Com técnica tradicional de papietagem, artista de Lençóis Paulista cria adereços inspirados na cultura popular brasileira e impulsiona o artesanato como fonte de renda e identidade regional
O Carnaval movimenta cores, sons e emoções em todo o Brasil. No entanto, por trás do brilho das fantasias e da explosão de criatividade, existe um trabalho manual que mantém viva a essência da cultura popular brasileira. Em Lençóis Paulista (SP), o mestre artesão Antônio Marcos da Silva transforma papel de jornal e cola de amido em máscaras e bonecões que encantam foliões e reforçam o valor do artesanato como patrimônio cultural e fonte de renda.
A informação foi divulgada pelo portal “g1”, em reportagem produzida por g1 Bauru e Marília, com imagens da TV TEM. Segundo a matéria, o artista utiliza uma técnica chamada papietagem para criar adereços carnavalescos dentro da própria casa, especialmente no período em que as encomendas aumentam com a chegada do feriado.
Papietagem: técnica simples que dá vida a máscaras e bonecões

A papietagem é uma técnica artesanal que utiliza tiras de jornal molhadas em uma mistura de água com amido de milho. Em seguida, o artesão aplica as tiras sobre estruturas previamente moldadas, formando camadas que, depois de secas, ganham resistência e forma definitiva.
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Ao contrário do que muitos imaginam, não é necessário um ateliê sofisticado para produzir peças impactantes. Antônio Marcos trabalha com materiais acessíveis e transforma o que seria descartado em arte. Além disso, ele desenvolve esculturas, máscaras e bonecões inspirados na cultura popular brasileira.
Segundo o próprio artesão, a inspiração surge das manifestações tradicionais do interior do Brasil. Ele cita fogueiros, danças e referências da Música Popular Brasileira como elementos que alimentam sua criatividade. Dessa forma, cada peça carrega não apenas estética, mas também memória afetiva e identidade cultural.
Quando o Carnaval se aproxima, as encomendas aumentam significativamente. Por isso, além de produzir, o artista também aluga acessórios carnavalescos e ministra oficinas, compartilhando conhecimento com outras pessoas interessadas em aprender a técnica.
Artesanato como cultura, memória e geração de renda
O trabalho de Antônio Marcos vai além da produção de adereços. Ele integra o programa Empreendedor Artesão, iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, que reconhece o artesanato como atividade cultural e econômica estratégica.
Além disso, devido ao domínio técnico e à atuação na formação de novas gerações, o profissional recebeu o título de mestre artesão pelo Programa do Artesanato Brasileiro (PAB). Esse reconhecimento reforça a importância do saber tradicional transmitido de forma prática e contínua.
Para ele, o valor do artesanato não está apenas no objeto final. Pelo contrário, está na narrativa e na simbologia que cada peça carrega. Ao adquirir um item artesanal, o comprador leva consigo uma história, uma memória e uma conexão afetiva. Diferentemente de um produto industrializado, o objeto artesanal estabelece um diálogo permanente com quem o utiliza.
Consequentemente, o artesanato fortalece não apenas a economia local, mas também a identidade cultural das comunidades. Em cidades do interior paulista, como Lençóis Paulista e Bauru, essa produção se intensifica especialmente no período carnavalesco.
Acessórios exclusivos movimentam o carnaval no interior paulista
Enquanto Antônio Marcos investe em máscaras e bonecões, outros profissionais também encontram no Carnaval uma oportunidade de renda. Em Bauru (SP), por exemplo, a manicure Amanda Bonfim diversifica sua atuação e produz acessórios exclusivos para a festa.
Entre os itens mais procurados estão brincos de fita, ombreiras, topzinhos de crochê e peças com brilho. Segundo ela, a exclusividade é um dos principais diferenciais. Cada peça é única, o que garante ao cliente a sensação de autenticidade durante as festividades.
Assim, o Carnaval não apenas celebra a cultura popular, mas também impulsiona pequenos empreendedores e artesãos da região. Ao mesmo tempo, estimula a economia criativa e fortalece cadeias produtivas locais.
Portanto, o trabalho artesanal com papel de jornal e cola de amido revela algo maior: a capacidade de transformar simplicidade em arte, tradição em renda e memória em identidade cultural. Em um país onde o Carnaval representa uma das maiores expressões culturais, histórias como a de Antônio Marcos mostram que a verdadeira riqueza da festa começa muito antes do desfile.
Você já comprou ou usou um acessório artesanal no Carnaval que trouxe alguma memória especial da sua infância ou da sua família?
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