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Peixe em risco de extinção, os meros podem ultrapassar 2,5 metros e 400 kg, tiveram uma queda de mais de 80% em sua população e são alvo de ações do Projeto Meros para evitar o desaparecimento da espécie Epinephelus itajara

Publicado el 24/01/2026 a las 09:32
Os meros, grandes peixes marinhos, estão criticamente ameaçados de extinção no Brasil. Saiba como vivem, porque podem desaparecer e o que o Projeto Meros do Brasil faz para protegê-los.
Os meros, grandes peixes marinhos, estão criticamente ameaçados de extinção no Brasil. Saiba como vivem, porque podem desaparecer e o que o Projeto Meros do Brasil faz para protegê-los. Fonte: iNaturalist/© Dan Schofield
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Os meros, grandes peixes marinhos, estão criticamente ameaçados de extinção no Brasil. Saiba como vivem, porque podem desaparecer e o que o Projeto Meros do Brasil faz para protegê-los.

A espécie de peixe conhecida como meros, imponentes habitantes dos mares tropicais e subtropicais do Atlântico, enfrenta um declínio dramático de suas populações no Brasil.

Esses gigantes marinhos, que podem ultrapassar 2,5 m de comprimento e pesar mais de 400 kg, estão criticamente ameaçados de extinção devido à pesca, poluição e destruição de habitats.

Para reverter esse quadro, o Projeto Meros do Brasil reúne instituições e pesquisadores em ações de pesquisa, educação e conservação da espécie e seu ambiente.

Tudo sobre os meros, peixes gigantes ameaçados de extinção

Os meros, cientificamente chamados de Epinephelus itajara, pertencem à família Epinephelidae, a mesma de outras garoupas e chernes.

Eles também recebem nomes populares como bodete, canapú, badejão, merote e até “senhor das pedras”, em referência à tradução tupi-guarani e ao seu hábito de viver próximos a costões rochosos e recifes.

Apesar de seu porte impressionante, esses peixes são considerados dóceis e curiosos, chegando a permitir aproximação orientada por mergulhadores em algumas áreas.

Os meros juvenis se abrigam em manguezais, aproveitando as raízes como proteção e fonte de alimento.

Com o tempo, eles migram para o mar aberto, ocupando recifes rochosos, naufrágios, pilares de pontes e estruturas artificiais. Estes ambientes oferecem cavidades e esconderijos onde os peixes buscam abrigo e alimento.

Os meros, grandes peixes marinhos, estão criticamente ameaçados de extinção no Brasil. Saiba como vivem, porque podem desaparecer e o que o Projeto Meros do Brasil faz para protegê-los. Fonte: iNaturalist/© Dan Schofield
Fonte: iNaturalist/© Dan Schofield

Ciclo de vida e reprodução

A reprodução dos meros ocorre em grandes agregações reprodutivas, formadas entre dezembro e março nos habitats costeiros.

Durante esse período, machos e fêmeas se reúnem em locais específicos para a desova, com as fêmeas liberando milhões de óvulos, fertilizados externamente pelos machos.

Os juvenis passam entre 35 e 80 dias nos sistemas de corrente marinha antes de se estabelecerem em áreas costeiras onde continuarão seu desenvolvimento.

Curiosamente, os meros nascem como fêmeas e alguns se tornam machos mais tarde na vida, geralmente entre 6 e 8 anos, quando se tornam sexualmente ativos.

Alimentação: predadores de topo

Como predadores topos de cadeia alimentar, os meros se alimentam de crustáceos como caranguejos, siris, lagostas e camarões.

Eles também consomem peixes que vivem próximos dos fundos marinhos, como arraias, bagres, baiacus e polvos, além de tartarugas marinhas em algumas situações.

Declínio populacional e ameaças

Ao longo dos últimos 65 anos, as populações de meros no Brasil sofreram uma redução superior a 80%, um declínio que preocupa cientistas e conservacionistas.

Esse retrocesso ocorre devido à sobrepesca, da poluição marinha, da degradação de manguezais e da destruição dos recifes que servem de abrigo e alimento.

Apesar de ser um peixe de grande porte e sem predadores naturais significativos na água brasileira, sua lenta taxa de crescimento e maturação tardia aumentam sua vulnerabilidade frente à intervenção humana.

Em 1994, os meros foram incluídos na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) como Criticamente em Perigo (CR).

No Brasil, esse status permanece após a avaliação de 2020, reforçando que a espécie ainda corre risco de desaparecer sem ações de proteção contínuas.

No Brasil, a captura, o transporte e a comercialização de meros são proibidos desde 2002, conforme a Portaria IBAMA nº 121.

Essa medida visa reduzir a pressão de pesca sobre a espécie e permitir a recuperação gradual de suas populações.

No entanto, apenas a proibição não tem sido suficiente para recuperar os números.

Fonte: iNaturalist/© James-LaFontaine

A alta mortalidade, agravada pela pesca ilegal e pela perda de habitats, continua sendo um grande desafio para os esforços de conservação.

Projeto Meros do Brasil: ciência e compromisso

Criado em 2002 por um grupo de pesquisadores, o Projeto Meros do Brasil busca formar uma rede ampla de instituições e pessoas comprometidas com a preservação e a recuperação dos meros e dos ambientes marinhos brasileiros.

Atualmente, o projeto está presente em nove estados brasileiros e 37 municípios, promovendo pesquisas científicas, educação ambiental e ações de comunicação voltadas à conservação dos oceânicos e costeiros.

Com o envolvimento de universidades, ONGs, mergulhadores, pescadores e voluntários, a iniciativa busca disseminar conhecimento sobre os meros, mobilizar a sociedade e influenciar políticas públicas que favoreçam a recuperação dessa espécie única.

Como todos podem ajudar os meros?

Para reverter o declínio e a extinção dos meros, o projeto destaca ações simples que qualquer pessoa pode fazer.

Isso inclui proteger os habitats naturais, como manguezais e recifes; reduzir a poluição, cuidando do lixo e do esgoto; e não capturar, comercializar ou consumir espécies ameaçadas.

A conservação dos meros não é apenas uma questão biológica, mas também cultural e ambiental, pois preserva um elo chave dos ecossistemas marinhos e um símbolo natural do litoral brasileiro.

Os meros representam muito mais que peixes gigantes do fundo do mar.

Eles são parte fundamental da vida costeira e marinha, mantendo o equilíbrio ecológico e inspirando projetos científicos e de conservação.

Embora ameaçados, esforços como o Projeto Meros do Brasil mostram que, com ciência, educação e participação da sociedade, é possível proteger espécies tão majestosas quanto os meros e garantir que as gerações futuras também possam conhecer esses gigantes dos oceanos.

Video de YouTube

Com informações do site Meros do Brasil.

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Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

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