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Melanoma e câncer de pele: por que a exposição solar segue sendo um risco ignorado

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 20/12/2025 às 10:46
Câncer de pele é o mais comum no Brasil. Melanoma, exposição solar e radiação ultravioleta exigem atenção e prevenção dermatológica.
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Câncer de pele é o mais comum no Brasil. Melanoma, exposição solar e radiação ultravioleta exigem atenção e prevenção dermatológica.

Com o início do verão e o aumento das atividades ao ar livre, o câncer de pele volta ao centro das atenções no Brasil.

A doença, causada principalmente pela exposição solar excessiva e sem proteção, já é o tipo de câncer mais frequente no país e exige atenção redobrada neste período.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deve registrar cerca de 220 mil novos casos anuais de câncer de pele não melanoma, além de aproximadamente 9 mil diagnósticos de melanoma, forma menos comum, porém mais agressiva.

O problema atinge todas as regiões, mas tem maior incidência no Sul e no Sudeste, onde a população é mais exposta a fatores de risco.

Embora seja altamente prevalente, o câncer de pele ainda costuma ser subestimado. Muitos brasileiros demoram a buscar atendimento médico por acreditarem que se trata de uma doença simples.

No entanto, especialistas alertam que essa percepção contribui para diagnósticos tardios, tratamentos mais complexos e maior risco de sequelas.

Exposição solar e radiação ultravioleta: um risco silencioso e cumulativo

A principal causa do câncer de pele é a radiação ultravioleta, emitida pelo sol e também por fontes artificiais, como câmaras de bronzeamento.

O dano provocado pela radiação não surge de forma imediata. Ao contrário, ele se acumula ao longo dos anos e pode se manifestar décadas depois.

“O sol vai provocando mutações no DNA das células da pele ao longo da vida. Na maioria das pessoas, os efeitos aparecem a partir dos 50, 60 ou 70 anos”, explica João Duprat, líder do Centro de Referência em Tumores Cutâneos do A.C.Camargo Cancer Center.

Segundo o médico, queimaduras solares repetidas na infância e adolescência aumentam significativamente o risco futuro. “A pele guarda a memória do sol”, resume.

Quem tem maior risco de desenvolver câncer de pele

Além da exposição solar, fatores genéticos e características individuais também influenciam o surgimento da doença.

Pessoas de pele clara, olhos claros e cabelos claros apresentam maior risco para os tipos mais comuns de câncer de pele.

No caso do melanoma, cerca de 10% dos casos têm origem hereditária, associada a mutações genéticas e histórico familiar.

Ter muitas pintas especialmente mais de 50 ou nevos com formato irregular também eleva o risco.

Outros fatores relevantes incluem envelhecimento da população, imunossupressão, exposição solar ocupacional, como a de trabalhadores ao ar livre, e infecção por HPV, associada a alguns carcinomas espinocelulares.

Nem todo câncer de pele é igual

Os especialistas destacam que existem diferenças importantes entre os principais tipos da doença.

O carcinoma basocelular é o mais frequente e cresce lentamente, raramente gerando metástase, mas pode causar deformidades se não tratado.

Já o carcinoma espinocelular é mais agressivo e pode se espalhar para outros órgãos.

O melanoma, embora represente apenas de 1% a 3% dos tumores de pele, é responsável pela maioria das mortes.

Geralmente surge como uma pinta que muda de cor, tamanho ou formato. “O melanoma costuma ser uma pinta que muda.

Já os carcinomas aparecem como feridas que não cicatrizam por mais de um mês”, explica Duprat.

Sinais de alerta e importância do diagnóstico precoce

Feridas que não cicatrizam, lesões que sangram com facilidade e pintas que mudam de aparência estão entre os sinais mais ignorados.

Muitos pacientes só procuram ajuda quando a doença já está avançada. “A ideia de que câncer de pele não mata ainda atrapalha muito.

Pode matar, pode dar metástase e pode causar sequelas importantes”, alerta o especialista.

Quando identificado precocemente, o câncer de pele tem altas chances de cura, geralmente com procedimentos simples.

Em estágios avançados, porém, o tratamento pode envolver cirurgias maiores, radioterapia ou imunoterapia.

“O diagnóstico precoce reduz o impacto do tratamento e melhora a qualidade de vida”, afirma Jadivan Leite de Oliveira, cirurgião oncológico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

Prevenção dermatológica ainda é a melhor estratégia

Diante do aumento dos casos, a prevenção dermatológica continua sendo a forma mais eficaz de combater o câncer de pele.

Especialistas recomendam evitar a exposição solar entre 10h e 16h, usar protetor solar diariamente, reaplicar o produto a cada duas horas, além de adotar chapéus, roupas e óculos com proteção UV.

“O maior erro é tratar a proteção solar como algo apenas do verão. Ela precisa ser feita o ano inteiro”, reforça Jadivan Leite de Oliveira.

Assim, hábitos simples podem fazer a diferença e reduzir significativamente o impacto do câncer de pele na população brasileira.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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