Projeto piloto da Cemig com tecnologia Enerzee usa módulos solares e baterias para garantir energia contínua, proteger serviços essenciais e validar modelo replicável em municípios brasileiros de pequeno porte
Com pouco mais de 850 moradores, Serra da Saudade, em Minas Gerais, carrega um título curioso e, agora, um novo marco. Conhecida como a cidade menos populosa do Brasil, ela foi escolhida para receber um projeto piloto de um sistema antiapagão capaz de atender todo o município.
A solução foi oficialmente inaugurada em janeiro de 2026 e nasce como resposta a um problema antigo: as frequentes quedas de energia.
Energia instável, rotina afetada
Em nota enviada pela prefeitura de Serra da Saudade ao portal Casa e Jardim, a administração descreveu os impactos diretos das interrupções.
-
Energia solar avança rapidamente e promete liderar como fonte de expansão da eletricidade mundial até 2030, ampliando geração limpa e reduzindo custos de energia
-
Batalhões da polícia militar em Rondônia adotam eficiência energética com energia solar e iluminação moderna, reduzindo custos públicos e fortalecendo sustentabilidade nas estruturas de segurança
-
Projeto ambicioso promete levar placas solares ao semiárido e transformar a agricultura familiar com energia solar, redução de custos e mais autonomia para produtores rurais
-
Embasa aposta em energia solar para transformar consumo elétrico, cortar despesas e consolidar liderança da Bahia na transição energética do setor de saneamento
“Em muitas ocasiões, essas interrupções atrasavam o andamento do atendimento ao público e comprometiam a qualidade dos serviços prestados”, informou.
A declaração resume uma realidade que atingia desde processos administrativos até atividades essenciais do dia a dia.
Uma cidade como laboratório
Com a percepção do problema, o projeto foi desenvolvido pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), com tecnologia criada pela Enerzee.
Para Alexandre Sperafico, CEO da empresa, o município oferecia as condições ideais. “Serra da Saudade é um local ideal para um projeto piloto, justamente por permitir testar a solução com impacto direto em toda a população, mas em uma escala menor. Isso viabiliza a validação do modelo para posterior replicação em outras cidades”, analisa.
Segundo Sperafico, redes acionadas em caso de falta de energia já existem, mas esta é a primeira iniciativa no Brasil desenhada para sustentar uma cidade inteira.
O sistema monitora continuamente a rede. “O sistema faz a leitura para identificar se a rede está operando normalmente ou se houve interrupção, acionando automaticamente as baterias para suprir a demanda”, explica.
Estrutura e funcionamento
Para viabilizar a operação, foram seguidas as exigências técnicas da Cemig. A instalação envolveu software de inteligência, medidores, controle de cargas, baterias e sistema de monitoramento.
O processo levou seis meses e foi concluído em junho de 2025. Desde então, testes e ajustes foram realizados até a oficialização em janeiro deste ano.
Ao todo, são 800 módulos solares e um sistema de oito racks de bateria. A autonomia varia conforme o consumo. “Em momentos de maior demanda, a autonomia pode variar entre 12 e 15 horas; em períodos de consumo mais baixo e estável, pode chegar a 48 horas ou mais, caso apenas as cargas essenciais estejam ativas”, detalha o CEO.
Na prática, as baterias permanecem ligadas à rede tradicional. Por meio de um controlador lógico programável, o fornecimento é automatizado.
Quando ocorre uma queda, o religador da rede convencional é desligado, e a energia passa a ser suprida pelas baterias.
Apesar de automática, a operação é acompanhada pela Cemig, que pode optar pelo religamento manual.
Impactos percebidos
Desde a implementação oficial em janeiro, a prefeitura afirma que houve maior segurança energética e redução significativa na conta de energia da Prefeitura.
Serviços essenciais, como a Creche CEMEI Menino Jesus, o Centro de Saúde e o prédio da Prefeitura Municipal, estão entre os beneficiados.
Segundo a Enerzee, as baterias possuem vida útil estimada de pelo menos 20 anos, sem emissão de poluentes nem ruído, e podem ser recicladas ao final do ciclo.
A Cemig avalia expandir o modelo para outras cidades, especialmente onde o atendimento técnico em faltas de energia costuma ser mais demroado.
Com informações de Casa e Jardim.
Seja o primeiro a reagir!