O trem da Vale que liga São Luís (MA) a Parauapebas (PA) fará o maior percurso de passageiros da América do Sul, com quase mil quilômetros, operação diária e 27 cidades conectadas entre Maranhão e Pará.
O trem de passageiros da Estrada de Ferro Carajás (EFC), operado pela Vale, realizará o maior percurso ferroviário de passageiros da América do Sul.
A linha liga São Luís (MA) a Parauapebas (PA), atravessando 27 municípios e completando a viagem em cerca de 16 horas.
A circulação, que hoje ocorre em dias alternados, passará a ser diária a partir de 2026, conforme compromisso firmado no contrato de renovação antecipada das concessões da empresa.
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Operação e cronograma
Atualmente, o trem parte de São Luís às segundas, quintas e sábados, e de Parauapebas às terças, sextas e domingos.
A operação diária começará em 2026, segundo informações da própria Vale e do Ministério dos Transportes.

A mudança foi prevista na renovação contratual assinada em 2020, que garantiu à mineradora a prorrogação da concessão da ferrovia por mais 30 anos, mediante investimentos em infraestrutura e ampliação de serviços de passageiros.
Extensão, tempo de viagem e estrutura
O trajeto da EFC tem quase 1.000 quilômetros e percorre áreas urbanas e rurais dos estados do Maranhão e do Pará.
A viagem completa dura, em média, 16 horas, dependendo das condições operacionais.
Os trens contam com ar-condicionado, vagão-restaurante e assentos divididos entre classe econômica e executiva, com capacidade total para mais de 1.300 passageiros.
De acordo com a Vale, cada passageiro pode levar uma mala de até 35 quilos e uma bolsa de mão sem cobrança adicional.
O embarque é permitido mediante apresentação de documento oficial com foto.
Tarifas e demanda
O valor do trecho completo entre São Luís e Parauapebas é de R$ 90 na classe econômica e R$ 170 na executiva.

Segundo dados da Vale, 423 mil passageiros utilizaram o serviço em 2024, número que representa o maior volume desde o início da operação comercial da ferrovia.
O aumento da demanda, segundo a empresa, está relacionado à regularidade do serviço e à acessibilidade das tarifas, que se mantêm abaixo da média de passagens rodoviárias na mesma rota.
Importância regional
A Estrada de Ferro Carajás é uma das principais vias de transporte de cargas e passageiros do Norte do país.
Especialistas em infraestrutura e transporte ferroviário apontam que o trajeto tem papel relevante para a integração regional e o escoamento da produção mineral.
Além de conectar comunidades de difícil acesso, o trem também oferece um modal de transporte considerado mais estável em longas distâncias, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Vitória–Minas: o segundo maior percurso
O trem Vitória–Minas (EFVM), também operado pela Vale, é atualmente o único serviço de passageiros com circulação diária no Brasil.
O percurso tem 664 quilômetros, ligando Belo Horizonte (MG) a Cariacica (ES), com tempo médio de viagem de 13 horas.
O serviço é composto por vagões com ar-condicionado, poltronas numeradas e vagão-restaurante, além de oferecer tarifas sociais para moradores das regiões atendidas.
Novo horário noturno

A partir de janeiro de 2026, a Vale colocará em operação um segundo horário diário no trajeto da Vitória–Minas, com viagens noturnas em ambos os sentidos.
Segundo a empresa, o novo turno atenderá à alta demanda dos períodos de férias, especialmente em janeiro e julho, e poderá ser estendido conforme avaliação de desempenho.
A venda das passagens do serviço noturno está prevista para 15 de novembro de 2025.
As tarifas atuais são de R$ 81 na classe econômica e R$ 116 na executiva.
Cada passageiro pode embarcar com uma mala de até 32 quilos e uma bolsa pessoal, dentro das normas de bagagem da ferrovia.
O maior trajeto da América do Sul
Com cerca de 998 quilômetros de extensão total, segundo estudos do setor ferroviário, a Estrada de Ferro Carajás é considerada a linha de passageiros mais longa da América do Sul em operação regular.
Dados da ANTT e da Vale confirmam que a EFC ultrapassa outros percursos em operação no continente, tanto em extensão quanto em tempo de viagem.
Há registros técnicos que indicam variação entre 979 e 998 quilômetros, conforme o método de medição da malha.
Perspectivas e impactos
De acordo com o Ministério dos Transportes, a operação diária deve aumentar a oferta de assentos e facilitar o deslocamento de moradores de comunidades atendidas pelas 27 cidades ao longo da rota.
Técnicos da pasta avaliam que a medida poderá melhorar a integração entre modais e reduzir o tempo médio de espera para quem utiliza o trem como principal meio de transporte.

Na avaliação de especialistas em logística, a ampliação da frequência de viagens tende a otimizar a utilização da infraestrutura existente e permitir um planejamento mais eficiente das manutenções.
O projeto faz parte do conjunto de investimentos previstos nas renovações das concessões ferroviárias da Vale, homologadas pela ANTT e pelo governo federal.
Serviços e padrões operacionais
Os trens da EFC e da EFVM seguem padrões de segurança definidos pela ANTT.
As composições são equipadas com sistemas de monitoramento eletrônico e procedimentos de manutenção periódica.
As estações contam com salas de embarque climatizadas, bilheterias próprias e atendimento preferencial a pessoas com deficiência, idosos e gestantes.
De acordo com informações da Vale, os passageiros podem adquirir bilhetes nas estações ou pelo site oficial da empresa.
Em ambos os trajetos, é possível comprar passagens parciais para trechos intermediários, dependendo da disponibilidade de assentos.
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