Uma lagoa artificial gigante no litoral chileno atrai visitantes pela dimensão inédita, pela tecnologia que climatiza água do mar e por estar a poucas horas de viagem do Brasil.
A cerca de cinco horas de viagem a partir de São Paulo, somando o voo até Santiago e o trajeto por terra até o litoral chileno, fica uma das estruturas aquáticas mais impressionantes já construídas: a lagoa artificial do resort San Alfonso del Mar, em Algarrobo.
O espelho-d’água tem pouco mais de 1 km de extensão, ocupa cerca de 80 mil metros quadrados e armazena 250 milhões de litros de água do mar tratada, já reconhecida pelo Guinness Book como a maior piscina do mundo por área.
Instalado na costa central do Chile, o complexo é um condomínio-resort privado, com prédios residenciais de frente para a lagoa e para o Pacífico.
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O projeto foi desenvolvido pela empresa Crystal Lagoons, criada pelo bioquímico e empresário chileno Fernando Fischmann, que idealizou uma tecnologia capaz de manter grandes volumes de água salgada com transparência de tom caribenho em um litoral de mar naturalmente frio.
Recorde mundial e evolução dos maiores complexos aquáticos
Quando entrou em operação, no fim de 2006, a lagoa de San Alfonso del Mar representou uma quebra de paradigma em lazer e engenharia.
Em 2007, o empreendimento recebeu o Guinness World Record como maior piscina do mundo em área, com pouco mais de 1 km de comprimento e 250 milhões de litros de água.
Anos depois, o título de maior lagoa artificial passou para outro projeto da Crystal Lagoons, o Citystars Sharm El Sheikh, construído no deserto do Sinai, no Egito.

Desde 2015, esse complexo é o recordista oficial do Guinness como a maior lagoa artificial do planeta.
Mesmo assim, a lagoa chilena segue amplamente reconhecida como uma das maiores do mundo e continua sendo o projeto mais icônico da empresa.
Tecnologia de tratamento que transforma água do Pacífico
A costa do Pacífico chileno é conhecida pelas temperaturas frias da água, o que limita o banho de mar durante boa parte do ano.
A solução desenvolvida por Fischmann foi criar uma lagoa de água salgada climatizada, alimentada diretamente pelo oceano e isolada das correntes marítimas.
O sistema capta água do mar em pontos próximos à costa, faz o bombeamento até a lagoa e passa o volume por um processo exclusivo de filtragem e tratamento químico em baixa dosagem.
A tecnologia patenteada reduz o consumo de energia e usa quantidade muito menor de aditivos químicos do que sistemas tradicionais.
Dentro da lagoa, a temperatura da água permanece em torno de 26 ºC, quase dez graus acima do Pacífico, que costuma registrar 16 ºC a 17 ºC.
O resultado é um ambiente visualmente semelhante a praias tropicais, mesmo em uma região de mar naturalmente gelado.
Dimensões e engenharia da megaestrutura

Além de se estender por pouco mais de 1 km, a lagoa ocupa aproximadamente 80 mil metros quadrados e atinge profundidade máxima próxima de 3,5 metros.
O volume armazenado equivale a milhares de piscinas residenciais.
A Crystal Lagoons destaca que a área total corresponde a cerca de 6 mil piscinas tradicionais e que o empreendimento foi o primeiro a demonstrar, em escala comercial, a viabilidade de lagoas cristalinas gigantes em condomínios e resorts.
Manutenção milionária e operação contínua
Para manter o espelho-d’água em condições de uso, a estrutura opera com sistemas de bombeamento, filtragem, sensores e controle automatizado distribuídos ao longo de toda a extensão.
A água é renovada de forma gradual, com recirculação constante e reposição das perdas por evaporação.
Estimativas apontam que os custos anuais de operação giram em alguns milhões de dólares, com valores frequentemente citados entre US$ 2 milhões e US$ 4 milhões por ano.
As cifras variam conforme a fonte, já que não há um valor oficial único.
A operação exige monitoramento técnico permanente para manter transparência, cor uniforme, segurança para banho e navegação, além de atender às normas locais de qualidade da água.
O que o hóspede encontra no San Alfonso del Mar
O acesso à lagoa é restrito a proprietários e hóspedes do condomínio-resort. O complexo abriga cerca de 1,4 mil unidades distribuídas em prédios que circundam o espelho-d’água.

Os visitantes contam com áreas destinadas à natação, espaços de areia artificial, píeres e pontos para embarque de caiaques, stand up paddle e pequenas embarcações não motorizadas.
Setores rasos favorecem atividades em família, enquanto áreas mais profundas atendem à prática de esportes aquáticos e mergulho.
O resort reúne ainda beach club, academia, spa, bares, restaurantes, áreas de estar e piscinas aquecidas cobertas por vidro.
A vista combina o mar aberto do Pacífico com a lagoa de água clara, que permite passeios de barco dentro do próprio condomínio.
Como chegar partindo de São Paulo
Para quem sai de São Paulo, o trajeto começa com o voo até Santiago, com duração aproximada de quatro horas.
De lá, o deslocamento até Algarrobo leva entre 1h30 e 2 horas por rodovia. Na soma, a viagem até o complexo costuma ficar em torno de cinco horas, sem contar esperas ou conexões.
Ao chegar, o contraste chama atenção: o Pacífico frio de um lado e, do outro, uma lagoa artificial ampla, quente e navegável, reconhecida internacionalmente.

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