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Para construir o maior metrô subterrâneo do Oriente Médio, a Arábia Saudita escavou mais de 176 km de túneis, atravessou rocha e areia com TBMs blindadas, abriu estações a até 40 metros de profundidade e redesenhou fundações inteiras sob a capital

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 14/01/2026 às 18:49
Para construir o maior metrô subterrâneo do Oriente Médio, a Arábia Saudita escavou mais de 176 km de túneis, atravessou rocha e areia com TBMs blindadas, abriu estações a até 40 metros de profundidade e redesenhou fundações inteiras sob a capital
Para construir o maior metrô subterrâneo do Oriente Médio, a Arábia Saudita escavou mais de 176 km de túneis, atravessou rocha e areia com TBMs blindadas, abriu estações a até 40 metros de profundidade e redesenhou fundações inteiras sob a capital
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Com mais de 176 km de túneis escavados sob rocha e areia, o Metrô de Riade redefine a engenharia subterrânea no Oriente Médio com estações profundas e TBMs blindadas.

Quando o governo saudita anunciou, em 2013, a intenção de criar um sistema metroviário de escala continental em uma cidade sem tradição de transporte sobre trilhos, o projeto soou ousado. Segundo o Arriyadh Development Authority (hoje Royal Commission for Riyadh City) e reportagens técnicas de 2014 à 2023, o investimento aprovado superou US$ 22 bilhões, com 176 km de linhas, 6 corredores metroviários e 85 estações projetadas para atravessar o subsolo, o nível da rua e viadutos elevados. O objetivo era transformar a mobilidade de uma capital dependente do automóvel, expandida no deserto e de urbanização recente.

O megaprojeto foi contratado a partir de consórcios internacionais especializados em túneis, estruturas profundas, material rodante e sistemas de controle. Entraram no projeto empresas como Bechtel (EUA), Ansaldo STS / WeBuild (Itália), Siemens (Alemanha), FCC (Espanha), Samsung C&T (Coreia do Sul) e Alstom (França), entre outras. O volume de engenharia envolvido colocou Riyadh no mesmo patamar de Londres, Paris e Singapura em obras subterrâneas simultâneas.

Como se escava um metrô em uma cidade construída sobre areia e rocha?

Riad nasceu e cresceu sobre depósitos arenosos intercalados com camadas calcárias e zonas de rocha mais dura, uma combinação geológica que impõe desafios particulares: arenito instável próximo à superfície, colapsos potenciais em áreas não consolidadas e infiltração residual em regiões profundas. Para lidar com isso, o projeto utilizou tuneladoras (TBMs) blindadas — máquinas de 80 a 100 metros de comprimento que escavam e instalam o revestimento do túnel ao mesmo tempo — protegidas por escudos pressurizados e revestimentos segmentados de concreto.

Vídeo do YouTube

Essas TBMs foram adaptadas ao clima e ao tipo de solo. Em áreas granuladas, operaram em modo Earth Pressure Balance (EPB), mantendo a frente de escavação pressionada para evitar desmoronamentos. Em zonas mais duras, alternaram para discos de corte próprios de túneis alpinos. Cada metro avançado exigiu instrumentação extremamente precisa para não comprometer fundações de edifícios, galerias de drenagem, linhas elétricas e tubulações antigas da cidade.

Enquanto os túneis rodoviários costumam avançar por cima das fundações, o metrô teve de passar por baixo delas. Isso exigiu mapeamento estrutural detalhado e recalque controlado, técnica que injeta cimento ou grout no subsolo para estabilizar regiões vulneráveis antes da chegada da tuneladora.

Estações a até 40 metros de profundidade

O metrô de Riad não é apenas uma malha de túneis. Uma parte impressionante da engenharia está nas estações profundas. Segundo projetos divulgados pela autoridade local entre 2015 e 2020, algumas estações atingem cerca de 40 metros de profundidade — o equivalente a um prédio de 12 andares — com poços escavados verticalmente e consolidados com paredes diafragma de concreto armado.

Essas paredes podem ter entre 60 e 100 cm de espessura e descem dezenas de metros para permitir escavações seguras no interior. Depois, entram escoramentos metálicos, cambotas, lajes intermediárias e finalmente os níveis definitivos das plataformas. Em muitos casos, foi necessário rebaixamento do lençol freático por poços injetores, uma prática comum em grandes cidades costeiras, mas extremamente delicada em um ambiente desértico por causa da baixa reposição hídrica natural.

Além disso, as estações foram planejadas para operar no calor extremo do verão saudita. Isso implica sistemas redundantes de climatização, filtros contra poeira e areia e câmaras de transferência térmica entre o exterior e o subsolo. Em certas estações, o ambiente subterrâneo funciona como um amortecedor térmico, reduzindo picos de consumo de energia.

