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Megacidade perdida é descoberta e revela sociedade de 1600 a.C. onde só havia nômades

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 26/11/2025 às 17:17
Atualizado em 26/11/2025 às 17:18
Uma megacidade perdida da Idade do Bronze, com 140 hectares, foi descoberta no Cazaquistão. O achado revela planejamento urbano, metalurgia em larga escala e um centro estratégico de comércio.
Uma megacidade perdida da Idade do Bronze, com 140 hectares, foi descoberta no Cazaquistão. O achado revela planejamento urbano, metalurgia em larga escala e um centro estratégico de comércio. Foto: Universidade de Durham
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Uma megacidade perdida da Idade do Bronze, com 140 hectares, foi descoberta no Cazaquistão. O achado revela planejamento urbano, metalurgia em larga escala e um centro estratégico de comércio.

Arqueólogos anunciaram a descoberta de uma megacidade perdida da Idade do Bronze localizada no nordeste do Cazaquistão, em um sítio apelidado de “Cidade das Sete Ravinas”.

A antiga cidade de Semiyarka, ocupada por volta de 1600 a.C., ocupa cerca de 140 hectares e revela uma complexidade urbana até então inédita nas estepes da Eurásia.

A escavação, conduzida por instituições como a University College London (UCL), Universidade de Durham e a Universidade Toraighyrov do Cazaquistão, mostra que o local não era apenas uma vila, mas sim um centro industrial e político.

A descoberta, agora publicada na revista Antiquity, muda profundamente nossa compreensão sobre como as sociedades da estepe se organizavam e floresciam.

Uma megacidade perdida no coração das estepes

A chamada megacidade perdida de Semiyarka emergiu em uma elevação natural às margens do rio Irtysh, oferecendo amplo domínio visual sobre sete vales — daí o apelido “Cidade das Sete Ravinas”.

Sua localização estratégica sugere que tinha importância para controle territorial e comércio no Bronze Médio.

Com cerca de 140 hectares, Semiyarka é consideravelmente maior do que outros assentamentos contemporâneos da região, o que levou os pesquisadores a classificá-la como uma das primeiras “proto-cidades” urbanas nas estepes.

Os arqueólogos usaram imagens de drones para mapear o local.

Essas imagens revelaram filas de montes retangulares angulados — posteriormente identificados como estruturas residenciais com paredes de tijolos de barro e compartimentos internos.

No ponto de encontro dessas fileiras foi identificado um edifício maior, possivelmente monumental, com o dobro do tamanho das casas comuns.

Os pesquisadores acreditam que ali ocorriam atividades rituais, decisões políticas ou reuniões comunitárias.

Metalurgia em larga escala: o motor econômico da cidade

Uma das evidências mais impressionantes da megacidade perdida é a existência de uma zona industrial dedicada à produção de bronze.

Foram encontradas escórias, cadinhos e instrumentos relacionados ao trabalho com metal — indicando um sistema sofisticado de fundição de cobre e estanho.

Essa produção em escala é inédita para a região: muitos assentamentos da época tinham oficinas modestas, mas Semiyarka demonstra uma verdadeira estrutura de manufatura.

A proximidade das montanhas Altai pode ter favorecido o acesso a minérios de cobre e estanho, matéria-prima essencial para a fabricação do bronze, reforçando a ideia de que a cidade era um nó importante na rede comercial da Idade do Bronze.

Quem eram os habitantes da megacidade?

Antes desta descoberta, acreditava-se que as populações da estepe eurasiática eram majoritariamente nômades, vivendo em acampamentos temporários.

A megacidade perdida de Semiyarka altera essa visão: os pesquisadores afirmam que era uma comunidade sedentária, organizada e estável, capaz de sustentar uma economia complexa.

A arqueóloga Miljana Radivojević, da UCL e o professor Dan Lawrence, da Universidade de Durham, reforça que a escala e a forma das estruturas são muito diferentes de tudo que já foi visto nas estepes até agora.

Importância histórica e próximos passos

A descoberta desta megacidade perdida tem implicações profundas para o estudo da Idade do Bronze na Eurásia.

Ela revela que o desenvolvimento urbano e industrial pode ter ocorrido em regiões consideradas remotas, e que o mundo das estepes era mais sofisticado do que se supunha.

Além disso, Semiyarka pode ter desempenhado um papel central nas rotas de troca de metais, conectando minas das montanhas Altai a outras regiões distantes.

Os pesquisadores planejam continuar as escavações para desvendar mais sobre a vida política, social e ritual da cidade.

Espera-se que novas áreas do sítio sejam exploradas para entender melhor a relação entre os moradores, sua economia e seu poder na região.

Fonte: Revista Galileu

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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