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Lupo amplia produção no Paraguai após 104 anos, investe R$ 30 milhões, reduz custos em 28% e reage à nova lei que elevou tributos no Brasil

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/01/2026 às 15:40
Lupo amplia produção no Paraguai com investimento de R$ 30 milhões, reduz custos em 28% e mantém fábricas no Brasil após mudanças na tributação.
Lupo amplia produção no Paraguai com investimento de R$ 30 milhões, reduz custos em 28% e mantém fábricas no Brasil após mudanças na tributação.
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Expansão industrial internacional da Lupo ocorre sem fechamento de fábricas no Brasil e inclui investimentos contínuos na unidade histórica de Araraquara, enquanto empresa busca competitividade diante de mudanças tributárias e custos operacionais elevados.

A Lupo, empresa centenária do setor têxtil brasileiro, iniciou uma estratégia de expansão produtiva internacional com a inauguração de uma unidade industrial no Paraguai, sem encerrar ou desativar suas operações no Brasil.

A companhia mantém suas fábricas nacionais em funcionamento, incluindo a unidade de Araraquara, no interior de São Paulo, sede histórica da empresa, que segue ativa e em processo contínuo de modernização e investimentos.

A nova planta paraguaia foi instalada em Ciudad del Este, com investimento informado como superior a R$ 30 milhões, e integra uma estratégia complementar voltada à competitividade industrial diante das recentes mudanças no ambiente tributário brasileiro.

Segundo a empresa, a produção no Paraguai permite uma redução de custos em torno de 28% quando comparada à fabricação no Brasil, principalmente em função da carga tributária menor e de um ambiente regulatório mais simples.

Fundada em 1921, a Lupo atravessou crises econômicas, mudanças monetárias e períodos de instabilidade sem interromper sua produção no território nacional, mantendo sua base industrial no país ao longo de mais de um século.

Nos últimos meses, porém, a companhia passou a reorganizar parte de sua cadeia produtiva como resposta direta às alterações no tratamento tributário de incentivos fiscais no Brasil.

Mudanças tributárias e impacto sobre a indústria

Após 104 anos, Lupo leva produção ao Paraguai, investe R$30 milhões, reduz custos em 28% e reage à nova lei que elevou tributos no Brasil.
Após 104 anos, Lupo leva produção ao Paraguai, investe R$30 milhões, reduz custos em 28% e reage à nova lei que elevou tributos no Brasil.

A Lei 14.789, sancionada em dezembro de 2023, modificou o tratamento das subvenções para investimento concedidas por estados e municípios, estabelecendo novas regras para a utilização desses incentivos no cálculo de tributos federais.

Na prática, a legislação alterou a forma como empresas podem reconhecer e utilizar benefícios fiscais relacionados ao ICMS, impondo exigências adicionais de habilitação e escrituração contábil.

O governo federal apresentou a medida como parte do esforço de reorganização fiscal e aumento da arrecadação.

Para setores industriais intensivos em mão de obra e sensíveis a custos, como o têxtil, a mudança provocou reavaliações de investimento e de localização produtiva.

Nova unidade no Paraguai e regime de maquila

A fábrica da Lupo no Paraguai opera sob o regime de maquila, sistema voltado à industrialização para exportação, que permite a importação de insumos com tributação reduzida e aplicação de um imposto único de 1% sobre o valor agregado nacional ou sobre o valor da exportação.

A unidade tem capacidade para produzir até 20 milhões de pares de meias por ano e gera atualmente cerca de 110 empregos diretos no país vizinho.

A localização em Ciudad del Este foi escolhida também por fatores logísticos, já que a cidade está próxima à fronteira com o Brasil e integrada a corredores comerciais do Mercosul.

O Brasil segue como um dos principais destinos dos produtos fabricados sob o regime de maquila, incluindo itens produzidos pela Lupo.

Após 104 anos, Lupo leva produção ao Paraguai, investe R$30 milhões, reduz custos em 28% e reage à nova lei que elevou tributos no Brasil.
Após 104 anos, Lupo leva produção ao Paraguai, investe R$30 milhões, reduz custos em 28% e reage à nova lei que elevou tributos no Brasil.

Declaração da empresa sobre a estratégia internacional

Em entrevista à Folha de S.Paulo, a executiva Liliana Aufiero afirmou que a decisão de ampliar a produção no Paraguai não representa uma saída do Brasil.

Segundo ela, o movimento está ligado à busca por competitividade em um cenário de aumento de custos e complexidade regulatória.

“Não é que a Lupo foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a gente para o Paraguai”, declarou, ao comentar os efeitos da carga tributária e da burocracia sobre a indústria.

A empresa reforça que a operação paraguaia não substitui a produção nacional, mas atua como complemento dentro de uma estratégia global, prática comum em companhias com atuação internacional.

Produção no Brasil segue ativa

A Lupo não anunciou fechamento de fábricas ou encerramento de atividades industriais no Brasil.

A unidade de Araraquara permanece como referência histórica e produtiva da companhia, com investimentos contínuos em modernização e tecnologia.

O movimento evidencia os desafios enfrentados por empresas industriais diante de mudanças tributárias recentes e reforça o debate sobre competitividade, ambiente regulatório e atração de investimentos produtivos na região.

Como o Brasil pode ajustar seu ambiente econômico para evitar que mais empresas adotem estratégias semelhantes de expansão produtiva fora do país?

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Alberto
Alberto
04/01/2026 20:58

Empresa falida, parou no tempo, não tem mas copetividade ,Ching ling tomou o mercado, tchau não vai fazer falta

Astrogildo Ikarus
Astrogildo Ikarus
Em resposta a  Alberto
05/01/2026 23:38

Sua formação em administração comércio exterior e economia deve ser explendida!

Dom Victtorio Rossi
Dom Victtorio Rossi
04/01/2026 20:45

Materia **** de **** amestrado ,a lupo continua no Brasil no interior de sp. E vai sim abrir uma nova fábrica no Paraguay para exportações , simplesmente uma indústria brasileira criando filiais e se tornando internacional, matéria ****.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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