Logística industrial: trens, canteiros e corredores de concreto

Para construir 176 km de trilhos em uma cidade que já estava funcionando, foi necessário criar uma espécie de “cidade da construção” dentro de Riyadh. Entre 2014 e 2020, consórcios montaram fábricas temporárias para produzir anéis de concreto usados no revestimento dos túneis (os segmentos ou “segments”). Cada TBM consome milhares desses anéis ao abrir novos metros de túnel. A logística incluía:

  • Transporte contínuo dos segmentos até a TBM;
  • Retorno de solo escavado por correias e caminhões;
  • Centros de processamento para separar rocha de areia;
  • Usinas de concreto próximas aos acessos;
  • Hubs de solda, montagem de trilhos e teste de trens.

Esses trens, fornecidos principalmente por Siemens e Alstom, passaram anos sendo testados em circuitos fechados antes de entrar nos túneis. Isso incluiu sistemas de sinalização automática, controle de velocidade, frenagem regenerativa e integração com portas de plataforma — um mecanismo que reduz acidentes e estabiliza a climatização das estações.

Desvio de fundações e convivência com a cidade existente

Riad não foi construída para ter metrô. Ruas largas, bairros dispersos e infraestrutura subterrânea irregular foram obstáculos reais. Em alguns pontos, o metrô teve de atravessar sob cruzamentos e avenidas com grande fluxo, obrigando o uso de métodos como NATM (New Austrian Tunneling Method) e escavações invertidas, em que a cobertura superior é concluída antes da escavação inferior para que o trânsito continue funcionando.

Vídeo do YouTube

Prédios históricos, centros comerciais e estruturas críticas receberam monitoramento milimétrico para medir recalque (afundamento), vibrações e deslocamento lateral. Se qualquer parâmetro saísse da faixa, o consórcio parava a tuneladora e injetava material estabilizante. Esse tipo de engenharia foi amplamente documentado em projetos europeus, mas sua aplicação em ambiente desértico é rara.

Um sistema pensado para futuros milhões de passageiros

O coração do projeto não é apenas engenharia civil, mas urbanismo. A intenção saudita, segundo planos apresentados entre 2016 e 2022, é transformar Riad em uma cidade mais caminhável, com polos de densidade residencial e comercial próximos às estações. Modelos preveem que o metrô tire centenas de milhares de carros das ruas nos próximos anos, reduzindo emissões e tráfego.

A integração também é multimodal: ônibus dedicados, BRT, estacionamentos integrados, ciclovias e parques lineares conectam bairros hoje isolados. Esse modelo é semelhante ao de Copenhague, Vancouver e Barcelona, mas aplicado em escala inédita no Oriente Médio.

Não foi apenas uma obra: foi um movimento político, econômico e cultural

Projetos dessa magnitude funcionam como espelhos de sociedades que estão mudando. O metrô de Riyadh acompanha a política de diversificação econômica do país, reduzindo dependência do petróleo e investindo em infraestrutura, turismo e tecnologia. Ao mesmo tempo, sinaliza que megacidades do deserto precisarão de transporte de massa para continuar existindo no século XXI.

Seja por causa da geologia, do clima, do contexto urbano ou da escala continental, a construção do metrô de Riad criou um marco raro: um sistema subterrâneo monumental em uma cidade que, há poucas décadas, era apenas um aglomerado urbano isolado no deserto. Hoje, a capital saudita tem túneis profundos, estações verticais, TBMs gigantes, centenas de quilômetros de trilhos e uma nova camada subterrânea que redesenha a cidade sem que quase ninguém veja.

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Antonio
Antonio
16/01/2026 10:32

Ejemplo para los políticos de occidente, que no piensan sino en el beneficio particular y no en el general

Petrino Alfarino
Petrino Alfarino
16/01/2026 10:01

Jajaja, pero ellos no tienen un tren como el interoceanico que funciona en las vías y en tierra, tampoco otro trensito mata-jaguares. Ese tonto árabe gasta el dinero del petróleo en obras pudiendo venderlo y embolsillarse esa lana, le vamos a dar unas clases de como se hace a la mexicana.

Jorge
Jorge
15/01/2026 23:02

Que bueno que arabia Saudita tenga ese super dsarrollo.porque es el resultados de tenener un sistema de govierno democrático y capitalista desta forma más sereshumamos en el mundo mejoran sus condiciones de vida
Mientras tanto los cubanos que en 1958 teníamos mucho adelantodespués vino el comunismo y estamos en 67 años de puro atraso y ni siquiera tenemos lus eléctrica agua y comida ni nuevas carretera y mucho menos sistemas de transporte rápido como el de arabia saudita

Hector
Hector
Em resposta a  Jorge
16/01/2026 18:05

Democratico ???? Por favor agarra los libros !!!

Jorge Luiz dos santos
Jorge Luiz dos santos
Em resposta a  Jorge
21/01/2026 08:59

The is IS tours in dreams in like people sçhowns fantástic in stoury dats

Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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