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Projeto que libera medicamentos em supermercados é aprovado pela Câmara, divide opiniões e segue para sanção do presidente Lula

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 03/03/2026 às 17:35
Atualizado em 03/03/2026 às 17:36
Câmara dá aval para farmácias funcionarem dentro de supermercados, mas mantém controle sobre remédios de uso restrito e exige espaço exclusivo.
Câmara dá aval para farmácias funcionarem dentro de supermercados, mas mantém controle sobre remédios de uso restrito e exige espaço exclusivo.
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Câmara dá aval para farmácias funcionarem em supermercados, mas mantém controle sobre remédios de uso restrito e exige espaço exclusivo.

A liberação de medicamentos em supermercados dividiu o plenário da Câmara dos Deputados antes de ser aprovada na noite da última segunda-feira (2).

A proposta, que já havia passado pelo Senado no ano passado, agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A votação ocorreu após a aprovação de um requerimento de urgência, o que permitiu que o texto fosse analisado diretamente no plenário, sem tramitação prévia pelas comissões temáticas.

O que muda com a venda de medicamentos em supermercados?

Se sancionada, a nova regra permitirá a instalação de farmácias ou drogarias dentro de supermercados brasileiros.

No entanto, a comercialização de medicamentos não poderá ocorrer de forma misturada aos demais produtos.

O projeto determina que os medicamentos fiquem em gôndolas separadas e em espaço físico delimitado, exclusivo para a atividade farmacêutica.

O texto descreve:

“É permitida a instalação de farmácia ou drogaria na área de venda de supermercados, desde que em ambiente físico delimitado, segregado e exclusivo para a atividade farmacêutica, independente dos demais setores do supermercado”.

Na prática, será como uma farmácia estruturada dentro do estabelecimento, mas com funcionamento independente das demais áreas.

Regras sanitárias e presença obrigatória de farmacêutico

Além da separação física, a proposta estabelece exigências importantes para garantir segurança na venda de medicamentos em supermercados.

Será obrigatória a presença de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento da farmácia ou drogaria instalada no local. Sem esse profissional habilitado, não será permitida a comercialização.

Outra regra envolve os medicamentos de uso controlado, que exigem receita médica.

Nesses casos, a entrega ao cliente só poderá ser feita após o pagamento, reforçando o controle sobre esses produtos.

Em nota, o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter da Silva Jorge João, afirmou:

“o texto aprovado reduz danos, mantendo as exigências sanitárias já previstas no Senado e atende aos pontos centrais defendidos pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF)”.

Argumentos favoráveis à venda de medicamentos em supermercados

Entre os defensores da proposta está o deputado Hildo Rocha (MDB/PA). Para ele, a medida pode beneficiar o consumidor ao ampliar a concorrência no setor.

O parlamentar declarou:

“É como se fosse uma farmácia dentro do supermercado. É uma decisão pró-consumidor porque a tendência é aumentar a concorrência e o preço diminuir”.

Segundo essa visão, a possibilidade de vender medicamentos em supermercados tende a pressionar preços e facilitar o acesso da população.

Críticas e preocupações sobre automedicação

Apesar da aprovação, nem todos concordam com a iniciativa. A deputada Maria do Rosário (PT/RS) manifestou posição contrária ao projeto e alertou para riscos à saúde pública.

Ela afirmou:

“Farmácia e medicamento é equipamento de saúde. O supermercado não pode virar farmácia, porque estamos incentivando a cultura da automedicação“.

A principal preocupação gira em torno do aumento da automedicação, prática que pode trazer complicações quando não há orientação adequada.

Próximos passos do projeto

Com a aprovação da Câmara, o texto que autoriza medicamentos em supermercados segue agora para análise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que poderá sancionar ou vetar a proposta.

Caso receba aval presidencial, supermercados interessados deverão se adaptar às exigências estruturais e sanitárias previstas em lei.

Enquanto isso, o debate sobre acesso, concorrência e segurança no uso de medicamentos continua em evidência no cenário político e no setor de saúde.

Fonte: Olhar Digital

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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