1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Entre o Caribe e a África, um mar de algas se forma, cresce em escala inédita e se torna um novo desafio ambiental global para a NASA
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Entre o Caribe e a África, um mar de algas se forma, cresce em escala inédita e se torna um novo desafio ambiental global para a NASA

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 21/01/2026 às 08:15
Faixa gigante de sargaço formando cinturão de algas no Oceano Atlântico observada por satélite, entre o Caribe e a África
Imagem aérea mostra o avanço do cinturão de sargaço no Atlântico, fenômeno que bateu recorde de biomassa em 2025
  • Reação
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Faixa gigante de sargaço visível por satélite cresce desde 2011, bate recorde em 2025 e amplia impactos ambientais no Atlântico tropical

Uma descoberta ambiental de grande escala voltou a chamar a atenção da comunidade científica internacional. Milhões de toneladas de sargaço reapareceram no Oceano Atlântico, formando uma extensa faixa flutuante observada por satélites. Desde janeiro até março, pequenas massas dessas algas começam a surgir todos os anos. No entanto, com o avanço da primavera no Hemisfério Norte, esse volume cresce rapidamente e assume proporções continentais.

Segundo o monitoramento da NASA, o fenômeno apresenta crescimento acelerado, além de impactos ambientais cada vez mais relevantes. Por isso, pesquisadores passaram a tratar o evento como um dos novos desafios ambientais globais da última década.

Grande cinturão de sargaço conecta oceanos e ecossistemas distantes

O fenômeno é conhecido como Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico. Trata-se, portanto, de uma macrofloração de algas que pode se estender da costa oeste da África até o Golfo do México. De acordo com dados oficiais, essa estrutura cria um verdadeiro corredor biológico flutuante, conectando regiões oceânicas separadas por milhares de quilômetros.

Esse cinturão começou a ser identificado por imagens de satélite em 2011. Desde então, passou a reaparecer todos os anos, especialmente entre o fim da primavera e o verão, consolidando um padrão que preocupa cientistas e autoridades ambientais.

Março de 2025 registra o maior volume já observado

O acompanhamento mais recente trouxe números inéditos. Em março de 2025, o cinturão atingiu entre 37 e 38 milhões de toneladas métricas de biomassa. Assim, superou com folga o recorde anterior de aproximadamente 22 milhões de toneladas, registrado em 2022.

Além disso, imagens de satélite revelaram que, em partes do Caribe, as camadas de algas ultrapassaram 1 quilômetro de largura. Consequentemente, autoridades ambientais e o setor turístico passaram a emitir alertas sobre possíveis prejuízos econômicos e ecológicos.

Espécies flutuantes explicam a rápida expansão

As espécies predominantes são Sargassum natans e Sargassum fluitans. Ambas são classificadas como macroalgas holopelágicas. Ou seja, vivem flutuando no oceano, sem necessidade de fixação no fundo marinho.

O crescimento acelerado está associado às correntes oceânicas, que transportam grandes quantidades de nutrientes do Atlântico Norte para o Atlântico Tropical. Entre as principais fontes, destacam-se o Rio Amazonas, que libera nitrogênio e fósforo durante a estação chuvosa, e o Rio Congo, responsável por despejar nutrientes na costa oeste africana. Dessa forma, esses elementos atuam como verdadeiros fertilizantes naturais.

Aquecimento global intensifica o avanço do fenômeno

Pesquisas conduzidas por universidades norte-americanas, com apoio de dados da NASA, indicam que o aquecimento global exerce papel decisivo. Com o aumento da temperatura das águas, aliado às atividades humanas que elevam a carga de nutrientes nos oceanos, criam-se condições ideais para a proliferação das algas.

Segundo a agência espacial, o padrão observado desde 2011 mostra que o fenômeno não apenas persiste, mas se intensifica ao longo dos anos, reforçando a necessidade de vigilância contínua.

Quando o sargaço deixa de ser aliado e vira ameaça

Em mar aberto, o cinturão pode cumprir um papel ecológico positivo. Por exemplo, serve de abrigo para peixes, tartarugas, aves e invertebrados marinhos. Entretanto, o cenário muda quando grandes volumes se aproximam das costas.

Nessas situações, ocorrem sufocamento de habitats naturais, danos a recifes de corais, redução de luz e oxigênio nas águas costeiras e aumento da erosão. Além disso, durante a decomposição, as algas liberam sulfeto de hidrogênio, gás associado ao odor intenso e a riscos à saúde humana e à fauna local.

Alerta científico para os próximos anos

No pico de atividade, o cinturão alcança praias do Caribe, da Flórida e do México. Para os cientistas, o fenômeno representa um desafio ambiental recente e complexo. A NASA destaca que ainda existem incertezas sobre seu comportamento futuro. Por isso, especialistas defendem monitoramento constante e estratégias internacionais de mitigação, antes que os impactos se tornem irreversíveis.

Diante desse cenário, você acredita que o mundo está preparado para lidar com a expansão contínua do sargaço nos oceanos?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x