições para que a riqueza extraída se converta em atividade industrial, domínio tecnológico e renda circulando dentro do próprio país. A crítica não foi apenas ao passado, mas ao risco de repeti-lo em uma nova fase da economia global.

Por que as terras raras ganharam peso na estratégia do governo

As terras raras e os minerais críticos aparecem no centro dessa discussão porque são considerados essenciais para a transição energética e digital.

Ao mencionar esse potencial, Lula procurou mostrar que o tema não interessa apenas ao setor mineral, mas a cadeias produtivas mais amplas, ligadas a tecnologia, indústria e inovação. Nesse contexto, a exploração deixa de ser vista como um assunto isolado e passa a integrar um projeto econômico de maior alcance.

O presidente também afirmou que Brasil e África do Sul têm potencial semelhante nesse setor, o que reforça a ideia de cooperação entre dois países do Sul Global com reservas relevantes.

A proposta de um levantamento conjunto das jazidas brasileiras e sul-africanas aponta para uma tentativa de combinar conhecimento geológico, planejamento e articulação econômica. A intenção é clara: conhecer melhor o que existe, definir como explorar e decidir onde ficará o valor gerado por essa produção.

Da exportação bruta à industrialização local

Ao citar o minério de ferro como exemplo, Lula retomou uma crítica recorrente ao modelo primário-exportador. Segundo ele, o Brasil vendeu o recurso natural e depois comprou o produto acabado pagando muito mais caro.

Essa comparação serviu para sustentar a tese de que o país não pode cometer o mesmo erro com as terras raras, justamente em um momento em que esses minerais ganharam importância internacional.

Por isso, o presidente defendeu o fortalecimento das cadeias produtivas e a produção local dos bens derivados desses recursos.

Na prática, isso significa tentar fazer com que a transformação industrial aconteça dentro do território brasileiro e também dentro do território sul-africano, em vez de concentrar o benefício econômico apenas na etapa da extração.

O alvo do discurso foi o velho desequilíbrio entre quem fornece a base material e quem domina a indústria de maior valor agregado.

O que muda quando Lula fala em exploração conjunta

A proposta de criar empresas de exploração com participação dos dois governos dá uma dimensão mais concreta ao que foi apresentado.

Ao mencionar esse caminho, Lula indicou que a cooperação não precisaria se limitar a conversas diplomáticas ou troca de informações, podendo avançar para mecanismos de participação direta dos Estados em projetos ligados aos minerais críticos. Isso amplia o alcance político e econômico da parceria.

Ao mesmo tempo, a fala reforça a busca do governo por diversificar relações comerciais e estratégicas. Os acordos bilaterais firmados nas áreas de turismo, comércio, investimentos e cultura ajudam a situar o debate mineral dentro de uma agenda mais ampla entre Brasil e África do Sul.

Não se trata apenas de abrir uma nova frente de negócios, mas de encaixar os minerais críticos em uma política externa que busca maior cooperação entre países em desenvolvimento.

Autonomia, mapeamento e recado ao mercado internacional

Outro ponto importante da fala de Lula foi o reconhecimento de que o Brasil ainda conhece apenas cerca de 30% do próprio território, segundo o presidente.

Essa observação reforça a necessidade de ampliar o mapeamento geológico para entender melhor o tamanho e a distribuição das reservas. Sem esse conhecimento, qualquer estratégia de longo prazo fica limitada, porque o país perde capacidade de planejar sua política mineral com precisão.

O governo também já sinalizou que não pretende firmar acordo de exclusividade com nenhum país sobre terras raras.

Esse posicionamento combina com o discurso de soberania nacional e com a decisão de preservar autonomia em uma disputa internacional cada vez mais intensa por minerais estratégicos. O memorando assinado com a Índia e a expectativa de que o tema entre nas conversas com Donald Trump mostram que o Brasil quer dialogar com diferentes atores, mas sem entregar a condução de um setor considerado sensível para o futuro econômico e tecnológico.

No centro de tudo, Lula tenta transformar as terras raras em símbolo de uma escolha maior: continuar exportando riqueza primária ou usar esse patrimônio para sustentar indústria, tecnologia e poder de negociação. A discussão vai muito além da mineração e toca diretamente no modelo de desenvolvimento que o Brasil quer seguir nos próximos anos.

E, na sua visão, o país deve priorizar alianças para industrializar as terras raras dentro do próprio território ou corre o risco de repetir, mais uma vez, o ciclo de vender barato e comprar caro depois?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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